Crítica | His Dark Materials (Fronteiras do Universo) – 1X02: The Idea of the North

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  • SPOILERS! Confira a crítica para os outros episódios da série aqui.

Se em Lyra’s Jordan nós tivemos uma apresentação que abraçou o tom de aventura — uma promessa da série, em sua própria essência –, The Idea of the North é aquele tipo de episódio destinado a expandir os horizontes do show e, como se espera nesse tipo de situação, apresentar novos personagens, indicando sua colocação nesse cenário. Para um programa que abarca diferentes dimensões como este Fronteiras do Universo, está muito claro que teremos alguns desses episódios no decorrer da temporada, o que preocupa um pouco, já que estamos falando de “apenas” oito horas nessa primeira parte da jornada.

O que imediatamente torna esse segundo episódio um tanto fora de tom em relação ao Piloto é a maneira como o roteiro abordou a relação entre Lyra e a Sra. Coulter, com momentos de fazer revirar os olhos. Para um Universo que está se construindo agora (e de maneira majoritariamente interessante, devo dizer), isso não é uma notícia muito boa. Toda a estadia de Lyra em Londres e a tentativa da Sra. Coulter em “domesticar” a menina termina por desviar o foco do enredo, voltando aos bons momentos quando a farsa cai por terra e a protagonista passa a agir exatamente como deveria, assumindo a postura de uma garota que ama aventuras, é cheia de curiosidade e, principalmente, amor pelo amigo Roger, a quem está disposta a encontrar. É neste ponto que o episódio realmente entra nos trilhos.

O roteiro de Jack Thorne se esforça para manter uma aparência de normalidade na superfície desse mundo, à medida em que cria situações que provam exatamente o contrário. Essa brincadeira básica das tramas que pretendem mostrar jornadas épicas tem a sua primeira versão de “lado dos vilões” aqui, tanto de maneira institucional quanto em recortes menores, vide o ataque do macaco ao daemon e Lyra ou o triste assassinato do daemon da jornalista. E claro, isso vem sempre com muitas perguntas e nenhuma resposta, exatamente como deve ser em início de séries.

Como o episódio perde tempo com uma trama passageira e que não traz nada de muito interessante (exceto mais indicações sobre a personagem de Ruth Wilson, como se ainda fosse necessário), não sobra muito para a exploração de lugares ou mesmo introdução mais contextualizada de novos conceitos personagens. Isso não é o fim do mundo, mas ajuda a enfraquecer o episódio como um todo. A viagem para o Norte realmente se encaminha aqui, no fim das contas, e o final atiça a curiosidade do espectador pelo que vem a seguir. Sempre que explora diretamente a linha de aventura, mistério e fantasia, a coisa funciona bem. Minha torcida é que a lição seja seguida em maior escala por Tom Hooper, cujo trabalho na direção é sempre muito bom de se ver. E a gente sabe que as loucuras desse Universo só estão começando…

His Dark Materials (Fronteiras do Universo) – 1X02: The Idea of the North — Reino Unido, 10 de novembro de 2019
Direção: Tom Hooper
Roteiro: Jack Thorne (baseado na obra de Philip Pullman)
Elenco: Dafne Keen, Ruth Wilson, Lewin Lloyd, Tyler Howitt, Simon Manyonda, James Cosmo, Lucian Msamati, Geoff Bell, Clarke Peters, Ariyon Bakare, Anne-Marie Duff, Daniel Frogson, Will Keen, Ian Peck, David Langham, Robert Emms, Morfydd Clark, Kit Connor, Nabil Elouahabi
Duração: 60 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.