Crítica | His Dark Materials (Fronteiras do Universo) – 1X03: The Spies

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  • Há SPOILERS! Confira a crítica para os outros episódios da série aqui.

The Spies conseguiu fazer de maneira bem mais interessante e bem mais coesa aquilo que The Idea of the North propôs em primeiro lugar: uma construção ampla de personagens a partir de um cenário de crise e mistério.

No presente episódio, que começa poucas horas depois do sequestro de Lyra, vemos a personagem melhor inserida em um Universo transformando-se, com o roteiro escalando rapidamente para um cenário de aventura e mistérios que finalmente dá para o espectador a impressão de um grandioso cenário onde grupos com diferentes interesses batalharão até a morte para conseguir o que querem.

De um lado, o roteiro segue a busca pelas crianças desaparecidas, o que serve, afinal, para empurrar os gípcios em direção ao Norte, resolução já apontada no capítulo anterior mas que de fato acaba acontecendo aqui. O recurso ainda não se esgotou, apesar do constante uso, e isso se dá porque o roteiro utiliza o destaque individual de grupos de personagens não apenas para insistir no drama central, mas também para fazer com que os indivíduos crescessem. E depois da chateante relação entre a protagonista e a Sra. Coulter, o que temos aqui é uma grande revelação aliada a uma boa justificativa para as ações de muitos personagens em torno de Lyra, com a adição de significado ainda maior para aquela estadia e para a própria luta Sra. Coulter.

Juntando essa novidade com a trajetória para o Norte, o espectador aproveita ao máximo os obstáculos iniciais, missão que infelizmente termina com a morte de um gípcio (a sequência é ao mesmo tempo linda e angustiante), reafirmando o perigo que os mocinhos da história estão correndo e mais uma vez tornando a fantasia interessante a partir de aventuras em maior e menor escala. E o melhor aqui é que podemos aproveitar uma porção de dilemas sociais e impasses de relações humanas ao ver como cada núcleo narrativo é construído, como lidam com seus problemas e aquilo que consideram lícito ou não fazer para ter o que querem.

Eu sempre gosto muito quando há cenas de interação dinâmica entre os daemons e os humanos. Esse é o meu tipo de relação favorita nesse Universo, então não é de se espantar que o momento de descoberta de Lyra sobre como funciona o aletiômetro foi o meu favorito do episódio, tendo ela e Pantalaimon dividido um momento muito importante — a direção dá bastante atenção a isso por sinal –, além de uma grande sagacidade do roteiro na forma como apresentou e deu significado aos símbolos e à exploração dele na realidade: a constatação da primeira leitura e Lyra. A coisas definitivamente ficam mais interessantes na série e tomara que daqui para frente seja só ladeira acima.

His Dark Materials (Fronteiras do Universo) – 1X03: The Spies — Reino Unido, 17 de novembro de 2019
Direção: Dawn Shadforth, William McGregor
Roteiro: Jack Thorne (baseado na obra de Philip Pullman)
Elenco: Dafne Keen, Nabil Elouahabi, Daniel Frogson, Simon Manyonda, Ruth Wilson, Clarke Peters, Ariyon Bakare, James Cosmo, Anne-Marie Duff, Lucian Msamati, Frank Bourke, Robert Emms, Jamie Wilkes, Mat Fraser, Geoff Bell, Kit Connor
Duração: 60 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.