Crítica | His Dark Materials (Fronteiras do Universo) – 1X04: Armour

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  • Há SPOILERS! Confira a crítica para os outros episódios da série aqui.

Marcando a metade desta primeira temporada de His Dark MaterialsArmour se mostra o episódio mais bem estruturado em termos de ação e de encadeamento dos eventos da série até o momento. Seguindo um ideal de afunilamento da história desde o segundo episódio, chegamos a um ponto decisivo diante de resoluções simples para a temporada. O problema permanece o mesmo (o sequestro das crianças gípcias e de outros povos também), mas esta é apenas a desculpa inicial ou a superfície de uma série de eventos bem mais complexos que andam acontecendo por aqui.

A primeira coisa que nos chama a atenção é a bela abertura com ninguém menos que Lin-Manuel Miranda (interpretando Lee Scoresby) num balão, cantarolando com seu daemon e chegando à cidade onde os gípcios pararam para pedir ajuda [e aqui vale uma pequena nota: como o elenco dessa série é diverso e maravilhoso, não é mesmo?]. A fotografia a partir daí é metálica, sendo bastante coerente com o tipo de incidência de luz em lugares de alta latitude, com um pouco menos de contraste nas cenas noturnas, especialmente nos belos planos em que temos o verde da aurora boreal. A parada nessa cidade costeira vem para ressaltar a atmosfera de urgência que marca o enredo. Nós sabemos as muitas coisas que estão acontecendo; as buscas, as prisões, as perguntas e os aliados de meio do caminho, mas todos estão “apenas juntando forças” por enquanto. E essa preparação sustenta uma impressão geral de terror e fascinação no público.

A atriz Dafne Keen finalmente está bem mais solta em seu papel, interpretando uma Lyra que não parece querer entrar nos lugares de modo forçado. Sua presença aqui assume muito bem o que se espera do comportamento de uma garota de sua idade, mesmo que no caso dela haja um bom nível de estratégia, coragem e uns outros mistérios envolvidos. A relação com Lee e depois com o urso Iorek Byrnison é muito bem colocada na trama e tem um desdobramento melhor que o outro. O aproveitamento do tempo para estas aventuras paralelas também foi algo perfeitamente explorado, uma vez que temos a história se passando em diversos espaços, com ação de muitos personagens e incrementação dos mistérios que já conhecíamos. Eis aí um modo seguro de expandir um Universo sem confundir o espectador.

Bruxas, ursos de armadura, a notícia da prisão de Lord Asriel e uma preparação assumida para um futura guerra fazem desse episódio o mais interessante e objetivo da temporada até aqui. Evidente que um pouco mais de clareza em relação às camadas burocráticas envolvendo a Sra. Coulter fizesse um bem maior às suas cenas, mas o ciclo dela se completa de maneira satisfatória, sem quebrar o enigma e ao mesmo tempo mantendo intactas a sua persona e o seu controle sobre situações. Um episódio que junta times diferentes para uma luta. E agora… rumo ao Norte!

His Dark Materials (Fronteiras do Universo) – 1X04: Armour — Reino Unido, 24 de novembro de 2019
Direção: Otto Bathurst
Roteiro: Jack Thorne (baseado na obra de Philip Pullman)
Elenco: Dafne Keen, Lin-Manuel Miranda, James Cosmo, Harry Melling, Lucian Msamati, Omid Djalili, Joe Tandberg, Ruth Wilson, David Langham, Will Keen, Ian Peck, Frank Bourke, Daniel Frogson, Mat Fraser, Ariyon Bakare, Joi Johannsson, Cristela Alonzo, Kit Connor, David Suchet, Peter Serafinowicz
Duração: 60 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.