Crítica | His Dark Materials (Fronteiras do Universo) – 1X05: The Lost Boy

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  • Há SPOILERS! Confira a crítica para os outros episódios da série aqui.

Embora eu tenha gostado bastante desse episódio, minha impressão geral é que a trama se concentrou demais em uma missão paralela ao passo que pouco tivemos de algo sólido no andamento central da história, o que pode significar um impasse logo a seguir, já que estamos no antepenúltimo capítulo da temporada.

O que o roteiro de Jack Thorne faz é algo que normalmente temos no miolo de temporadas maiores, já que a premissa é utilizar o time central da série (nesse caso Lyra, os gípcios e companhia) a fim de dar espaço para o surgimento ou melhor colocação de outros aspectos desse Universo na tela. Em outras situações isso acaba não tendo problema, mas aqui já incomoda, porque há muito mistério, muita gente nova, muitas condições paralelas, muitas implicações de cargos, espaços, Universos inteiros, intenções e planos de ação para quase nenhum conhecimento bem estruturado do espectador em relação a tudo o que está havendo.

E nem é o caso de His Dark Materials ser uma série que despreza uma linha central e opta por tramas picotadas. Desde o início tivemos a devida atenção dada a Lyra e, em torno dela, as coisas foram progressivamente acontecendo. O problema é que tudo foi aumentando de tal forma que chegamos aqui na reta final com a sensação de que “sabemos demais, mas não sabemos nada“. Primeiro, esses mistérios estavam em torno do pai de Lyra e do . Depois, em torno do Magisterium. Agora temos uma real abordagem de um personagem de outro Universo, já dito que será de grande importância para a jornada da protagonista, mas sentimos que falta tempo para isso se estruturar melhor — veja como esse episódio ficou bem corrido, nos dois núcleos, já na parte final.

Esses pulos tornam a jornada um pouco mais difícil, e a grande sorte dos produtores é que o material é tão fascinante, o elenco é tão maravilhosamente bem escalado e a qualidade técnica da série é tão alta, que fica impossível a completa dispersão. Mas chega um ponto em que todas essas camadas precisam de suporte do texto. E aqui foi o episódio em que eu mais senti falta de uma exposição menos reticente, menos misteriosa das relações entre os Universos e entre personagens já dito tão importantes. Quando Lyra vai com Iorek Byrnison até um lugar, em busca de um “fantasma”, o espectador imagina que o enredo fortalecerá a jornada dos gípcios para o norte, mas não. Nem a aparição de Serafina dá um frescor maior a este bloco. Nada do que acontece é realmente novo (exceto pela exata sequência final), embora a gente veja que eles venceram uma boa parte do caminho rumo ao espaço de guerra que os aguarda. Só que isso não é o bastante.

O contraste deste mundo gelado para o mundo contemporâneo também se dá na forma como o roteiro apresenta e segura os mistérios na tela. E ao mesmo tempo que isoladamente sejam blocos bem conduzidos, eu não pude deixar de ver maior fluidez e ter maior atenção e interesse para o que acontece no mundo de Lyra. Como disse no início, apesar de gostar bastante do pacote completo, existem detalhes de construção neste episódio que me incomodaram. Não sei se os roteiros dos capítulos que faltam se dedicarão a mostrar o real contato entre os dois mundos ou fechar o ciclo no mundo de Lyra. A série continua boa, mas eu temo que se essa “figuinha” para dar as informações necessárias sobre seus componentes possa atrapalhar o encerramento. Torçamos para que não.

His Dark Materials (Fronteiras do Universo) – 1X05: The Lost Boy — Reino Unido, 1º de dezembro de 2019
Direção: Otto Bathurst, William McGregor
Roteiro: Jack Thorne (baseado na obra de Philip Pullman)
Elenco: Dafne Keen, Lin-Manuel Miranda, Amir Wilson, Joe Tandberg, Lucian Msamati, James Cosmo, Mat Fraser, Anne-Marie Duff, Daniel Frogson, Nina Sosanya, Jamie Wilkes, Ariyon Bakare, Cameron King, Ray Fearon, Ruta Gedmintas
Duração: 60 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.