Crítica | His Dark Materials (Fronteiras do Universo) – 1X08: Betrayal

  • Há SPOILERS! Confira a crítica para os outros episódios da série aqui.

Que final triste! E que final interessante também! Uma boa parte das minhas dúvidas e visão do que poderia acontecer à série foram dissipadas aqui, com Jack Thorne escrevendo o melhor roteiro de toda a temporada. Até The Fight to the Death ainda tínhamos um problema geral de ritmo e interação com as camadas da trama, mas aqui em Betrayal essa impressão se dissipa e, exceto por alguns momentos do final, todo o projeto se segura tranquilamente.

Depois da cara horrível de Lord Asriel para Roger no fim do episódio anterior, eu estava com medo pelo destino do menino, e tinha toda razão para isso. Confesso que fui pego inteiramente de surpresa pelo que acontece aqui, pois não imaginava que o personagem de James McAvoy tivesse esse lado horrível de cientista louco e de indivíduo cuja porca moral maquiavélica realmente acredita que os fins justificam os meios, especialmente em um caso como este, envolvendo o assassinato de uma criança para completar um projeto. Até o último minuto eu achei que a série se renderia ao espírito natalino e salvaria o garoto e seu daemon, mas não. Doeu forte o que eu vi aqui e nem preciso dizer o quanto chorei. Dramaticamente falando, é um excelente trampolim para o amadurecimento de Lyra e também para a próxima fase de sua jornada, agora no nosso mundo (é isso mesmo? Ou ela vai para outro mundo? Porque tem outros mundos além desses dois mostrados, não tem?).

Em termos de desenvolvimento ou concepção de personagens, minha alegria foi às alturas nesse episódio. Não sei se é produto de uma ótima adaptação ou se é coisa exclusiva da série, mas colocar Lorde Asriel e a Sra. Coulter como vilões que possuem diversas outras camadas — e pra ser sincero, esse negócio de vilão como “mal encarnado“, “mal absoluto” e com apenas o lado ruim em sua composição, só funciona com demônios, independente da mitologia em questão –, o que torna a série bem mais interessante do ponto de vista prático. Sabendo que eles possuem certos limites e considerações morais, as ações que os envolverão no futuro tenderão a parecer mais profundas, assim como as escolhas que tomarem, pois acredito que o roteiro deve manter a lógica desse pêndulo moral daqui para frente.

Algo que bati o martelo durante o episódio é que Dafne Keen não parece totalmente confortável interpretando uma garota como Lyra, com misto de inocência, sagacidade e seriedade. Observem na cena lindíssima em que ela está na cabana com Roger, enquanto seus daemons brincam do lado de fora. O ator Lewin Lloyd (que imagino ser mais novo que Keen) entrega um trabalho muitíssimo mais interessante, mais solto, mais orgânico. Já sua colega de cena parece travada, consideravelmente artificial. Eu adorei Dafne Keen em Logan, mas aqui em Fronteiras não vi nada realmente impressionante no trabalho dela.

O tom épico do episódio se reflete na direção ágil, na trilha sonora que abraça a magnitude do que está sendo narrado e, claro, na fotografia, principalmente porque a maior parte das cenas são noturnas, o que é sempre difícil de se fazer por um período estendido de tempo. Agora é esperar para ver como cada indivíduo agirá em mundos diferentes e como as buscas dos mocinhos e dos vilões deflagrarão mais uma porção de outras batalhas. Estou pronto para a 2ª Temporada.

His Dark Materials (Fronteiras do Universo) – 1X08: Betrayal — Reino Unido, 22 de dezembro de 2019
Direção: Jamie Childs, William McGregor
Roteiro: Jack Thorne (baseado na obra de Philip Pullman)
Elenco: Dafne Keen, Will Keen, Ruth Wilson, James McAvoy, Ariyon Bakare, Frank Bourke, Gary Lewis, Lewin Lloyd, Robert Emms, Jamie Wilkes, Amir Wilson, Joe Tandberg, Cath Whitefield, Helen McCrory, Kit Connor
Duração: 56 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.