Home TVEpisódio Crítica | His Dark Materials (Fronteiras do Universo) – 2X04: Tower of the Angels

Crítica | His Dark Materials (Fronteiras do Universo) – 2X04: Tower of the Angels

por Luiz Santiago
2422 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há SPOILERS! Confira a crítica para os outros episódios da série aqui.

Os dez primeiros minutos desse episódio de His Dark Materials (Fronteiras do Universo) possuem um dos ritmos narrativos mais interessantes de toda a série até aqui. Eu havia comentado no capítulo anterior sobre a sólida melhora que tivemos na montagem desta 2ª Temporada, e Tower of the Angels é uma espécie de coroação desse setor técnico, principalmente na primeira metade do capítulo.

O que mais chama a atenção nesse tipo de uso limpo e bem pensado da montagem é o sentimento de progressão das histórias de diferentes núcleos numa linha de ação intensa que sabe equilibrar cenas reflexivas e de dramaturgia impecável (o fantástico bloco de Lin-Manuel Miranda e Andrew Scott, por exemplo) com as cenas envolvendo Lyra e Will, que ainda formam o elo fraco da corrente, mesmo estando juntos. O que salva esses adolescentes, especificamente neste episódio, é a presença marcante do grande Terence Stamp como Giacomo Paradisi, o atual guardião da Faca Sutil.

O roteiro sabe muitíssimo bem o que tem em mãos e se aproveita disso. Eu ainda lamento que o arco das bruxas não esteja recebendo todo o cuidado que merecia — é muita coisa acontecendo em elipse! — mas ainda assim a composição geral dessas personagens no todo do episódio termina sendo positiva. No final, a participação delas recebe um bem-vindo ato de resposta à ação do Magisterium, e torna a busca por Lyra ainda mais interessante. Aliás, a quantidade de gente procurando pela garota é grande, e isso é certamente uma ótima construção de caminho para gerar grandes embates entre diferentes forças e intenções na reta final da temporada.

A despeito dos jovens atores, tenho achado o bloco de Lyra e Will cada vez mais instigante. Os momentos realmente bons deles dois atuando são poucos, mas a direção e o roteiro acabam dando um bom reforço ao trabalho deles, minimizando, de certo modo, a estranheza dos personagens — principalmente de Amir Wilson, que para mim não está conseguindo evoluir tão rápido quanto Dafne Keen.

No fim das contas, este acaba sendo um “problema menor” no escopo da obra, ou seja, se temos uma boa história com uma boa direção e outros setores técnicos funcionando a contento (vejam que aqui a trilha sonora está soberba, assim como a direção de fotografia, que sempre foi um dos pontos muito fortes da série), ainda teremos um baita resultado final. A partir de agora o que mais me intriga é a quantidade de distintos interesses em jogo, o que aponta para boas brigas e intrigas na reta final deste segundo ano de His Dark Materials.

His Dark Materials (Fronteiras do Universo) – 2X04: Tower of the Angels — Reino Unido, 2020
Direção: Leanne Welham
Roteiro: Namsi Khan, Jack Thorne
Elenco: Dafne Keen, Ruth Wilson, Ariyon Bakare, Lin-Manuel Miranda, Amir Wilson, Andrew Scott, Ariyon Bakare, Simone Kirby, Ruta Gedmintas, Jade Anouka, Remmie Milner, Robin Pearce, Sasha Frost, Lewis MacDougall, erence Stamp, ella Ramsey
Duração: 50 min.

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12 comentários

Sussurrador 13 de dezembro de 2020 - 21:17

O que você achou da reação da Mary quando o pó disse que são “anjos”?

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Luiz Santiago 13 de dezembro de 2020 - 21:25

Eu achei meio engraçada, porque uma cientista lidando com esse tipo de informação… Alguma coisa dessa reação que você queria destacar?

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Sussurrador 14 de dezembro de 2020 - 12:46

Não,só acho que ela deve demorar muito de processar uma experiência dessas imagine quando ela ver coisas mágicas pessoalmente!

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Isac Marcos 12 de dezembro de 2020 - 14:32

Olá, Luiz!
Uma das coisas que mais me encanta neste seriado são as cenas computadorizadas/efeitos especiais, ainda que pequenas como o efeito da faca, feitas com bastante cuidado (nem sei se a série tem bastante verba assim).
Uma pena que a cena das bruxas, no final, foi bem rápida, queria mais (e quero! Rsrs), espero uma VINGANÇA digna rsrs. Ansioso pra vê-las interagindo na “nossa” Terra.
Uma dúvida: todas as vezes que o Carlo atravessava de Oxford pra Oxford pela abertura , passava pela cidade da Torre dos Anjos? Achei estranho justamente nesse episódio, com a Marisa, ele passar por ela (e mais ainda de não serem pelo menos perseguidos pelos espectros).
Abç.

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Luiz Santiago 12 de dezembro de 2020 - 14:32

Eu entendi que os espectros perseguem os adultos a partir de um determinado momento, e você precisa estar exatamente naquela cidade, não é? Acho que foram pra lá pra pegar o guardião da faca. A explicação que foi dada é que essa “janela” foi deixada aberta e aí eles aproveitaram e passaram por ela. Acho que não conseguem transitar entre mundos não.

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Destruidora de mundos 13 de dezembro de 2020 - 21:17

Vi na internet que o orçamento desta série na primeirs temporada era 60 milhões, na segunda deve ter aumentado.

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Victor Martins 9 de dezembro de 2020 - 21:20

O núcleo das feiticeiras parece outra série totalmente diferente, inclusive na atuação, que está robótica demais.
Mas a série melhorou bastante em relação à temporada anterior.

E eu acho que His Dark Materials tem uma das melhores aberturas da TV.

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Luiz Santiago 10 de dezembro de 2020 - 09:46

A abertura é sensacional mesmo.

E eu to esperando um foco maior nesse núcleo das bruxas!

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Giovanni Filoni 9 de dezembro de 2020 - 10:42

Acompanhando a série, uma das coisas que eu mais tinha interesse em saber como eles resolveriam visualmente envolvia a faca sutil. E olha, eu simplesmente fiquei maravilhado quando a vi em ação na sequência de luta contra o irmão daquelas duas meninas de Cittàgazze. Dessa vez eu realmente não consegui ver o núcleo do Will e da Lyra como o mais fraco.
Ele ficou tão cheio de bons momentos, como a busca pela entrada da torre, a própria luta (que eu achei que poderia ter ficado bem mais esquisita, mas até achei decente a montagem) e, principalmente, a hora que o Will utiliza a faca pela primeira vez e a conversa final de ambos. Na primeira, além de eu estar alegríssimo de ver a faca sendo utilizada de uma forma tão interessante, com o efeito do corte realmente parecer que há uma “membrana” sendo cortada estar perfeito, temos também um bom momento em que o Pan quebra a principal regra do mundo da Lyra simplesmente para poder ajudar o Will. E mais à frente, acho que a cena da conversa dos dois serve como um momento excelente em que os laços se estreitam e ambos passam a confiar ainda mais um no outro.
Nos outros núcleos do episódio, o que com certeza mais me anima foi enfim ver o John Parry em um lugar que não fossem fotografias e vídeos (o Andrew Scott deve ter tirado muitas fotos falsas de família, porque até então era tudo o que tínhamos hahahaha), assim como mais uma vez o Lee se colocando numa posição à favor da Lyra que o torna no personagem com crenças tão forte que ele é. Além do mais, é interessante ver como a presença do Asriel continua sentida, mesmo que infelizmente não o tenhamos nessa temporada.

Ah, e mais uma coisa: se você se incomodou um pouco que as coisas sejam resolvidas em elipse, Luiz, então se prepara para o livro porque quase todos os núcleos em algum momento – com exceção do da Lyra, claro – trazem esse tipo de solução para alguns longos sumiços de personagens. Acho que eu já estou acostumado, nessa altura do campeonato hahahahaha

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Luiz Santiago 9 de dezembro de 2020 - 11:29

Esse núcleo do Will com a Lyra é uma montanha-russa pra mim. Tem episódios que ele funciona de modo bem bacana, inclusive com eles dois tendo bons momentos na tela. Mas tem outros que simplesmente me afastam. E isso exclusivamente na parte dramatúrgica. Por uma parte é aquela questão de aproximação, já que todo o restante do elenco é formado de adultos experientes e bons atores e atrizes. Aí eles aparecem e me parece ver estudantes de teatro no início do curso hahahahahahhahahahahahhaah. De qualquer forma, eu gosto da história que os envolve. Só não sou muito fã do trabalho da dupla como atores.

Foi até bom você me dar esse toque das elipses porque aí eu já me preparo psicologicamente.

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Giovanni Filoni 9 de dezembro de 2020 - 14:08

Realmente, acho que o peso do restante do elenco realmente acaba afetando bastante a percepção dos dois enquanto atores, por melhores que eles possam estar na série. Tenho até a impressão de que isso pese ainda mais considerando que nessa segunda temporada os eventos pedem muito mais da atuação deles na carga dramática do que a anterior, que em sua maior parte era uma aventura mais pura e simplesmente.
Interessante vai ser esperar para ver como vai ser quando os dois voltarem (em especial o Will, nesse sentido), a interagirem com os outros atores. Talvez essas interações acabem elevando de uma maneira interessante a atuação de ambos.

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Luiz Santiago 9 de dezembro de 2020 - 14:08

Estou curioso para ver como Will vai se sair nessa…

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