Crítica | Histórias de Hogwarts: Proezas, Percalços e Passatempos Perigosos, de J.K. Rowling

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estrelas 3,5

As três coletâneas denominadas Pottermore Presents chegaram para o público em 6 de setembro de 2016, mesclando material já publicado nos arquivos do portal Pottermore e contos/reflexões inéditas também escritas por J.K. Rowling. O livro Histórias de Hogwarts: Proezas, Percalços e Passatempos Perigosos é uma dessas obras, e traz quatro capítulos, cada um direcionado a uma personalidade da famosa Escola de Magia e Bruxaria. Na sequência, a autora apresenta pequenos artigos que ajudam o leitor a entender melhor as condições ou especialidades do bruxo antes retratado. Junto a essa pequena abordagem enciclopédica, por assim dizer, há ainda reflexões da autora a respeito do processo de escrita ou sobre suas personagens.

É importante lembrar que não estamos falando de uma obra sobre Harry Potter e seus amigos, e nem sobre uma visão do futuro desses personagens ou desmandes conceituais do passado, como foi a segunda parte de A Criança Amaldiçoada. Proezas… é um livro sobre outros bruxos e nos fornece um olhar diferente para eventos que antes acompanhamos a partir da visão de Harry. Essa mudança de visão é a melhor coisa da obra e lamentamos que não esteja presente em todos os capítulos, apenas nos dois primeiros, que acabam, dada sua qualidade e nível de emoção, valendo todo o livro.

O Capítulo 1 conta a história de Minerva McGonagall e traz em seguida um artigo sobre Animagos. Confesso que não esperava que J.K. Rowling fosse mergulhar tão fundo na história da querida professora de Transfiguração e mostrar o encontro de seus pais, sua infância, período em Hogwarts, trabalho, vida adulta, casamento e viuvez. Este é o melhor capítulo do livro em termos narrativos e o que equilibra com melhor eficiência o cânone de HP e informações inéditas, forçando o leitor a revisitar alguns momentos da saga original a partir de outro contexto. O acontecimento que mais recebe ângulos diferentes — todos perfeitamente encaixados naquilo que já conhecemos — é a épica Batalha de Hogwarts, em As Relíquias da Morte.

O Capítulo 2 é o mais emotivo e intenso da obra. Ele nos conta sobre a vida de Remo Lupin e é seguido por um artigo sobre Lobisomens. Não é nem um pouco surpresa que a própria autora revele ter se emocionado ao escrever sobre o passado de Lupin e suas andanças, preenchendo espaços mais ou menos vagos que tínhamos de sua participação na Ordem da Fênix e o período antes de sua morte. O sofrimento, a rejeição e o imenso preconceito de bruxos e trouxas contra os lobisomens trazem uma excelente metáfora crítica da autora a respeito de doenças sanguíneas, como a AIDS. O desenvolvimento de Lupin é ampliado aqui e muito de suas características pessoais, antes apenas sugeridas, são mostradas e explicadas no texto.

Os capítulos 3 e 4 são, nesta sequência, os menos cuidados do livro. O primeiro, fala sobre Sibila Trelawney e Onomantes, e o segundo, sobre o professor Silvano Kettleburn e um pouco sobre trato de criaturas mágicas. Além de demasiadamente curtos, esses capítulos perdem a oportunidade de dar a esses professores a mesma intensidade ou informações complementares vistas nos outros bruxos. Há, claro, detalhes preciosos (especialmente sobre a “profetisa” Sibila), mas em comparação ao material mostrado antes, é uma exposição menor e finalizada com um desnecessário tom de mistério, ao estilo “é bom que não saibamos muito sobre ela“. Shame on you, J.K.!

harry-potter-plano-critico-passatempos-perigososAo longo dos anos, eu estive no time dos fãs que sempre clamaram para que J.K. Rowling voltasse a Hogwarts, mas para falar de outros tempos, outros bruxos, outras sagas. Sempre concordei com ela, quando disse que a história de Harry e sua turma estava encerrada, mas ela poderia voltar a falar de outras turmas e de bruxos mais para frente.

Este livro é um pequeno vislumbre do que esse novo olhar pode trazer. A escolha dos professores aqui trabalhados foi ótima (bem… exceto Kettleburn, com quem ninguém se importa, convenhamos) e não há dúvidas de que se a autora sentasse para escrever contos mais encorpados — duvido que ela volte a escrever um romance sobre esse Universo, mas adoraria estar errado sobre isso –, certamente teríamos um material sensacional em mãos. Essa coletânea despreocupada e com ares de enciclopédia é uma pequena e charmosa prova disso.

Histórias de Hogwarts: Proezas, Percalços e Passatempos Perigosos (Short Stories from Hogwarts of Heroism, Hardship and Dangerous Hobbies) — Reino Unido, 6 de setembro de 2016
Autora: J.K. Rowling
Editora: Pottermore (originalmente disponível apenas em formato eletrônico).
68 páginas


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LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.