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Crítica | Ho-Ho-Límpicos – A Série Completa

por Iann Jeliel
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“Olá meus queridos fãs do esporte, esse é o encontro dos astros, o encontro que todos esperávamos, do Hó-Hó Límpicos…”

Leia, aqui, as críticas de todo nosso material de Scooby-Doo. Crítica a seguir com SPOILERS.

Inspirada pelos Jogos Olímpicos de Montreal, de 1976, a Hanna-Barbera decidiu propor seu primeiro grande crossover de seus desenhos animados, emulando as olimpíadas tradicionais em uma competição esportiva entre boa parte de seus personagens. Scooby-Doo, dentre eles, seria o de maior sucesso e, portanto, a vitrine para uma dupla de curtas que se passariam entre os episódios da segunda e terceira temporadas de O Show de Scooby-Doo na sua primeira exibição tradicional, formando um episódio completo. Assim, o show está incluso na linha cronológica oficial das séries do Scooby-Doo, apesar de não conter nenhuma das suas características tradicionais e ter participações bem moderadas da dupla principal (Salsicha e Scooby) no quesito falas ou mesmo provas em que são protagonistas.

Isso não chega a ser um problema, já que evidencia que os criadores estavam interessados em distribuir democraticamente o tempo e participação de cada um em tela, pelo menos em teoria numérica. Na prática, essa vitrine maior limitou o formato episódico a um mesmo resultado, que se torna cansativo com o passar dos episódios. Lógico, a dimensão do divertimento está muito mais em ver aquelas figuras icônicas interagindo entre si de modo competitivo, utilizando suas características para tentar vencer categoricamente o outro, mas o direcionamento “puxa-saco” daqueles com mais destaque deixava a base do entretenimento (qual das equipes vai vencer?) frágil e desequilibrada. Vamos especificar mais esses pontos expondo a estrutura do seriado, as regras prévias do jogo e seus participantes.

A divisão de equipes ficava da seguinte forma (já pensando ordem de destaque):

1) Os Assombrados (Scooby Doobies) – Equipe de Scooby-Doo

  • Scooby-Doo, Salsicha e Scooby-Dão (Desenho: Scooby-Doo)
  • Capitão Caverna e As Panterinhas: Brenda, Dee Dee, e Taffy (Desenho: Capitão Caverna)
  • Bionicão e Falcão Azul (Desenho: Dinamite, o Bionicão)
  • Speed Buggy e Tinker (Desenho: Speed Buggy)
  • Hong Kong Fu (Desenho: Hong Kong Fu)
  • Babu (Desenho: Jeannie é um Gênio)

2) Os Abelhudos (Yogi Yahooeys) – Equipe de Zé Colmeia

  • Zé Colmeia, Catatau e Cindy (Desenho: Zé Colmeia)
  • Dom Pixote (Desenho: Dom Pixote)
  • Pepe Legal (Desenho: Pepe Legal)
  • Olho-Vivo e Faro Fino (Desenho: Olho-Vivo e Faro Fino)
  • Bibo Pai e Bóbi Filho (Desenho: Bibo Pai e Bóbi Filho)
  • Wally Gator (Desenho: Wally Gator)
  • João Grandão (Desenho: João Grandão)
  • Pato Doodle (Desenho: O Pato Doodle / Tom & Jerry)

3) Os Rabugentos (Really Rottens) – Equipe de Muttley

  • Dick Vigarista e Muttley (Desenho: Corrida Maluca)
  • Os Irmãos Dalton (Desenho: Pepe Legal)
  • Daisy Confusão (não tinha desenho, caipira baseada na tirinha Li’l Abner)
  • Mandrake, o mágico e o seu Coelho (Personagem adaptado dos quadrinhos de Lee Falk)
  • The Creepleys (inspirados nos vizinhos de Os Flintstones, baseados na Família Monstro)
  • Orful Octopus (versão má da Lula Lelé)

Cada episódio completo (os dois curtas juntos) passariam em dois locais diferentes do mundo ou fora dele, pensando obviamente em cobrir um território internacional para se vender bem nos EUA – algo que deu muito certo aqui no Brasil, até meados de 2003 a série era reprisada sempre em época de Olimpíadas nos canais da Cartoon Network e Boomerang. Em cada curta, ocorriam duas ou três provas, totalizando quatro a seis provas por episódio, variando normalmente entre diferentes corridas, mas com algumas modalidades baseadas em esportes reais também. O ranking de pontuados geralmente era classificado em: 25 pontos para o primeiro colocado, 15 para o segundo e 10 para o terceiro – oferecendo descontos ou acréscimos consideráveis a depender das trapaças dos rabugentos, “dificuldade das provas” ou qualidade da vitória. Infelizmente, a soma de pontuações valia apenas para aquele capítulo específico e não era acumulada ao longo dos episódios para um grande campeão ao final da série.

Diante de todas essas informações, voltemos ao ponto de limitação do seriado. Primeiro, referente à competição finita no episódio, algo compreensível, afinal essa dimensão de universos coexistindo ou séries com progressão planejada, especialmente em desenhos animados, não existia na época. Mesmo assim, dentro de uma ideia adaptada de um evento fechado e de que existe uma noção dentro da série de quem estava acumulando mais vitórias e derrotas, era completamente possível inserir um processo contínuo que até estimularia mais seu público infantil a aprender matemática básica. Segundo que as regras do universo são bem vagas ou apresentadas no momento da prova, evitando de fato um possível aspecto contínuo. Isso leva o episódio a facilmente direcionar o placar para quem está mais interessado, não dando o benefício da mágica da competitividade de que qualquer um pode ganhar ali.

Aí entra o terceiro ponto referente ao maniqueísmo e protagonismo de vitrine. Juntando os resultados gerais de todos os 24 episódios, os Assombrados carregam 14 vitórias, os Abelhudos 7 e os Rabugentos apenas 2, com 1 empate triplo no último episódio. Ou seja, percebam que principalmente ao observar a tabela de personagens, proporcionalmente a equipe que tinha os nomes mais conhecidos ganhava mais, o dobro da que também tinha vários outros conhecidos, mas sem o mesmo peso, ou pelo menos, não um nome que carregava o título do desenho para frente. E os rabugentos como “os vilões” carregavam esse espírito de trapaça nos jogos e dentro da didática temática do desenho não podiam ganhar, pois de alguma forma poderiam passar a impressão de que a desonestidade compensa, tanto que ganham em dois episódios sem burlar as regras, além de que apenas dois deles tinham um desenho próprio, e eram nomes de peso, Dick Vigarista e Muttley, o que desfavorecia ainda mais um desequilíbrio no jogo.

Se fosse pensada em aspecto contínuo, seria legal a série colocar os rabugentos sempre na frente para fornecer um espírito de torcida maior para os times de heróis alcançá-los e ganharem no final. Assim, a ideia da justiça prevalecer iria ser seguida, e a série seria mais divertida por acirrar mais a competição. Enfim, isso seria cobrar demais até de um desenho que já passou dos 40 anos de idade, mas fato é que infelizmente, apesar do peso dos nomes envolvidos pela nostalgia, ele não envelheceu bem e muito provavelmente não funcionaria para os olhares infantis de hoje – falo isso com um alto espírito saudosista dentro de mim quando se trata de animações seriadas. Fora que, olhando hoje, a falta de Os Jetsons, Os Flintstones, dentre outros nomes de peso da empresa renegados a participações especiais e às vezes nem isso, diminui também o peso e tamanho do crossover que foi um dia. Independentemente disso, a porta aberta com ela carrega uma importância imensurável que merece ser respeitada, sem Hanna-Barbera, talvez nunca teríamos uma cultura de crossovers tão forte nas animações, e isso é o maior legado que os Hó-Hó Límpicos trouxeram.

OBS: Há um episódio especial (dois curtas) de revival feito em 2002 intitulado Acapulco/England, que não foi considerado na análise e vai aparecer em crítica compilada de episódios especiais do Scooby-Doo no futuro.

Ho-Ho-Límpicos (Scooby’s All Star Laff-A-Lympics / EUA, 1977-1978)
Criadores:
William Hanna, Joseph Barbera
Principais Diretores: Charles A. Nichols, Ray Patterson, Carl Urbano
Principais Roteiristas: Neal Barbera, Tom Dagenais (fora os dois citados, foram mais 19 roteiristas diferentes ao longo da série)
Elenco (Dublagem Original): Casey Kasem, Don Messick, Frank Welker, Julie McWhirter, Gary Owens, Laurel Page, John Stephenson, Vernee Watson, Marilyn Schreffler, Alan Reed, Julie Bennett, Joe Besser, Mel Blanc, Daws Butler, Scatman Crothers, Bob Holt
Duração: duas temporadas, 24 episódios (16 na primeira temporada, 8 na segunda), 23 minutos cada episódio.

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