Crítica | Hogwarts: Um Guia Imperfeito e Impreciso, de J. K. Rowling

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estrelas 3

Mesmo sem nenhum texto inédito, apenas com material previamente publicado no Pottermore, além de um poema escrito para Harry Potter e a Câmara Secreta, porém, não utilizado naquele livro, Hogwarts: Um Guia Imperfeito e Impreciso tem sua graça e traz muitas informações importantes para o leitor sobre o o castelo (óbvio!), as Casas, o Chapéu Seletor, a Plataforma 9 3/4 (eu não consigo esconder o meu extremo descontentamento com a tradução brasileira para “Plataforma Nove e Meia” — a fração “três quartos” é mais mágica, enigmática…), as principais matérias estudadas, os fantasmas residentes no castelo e alguns outros segredos.

O formato aqui é muito parecido com o de Proezas, Percalços e Passatempos Perigosos, porém, mais caracterizado pelo lado enciclopédico, trabalhado à medida que complementa dados e acrescenta coisas não ditas no livros regulares da saga. Há também algumas observações feitas por J.K. ao fim de cada bloco ou capítulo, mas raramente são falas que trazem algo realmente marcante para nós, a esta altura do campeonato. O leitor certamente irá gostar mais da visita às terras de Hogwarts e da origem ou detalhes de certos objetos mágicos como a Pedra Filosofal, o Espelho de Ojesed, a Penseira, etc., do que do diálogo mantido pela autora ao longo dos capítulos. Aliás, esse tipo de diálogo funcionou muito melhor em Proezas

A impressão geral que nós temos durante a leitura é a de que faltou empenho da organizadora da ontologia para adicionar mais informações em cada uma das partes, especialmente no final. Minha reclamação é a mesma feita para o livro dos percalços: no começo há um grande número de fatos em jogo; mas no final, apenas uma passada rápida pelo tema da vez. Neste ponto, também entra a preguiça de J.K. Rowling, que poderia muito bem fazer observações mais extensas, pois sabe-se lá em quanto tempo teremos um outro livro falando sobre o espaço geográfico da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Mesmo que em uma visão geral, o livro seja bom e seu conteúdo nos traga boas curiosidades, o “fato caça-níquel” não é disfarçado de jeito nenhum.

Do que temos como novidades, destaco as influências que J.K. teve para pensar e estruturar certas passagens da série original de Harry Potter. Como fã da saga e também pelo fato de ser historiador, tenho um interesse especial por origens, por escolhas de cronologia e bases narrativas, genealogias, etc. Em alguns momentos deste Guia Imperfeito e Impreciso eu pude perceber o quão legal é essa fonte do “lado de lá da cortina” e a sensação melhora ainda mais quando aliada a momentos ou personagens famosos do mundo bruxo ou mesmo da nossa História.

Menos interessante que Proezas, Percalços e Passatempos Perigosos, mas ainda mantendo acima da média a proposta de mostrar um pouco mais dos bastidores desse Universo de magia, Hogwarts: Um Guia Imperfeito e Impreciso consegue prender o leitor e satisfazê-lo, embora não totalmente. O livro é curto, de leitura fácil e rápida, e contém piadinhas, referências às Relíquias da Morte, Azkaban e outros momentos importantes para qualquer Potterhead. Para dizer a verdade, não é uma obra indispensável, mas ela certamente trará recompensas para quem se aventurar por suas páginas. No fim, vale a pena.

Hogwarts: Um Guia Imperfeito e Impreciso (Hogwarts: An Incomplete and Unreliable Guide) — Reino Unido, 6 de setembro de 2016
Autora: J.K. Rowling
Editora: Pottermore (originalmente disponível apenas em formato eletrônico).
79 páginas


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LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.