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Crítica | Holocausto Canibal (1980)

por Fernando Annunziata
386 views (a partir de agosto de 2020)

Proibido em mais de 50 países, Holocausto Canibal se tornou um clássico do terror. Por mais que seja recheado de erros cinematográficos, sobretudo na tentativa falha de surpreender no desfecho, a obra prende o espectador do início ao fim por não demonstrar vontade em censurar a brutalidade de uma tribo canibal. O longa acompanha um grupo de jovens que partem para a Floresta Amazônica em busca de uma tribo canibal para serem protagonistas de um documentário.

A obra contém inúmeras cenas que para a história principal, são completamente inúteis, a exemplo do assassinato lento e sem motivo de uma tartaruga (detalhe que o animal era real, nada cinematográfico). No entanto, se analisarmos a ideia inicial, esse fator pode ser perdoável. Parece que os roteiristas não quiseram chocar com um roteiro bem estruturado, principalmente porque é uma narrativa rasa e sem grandes aprofundamentos, porém utilizam dos elementos visuais para tornar a história complexa. Deste modo, o espectador fica preso à forma em que a história é ilustrada: repleta de sangue, estupro e assassinato e, claro, sem omitir nada. Com essa visão, seria muito mais benéfico para os roteiristas pensarem em sequências que foquem em momentos visualmente chocantes, mesmo que deixe de lado a consistência ou a coerência de um roteiro bem escrito. É claro que um ótimo projeto é o produto de um eficiente roteiro, porém estamos diante de uma produção diferente. Aqui, o principal não é a história e sim o que nossos olhos veem. Dessa forma, o problema exposto é amenizado.

Infelizmente, há um momento que essa desculpa não funciona. O desfecho dos jovens é completamente roteirizado e, se comparado ao restante do longa, se torna forçado. Ora, se a todo momento o documentário quis parecer o mais “vida real” possível, qual o sentido de introduzir um final plot twist? Não seria melhor  manter o que a ideia inicial quis trazer e encerrar de forma repentina, ou seja, sem conter artifícios que tornem a narrativa interessante por parte do roteiro?

Outro fator preocupante está na direção. Claro que Ruggero Deodato tem seu mérito na construção de um documentário “snuff” (é impossível não pensar que os assassinatos presentes no filme de fato foram reais, principalmente pelo ano de lançamento do mesmo), porém peca em movimentos de câmera que bagunçam o que está acontecendo. Isso não significa que Deodato tenta omitir o que está ocorrendo, mas sim que grande parte do filme é, visualmente, de difícil entendimento. Claro que por ser do gênero Found Footage (filmado com uma única câmera, normalmente na mão dos próprios personagens) esse efeito é impossível de não se apresentar. Entretanto, o excesso dele é um erro, pois passa a perturbar a intenção central do filme – que, aqui, é o exagero de acontecimentos brutais. Entretanto, o ano em que Holocausto Canibal foi lançado, as limitações do ambiente em torno (falta de um estúdio, por exemplo) e a presença de personagens não roteirizados, como os índios, servem como ‘desculpa’ para o problema exposto.

Por outro lado, não tem como negar que Holocausto Canibal é um marco do gênero, até porque inspirou outros clássicos, como A Bruxa de Blair. Os efeitos visuais são tão bem construídos que realmente parecem assassinatos reais, algo um tanto quanto difícil para a época. Sobretudo, o longa mostra que o cinema pode ter um lado que não se preocupa com a sanidade do espectador, e aproveita da realidade nua e crua como gancho principal para uma obra cativante. Apesar dos erros no roteiro e na exibição das imagens, o longa consegue deixar sua mensagem principal: a brutalidade do ser humano é uma ótima pauta.

Holocausto Canibal (Cannibal Holocaust) – Itália, 1980
Direção: Ruggero Deodato
Roteiro: Gianfranco Clerici, Giorgio Stegani
Elenco: Robert Kerman, Francesca Ciardi, Perry Pirkanen, Luca Barbareschi, Salvatore Basile, Ricardo Fuentes, Carl Gabriel Yorke, Paolo Paolini, Lionello Pio Di Savoia, Claudia Rocchi
Duração: 95 minutos.

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13 comentários

Leone 24 de fevereiro de 2020 - 06:15

Não é a primeira crítica que eu leio sobre o filme, por isso, de tudo que eu li escrito, eu fiquei mais curioso em saber sobre a verdade de Bohemian Rhapsody. Conta, Fernando. 👏🏽

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Carlos Faria 5 de fevereiro de 2020 - 19:45

Acabei assistindo a poucos anos diretamente via Youtube com ótima qualidade rsrsrs. Acho o filme magnífico, ainda mais comparado com a tosqueira de seus imitadores e filmes do período dessa vertente na Itália. O começo parece que vai ser estereotipado (ainda mais para nós brasileiros), mas o filme tem uma direção segura, usa a trilha (que só tem duas músicas) de forma magistral e com efeitos práticos inacreditáveis.

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Ordinário 5 de fevereiro de 2020 - 07:26

Achei muito desagradável algumas cenas, principalmente a do estupro da índia, se esse era o objetivo do diretor pode se dizer que ele alcançou.

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Fernando Annunziata 5 de fevereiro de 2020 - 13:19

Ah, com certeza era o objetivo né. Se não ele faria algo mais leve do tipo Dora a Aventureira – Especial Amazônia

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Diego Borges 4 de fevereiro de 2020 - 21:22

Tô bem de boa sobre ver esse filme. Passo.

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Fernando Annunziata 5 de fevereiro de 2020 - 13:19

Como assim você não quer ver corpos mutilados, penis cortados, pessoas comendo carne de humanos ainda vivos, índios empalados? Você é estranho… (mensagem pro policial que acompanha minha vida: eu estou brincando, não tenho princípios psicopatas)

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JC 4 de fevereiro de 2020 - 14:39

Eu vi esse filme tanto tempo atrás….nem lembro mais direito, mas lembro que não gostei, rs

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Cartman da China 4 de fevereiro de 2020 - 14:17

nunca vi, nunca verei. Não sou vegano, nem da trupe da Luisa Mel, mas mata bicho só pra fazer filme é uma puta de um sacanagem, essa peça nunca terá minha audiência porque eu não compactuo com a falta de caráter de seus realizadores.

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Ricardo Faustino da Silva 4 de fevereiro de 2020 - 19:31

Esse filme é nojento.

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Fernando Annunziata 5 de fevereiro de 2020 - 13:10

Também achei mega desnecessário. Se esse filme fosse lançado agora, seria cancelado na HORA. Mas 1980 era outros tempos né, isso ainda era aceito…

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Cartman da China 5 de fevereiro de 2020 - 13:27

Se fosse na época medieval eu entendo ser aceito, mas 1980 é bizarro isso ser de boa, povo estranho.

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Fernando Annunziata 5 de fevereiro de 2020 - 14:48

Depois eles deram a tartaruga pros índios comerem, eles tem essa dieta. Porém, com certeza não devem torturar o animal igual aparece no filme né?

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Cartman da China 5 de fevereiro de 2020 - 20:39

Com certeza, foi sadismo do diretor.

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