Crítica | Homeland – 8X05: Chalk Two Down

  • Há spoilers. Leia, aqui, as críticas das demais temporadas.

Encerrando a “dobradinha” de episódios que lida com a visita do presidente americano à Cabul para anunciar a paz com o Talibã, Chalk Two Down não perde tem em revelar o pior: Warner não sobreviveu à queda da aeronave. Obviamente que, com isso, desmoronam as conversas e tudo aquilo que Saul Berenson construiu ao longo dos anos.

E o mais interessante é notar que não estamos nem mesmo na metade da temporada final de Homeland. Há muito ainda por vir e, por mais que muito já tenha ocorrido, fica aquela sensação boa de que tudo o que vimos até agora foi uma complexa armação de um tabuleiro para o mergulho efetivo na história. O que acontecerá, já não faço mais apostas. Tinha certeza de que Warner sobreviveria e que a procura pelo presidente ocuparia uma parte substancial da segunda metade da temporada, mas, com ele morto, o jogo muda completamente, com o inseguro vice-presidente Benjamin Hayes recebendo as chaves do reino e não sabendo o que fazer com elas.

Se o futuro parece ser imprevisível, o episódio em si foi, assim como Chalk One Up, um primor de tensão em três frentes. A mais direta é o batalhão de soldados americanos, aí incluindo Max, correndo para o local do acidente para determinar o destino do presidente. A ação é simples, mas muito eficiente na forma como a batalha contra os talibãs vai acontecendo, com uma progressão lenta que leva a uma guerra franca. Muita gente pode virar o nariz para o aparentemente mínimo contingente acompanhando o helicóptero do presidente, mas não só isso faz parte da história sendo contada – se ele fosse acompanhado de mais helicópteros haveria uma guerra completa ali e não era esse o objetivo – como pode ser explicado (ou aceito, ainda que com uma certa dificuldade), pela natureza inicialmente secreta da própria presença de Warner ali.

Além disso, no segundo fronte narrativo, no QG da CIA em Cabul em comunicação com a Casa Branca, vemos a completa confusão mental em que todos se encontram, talvez com exceção de David Wellington, que se mantém frio o tempo todo. Digo isso pois a decisão (ao meu ver acertada) de bombardear o local para evitar que o corpo do presidente fosse capturado pelos talibãs não só revela a insegurança do vice-presidente, como também deixa Saul incapaz de se mexer, de efetivamente raciocinar. Cabe à Carrie, mantendo a cabeça fria, pedir para que Max recupere a caixa preta do helicóptero para que as circunstâncias ao redor do acidente possam ser esclarecidas, o que leva, por sua vez, à amplificação da tensão nas sequências dos soldados tentando sair do local e deixando o especialista literalmente sozinho ao final.

O terceiro fronte é a própria Carrie em sua investigação corrida sobre o que aconteceu que a leva a desconfiar de um técnico militar que haveria trocado o helicóptero do presidente. Novamente, o roteiro joga de maneira inesperada, alimentando-nos com uma linha narrativa padrão – um traidor americano! – que logo revelar ser outra coisa completamente diferente que leva à conclusão, ainda não confirmada, de que a queda do helicóptero talvez tenha sido isso mesmo, apenas uma queda, um acidente comum. Seja qual for a verdade, a questão é que, agora, G’ulom, o vice-presidente afegão que se torna o presidente, manipula os acontecimentos para esquentar sua luta contra Haissam Haqqani, afastando ainda mais as chances de paz.

Tudo acontece muito rapidamente no episódio, que tem uma montagem extremamente eficiente, quase frenética, que mantém o espectador tão desnorteado quanto os personagens que vemos na telinha. Há até mesmo um uso mais presente de câmera na mão para amplificar essa sensação ruim de que ninguém sabe de verdade o que está fazendo e que nos coloca mais diretamente no meio da pancadaria seja como mais um soldado tendo que se defender dos talibãs ou mais um analista vendo boquiaberto os eventos se desenrolarem.

Depois de dois episódios que mudam o jogo completamente, os showrunners Howard Gordon e Alex Gansa têm a missão de rearrumar o tabuleiro narrativo no próximo episódio, que marca a metade da temporada, para que, então, a história possa progredir em uma direção que é difícil de prever dado os acontecimentos. O importante é que o papel de Carrie não se perca em meio as acontecimentos macro, voltando para a fascinante linha narrativa sobre seu cativeiro na Rússia que a transforma em uma nova versão de Brody.

Homeland – 8X05: Chalk Two Down (EUA, 08 de março de 2020)
Showrunner:
 Howard Gordon, Alex Gansa (baseada em série criada por Gideon Raff)
Direção: Alex Graves
Roteiro: Patrick Harbinson, Chip Johannessen
Elenco: Claire Danes, Mandy Patinkin, Maury Sterling, Linus Roache, Costa Ronin, Numan Acar, Nimrat Kaur, Beau Bridges, Sam Trammell, Hugh Dancy, Mohammad Bakri, David Hunt, Cliff Chamberlain, Andrea Deck, Sitara Attaie, Elham Ehsas
Duração: 47 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.