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Crítica | Homeland – 8X06: Two Minutes

por Ritter Fan
17 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leia, aqui, as críticas das demais temporadas.

Não sei quantas vezes, em apenas seis episódios, Carrie engrupiu Jenna de todas as formas possíveis a ponto de eu não saber exatamente se eu fico com pena ou com raiva da agente mais incompetente da CIA. Bastou dar uma missão para a sujeita que é garantia que ela não será cumprida.

Por outro lado, Two Minutes, episódio que marca a metade da temporada final de Homeland, cumpre sua missão de fazer a transição entre a complexa armação de tabuleiro que culminou com a morte do presidente Warner e a captura de Max que, por sua vez, carrega a caixa preta do helicóptero e o que está por vir. É muito interessante ver a amplificação da conexão de Carrie com Yevgeny Gromov, até porque eu tinha receio que a jogo de sombras em cima da lealdade da agente bipolar, tema principal da temporada que retorna à base da Trilogia Brody, fosse abafado. Muito ao contrário, o episódio recrudesce esse aspecto, mais uma vez colocando Carrie na mira de Mike e Jenna e, pior ainda, do próprio Saul Berenson, que se sente traído.

A tensa sequência que batiza o episódio é simples, mas muito bem construída, ao mesmo tempo mantendo-nos no escuro sobre as intenções de Yevgeny e sobre a possível manipulação de Carrie por ele, culminando na mais do que esperada segunda fuga dela que, obviamente, não tinha a menor chance de entrar no avião (vai ser muito divertido quando Jenna descobrir que mais uma vez foi ludibriada…). Gosto muito também da forma como Costa RoninClaire Danes conseguem formar uma dupla hesitante que esbanja química e conexão em tela, ele com aquele jeito cínico, mas estranhamente sincero que marca Yevgeny e ela com a fúria cheia de hesitação que marca Carrie.

Do outro lado do oceano, o facilmente manipulável presidente Benjamin Hayes – algo que já havia ficado bem claro na relação dele com David Wellington logo depois da morte de Warner – tem um momento daqueles que realmente deu vontade enfiar a cabeça em algum buraco de tanta vergonha alheia quando ele cai no papinho do espertíssimo presidente afegão Abdul Qadir G’ulom (pouco falei de Mohammad Bakri, mas ele está sensacionalmente vilanesco aqui – poderia ser fácil um baita inimigo de James Bond!) para desespero completo de seu chefe de gabinete e de Saul Berenson. Tudo está armado para que a tão almejada paz termine de ruir com uma provável maior presença militar americana no Afeganistão, tudo que G’ulom sempre quis.

Meu único receio, porém, é que a segunda metade da temporada cozinhe essa escalação da guerra em fogo baixo de forma que muito lentamente os episódios sejam ocupados com tudo o que for necessário para que o resgate de Max e a busca pela caixa preta aconteçam, com uma revelação canhestra de que, como Carrie desconfia, o helicóptero do presidente Warner não foi derrubado e sim caiu em razão de um problema mecânico, absolvendo o talibã e colocando a opinião pública contra G’ulom e Hayes ainda a tempo de um final, digamos, mais esperançoso. Mas isso é só algo que me passou pela cabeça enquanto os créditos finais do episódio rolavam, já que, mesmo quando Homeland erra – ou seja, na 4ª temporada – a não série não deixa de ser desafiadora e jamais subestima o espectador. Howard Gordon e Alex Gansa, aliás, tiveram um bom tempo para imaginar um fim digno a esses oito anos de aventuras de Carrie para eles seguirem esse caminho tão pouco imaginativo.

Portanto, ainda que a busca pela caixa preta certamente tenha sua importância, as maquinações políticas americanas, afegãs, paquistanesas e do talibã precisam estar competindo pela atenção do espectador, ali muito perto do já mencionado tema central – e bem pessoal – da temporada. Com Carrie agindo completamente fora da lei e, ainda por cima, em conluio com um espião russo, Homeland tem tudo para ter seis explosivos episódios pela frente, com ótimas chances de Jenna ser enganada mais uma meia dúzia de vezes para tornar tudo ainda melhor.

Homeland – 8X06: Two Minutes (EUA, 15 de março de 2020)
Showrunner:
 Howard Gordon, Alex Gansa (baseada em série criada por Gideon Raff)
Direção: Tucker Gates
Roteiro: Debora Cahn, Alex Gansa
Elenco: Claire Danes, Mandy Patinkin, Maury Sterling, Linus Roache, Costa Ronin, Numan Acar, Nimrat Kaur, Beau Bridges, Sam Trammell, Hugh Dancy, Mohammad Bakri, David Hunt, Cliff Chamberlain, Andrea Deck, Sitara Attaie, Elham Ehsas
Duração: 55 min.

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