Crítica | Homem Animal: A Extinção é Eterna e Animal vs. Homem

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Já havia ficado claro em A Caçada que as forças do Vermelho (representadas pelo avatar do Homem Animal e de sua filha Maxine, a Asa Pequena), do Verde (nos bastidores, representadas pelo Monstro do Pântano) e do Podre (cujo avatar da vez é Anton Arcane) entrariam em guerra. Neste arco-umbrella denominado Animal vs. Homem (mas que é subdividido em outro pequeno arco dentro dele, chamado A Extinção é Eterna) temos a sequência de fuga de Mary Frazier ao lado de sua filha Ellen Baker, do genro Buddy e dos netos Maxine e Cliff. Eles tentam escapar do Podre, mas logo se dão conta que é algo cada vez mais difícil de se fazer. O cerco se fecha e não existe muita alternativa a não ser Buddy entrar no campo de batalha. A arena começa a rugir.

Nesta segunda parte da saga do Homem Animal nos Novos 52, Jeff Lemire diminui um pouco a ação à toda prova e aborda a questão da vida a partir de uma perspectiva mais “teórica”, certamente mais filosófica do que no primeiro arco. Aqui, do Pomar dos Ossos à excelente discussão dos membros do Parlamento da Carne para a criação de outro avatar do Vermelho — tema da edição #0, Red Birth, a melhor revista do arco –, vemos o autor posicionar a ação dos animais na Terra como parte de um interessante equilíbrio de forças de vida-e-morte, relação que tem permitido que o planeta prossiga mantendo a vida. Nessa equação, a flora, a fauna ou a degradação em dominação absoluta é algo ruim para o balanceamento da vida. Homens, bichos e plantas precisam dos três. O excesso é que é o problema.

Esse pensamento é parcialmente colocado como migalhas ao longo da história principal, dividida em dois cenários: um, com Buddy no Vermelho, em companhia do Pastor — que insiste em chamá-lo de Butter Baker, o que é hilário — e outro com os Frazier-Baker na estrada, encontrado rapidamente John Constantine, Zatanna e Madame Xanadu para um alerta que não se completa. Alguns leitores reclamaram intensamente dessa escolha de Lemire, dizendo que a coisa toda tem cara de “enrolação”, mas eu já penso diferente. É claro que em termos de interação plena entre as partes, essa dinâmica não funciona assim, de modo tão fluído o tempo todo. Existem tropeços, evidentemente, e eles se concentram na interação às vezes pouco marcante entre esses blocos e, principalmente, no Annual #1: Endless Rot, que apesar de ter uma bela arte de Timothy Green II e alegre aplicação de cores quentes e saturadas por Lovern Kindzierski, de pouco serve para o andamento da aventura. Mas notem que no bojo do arco principal o autor não enrola o público, por exemplo, colocando a família Baker apenas como aparição vazia. Há sim uma verdadeira importância deles nessa camada do enredo, até porque Maxine está ali, sendo protegida pelo Sr. Meia (Socks) o gato-avatar em missão nobre na Terra, pelo visto fazendo muito mais do que fez durante o seu período como representante do Vermelho.

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Buddy em seus primeiros anos e Maxine ouvindo a história de um Homem Animal.

A forma como os Alfaiates Reais aparecem nessa edição (os aliens de cabeção amarelo que conhecemos desde Strange Adventures #180, de 1965, na origem do Homem Animal) traz um bom senso de ligação entre este momento e o passado do personagem, contando também com o cameo das revistas do Punidor (lá de O Senhor dos Lobos) e de uma forma mais pura e verdadeiramente animalesca de Buddy representando os seus poderes, inclusive como transformação física, como vimos em Carne e Sangue, exatamente com o mesmo contexto que Lemire explora aqui. Essas piscadelas dão um charme maior à história, fazendo dela algo mais inteiriço dentro do cânone do Homem Animal, ao mesmo tempo que dá uma explicação possível para os aliens amarelos, algo que me agradou muitíssimo. Em A Caçada, apesar de entender e gostar da aclamação de Maxine como o verdadeiro avatar, sendo Buddy apenas um emissário temporário para a filha, eu sentia que faltava algo que enlaçasse organicamente essa ideia. Pois bem, isso aconteceu aqui, e de modo muito bem pensado pelo roteirista.

Através de uma arte e finalização que respeitam a proposta do roteiro ao mostrar o avanço do Podre sobre o Vermelho e o Verde, além de uma aplaudível coloração, com criação de atmosferas muito bem pensadas para cada contexto dramático (além do uso precioso da cor vermelha), as histórias de A Extinção é Eterna e Animal vs. Homem pavimentam muito bem o caminho para a guerra que está por vir. Uma preparação intensa e fortemente reflexiva para uma guerra que, se bem entendemos, segue hoje em andamento, com a ação do homem em larga destruição das camadas de vida do planeta onde vive. Pena que no nosso caso, o socorro só pode vir de nós mesmos, e em nível mundial. Imaginem só.

Animal Man Vol.2 #7 a 11 + Edição #0 + Annual #1 (EUA, 2012)
No Brasil:
Panini Comics (Dark, 2013)
Roteiro: Jeff Lemire
Arte: Steve Pugh, Travel Foreman, Alberto Ponticelli, Timothy Green II
Arte-final: Steve Pugh, Jeff Huet, Wayne Faucher, Joseph Silver
Cores: Lovern Kindzierski
Letras: Jared K. Fletcher
Capas: Travel Foreman, Lovern Kindzierski, Steve Pugh
Editoria: Joey Cavalieri, Kate Durré
24 páginas (cada edição)

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.