Crítica | Homem Animal: Origem e Primeiras Aventuras

estrelas 2

Que. Coisa. Chata! Antes de me aventurar pelos primórdios do Homem Animal, sua história de origem e primeiras aventuras, eu já tinha sido prevenido por alguns amigos de que o que eu ia encontrar era algo bem diferente daquilo a que estava acostumado do personagem nos Novos 52, fase onde eu conheci o personagem. E… bem, os avisos tinham razão. Não digo isso pela diferença de abordagem para o herói devido a passagem do tempo e sua brilhante reformulação pelas mãos de Grant Morrison entre 1988 e 1990. Digo pela má qualidade das histórias, que exibem o que de mais conservador e mais chavão havia na década de 1960, tanto no relacionamento entre os personagens quanto nas ameaças contra as quais Bernhard “Buddy” Baker luta.

A chamada “Dave Wood Era” do Homem Animal, composta pelas 5 aventuras em que o personagem apareceu na revista Strange Adventures, foram escritas, claro, por Dave Wood, que criou o personagem juntamente com Carmine Infantino na edição #180 da revista. Na primeira história, temos a origem do “Homem Com Poderes de Animais”, que nos faz rir um pouco pela ironia de todo o contexto do enredo.

Na SA #180, Buddy Baker está caçando (isso mesmo!) e é atingido pela radiação de uma nave alienígena que o cega repentinamente e modifica sua estrutura celular. Alguns animais que estavam em treinamento em um circo próximo escapam e Buddy percebe que de alguma forma “absorve” as habilidades dos bichos quando se aproxima deles (na edição #201 fica estabelecido que a distância para isso acontecer é de mais ou menos 27,5 metros). Mas o texto de Dave Wood é tacanho, organizando o problema para o herói de forma atropelada e sem nenhum atrativo maior, dinâmica de eventos ou bons diálogos. A salvação acaba sendo, um pouco, a austera e realista arte de Carmine Infantino, com finalização de George Roussos, definitivamente a melhor coisa da edição.

plano critico dave wood era a-man com poderes de animais plano critico

No início, o protagonista não foi chamado de Homem Animal. A edição #180 o nomeia “The Man with Animal Powers” e seus primeiros poderes adquiridos são o seguinte: correr como um tigre, nadar como um leão marinho e ter a força de um gorila. Curioso é que há uma discrepância no roteiro, porque ele não assume o poder do elefante que enfrenta, mas lá pela edição #195 ele cita esse poder…

Na edição #190 aparece pela primeira vez o codinome A-Man e o herói ganha um uniforme, porque decide combater o crime e deixar o casamento de lado. O melhor amigo dele, Roger, é uma espécie de Alfred + Oráculo e o ajuda em tarefas “fora de campo”. Em todas as edições, a ação do Homem Animal é próxima do intragável e o melhor de todas as edições é sempre a arte que, mesmo assim, tem bem pouca coisa de especial ou que seja digna de aplausos. É um bom trabalho, mas não ultrapassa linhas de grandeza.

A versão do Homem Animal que aparece na Strange Adventures #201, com os óculos estilizados e o uniforme bem mais trabalhado (segunda pequena modificação estética e que caiu muito bem ao personagem, devo dizer) seria quase reconhecível na era Grant Morrison. De todas as edições, esta é a menos ruim, mas novamente, a arte é o setor que realmente ganha destaque. A despeito da premissa interessantíssima que deu ao A-Man (a ideia de uso de poderes de animais sempre foi algo que me interessou), Dave Wood não conseguiu criar uma boa saga introdutória para o seu próprio personagem. Ainda bem que este herói não seria esquecido pela História e teria um futuro animal (hehehehehe) pela frente, através do trabalho de outros escritores. Conhecer essas edições, no entanto, é de grande importância para quem quer mergulhar a fundo no personagem. Elas são as sementes que, no futuro, gerariam uma das mais icônicas obras-primas dos quadrinhos.

Homem Animal: Dave Wood Era (Strange Adventures Volume 1 #180, 184, 190, 195 e 201) – EUA, 1965 – 1967
Roteiro: Dave Wood
Arte: Carmine Infantino (#180, 201), Gil Kane (#184), Jack Sparling (#190), Nick Cardy (#195)
Arte-final: George Roussos (#180, 201), Gil Kane (184), Jack Sparling (#190), Jack Sparling (#195)
Letras: Stan Starkman
Capas: Carmine Infantino, Gil Kane, Murphy Anderson
Editoria: Jack Schiff
Data original de publicação: setembro de 1965 a junho de 1967
20 páginas (cada número relacionado ao Homem Animal)

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.