Home QuadrinhosArco Crítica | Homem Animal: Réquiem Para uma Ave de Rapina

Crítica | Homem Animal: Réquiem Para uma Ave de Rapina

por Luiz Santiago
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Buddy Baker se consagra como o “fantoche com o qual todos querem brincar” nessa nova fase da revista Homem Animal, escrita por Tom Veitch. Depois de ser retirado do limbo dos quadrinhos e ser revirado pelo avesso por Grant Morrison, e após uma enlouquecida temporada na Terra Vinte e Sete, por Peter Milligan, em Nascido Para Ser Selvagem, o Homem Animal volta a ter problemas no uso de seus poderes. E um novo elemento metalinguístico é criado, o personagem Pedra (Stone), um nativo-americano que cria pequenas esculturas de pessoas (para nós, personagens) a fim de manipulá-las. Até uma representação de Morrison em Deus Ex Machina aparece entre essas criaturas de pedra — pensem nas implicações disso, dentro desse Universo.

O roteiro de Veitch demora um pouco para engatar. No início da primeira edição, Sou Um Homem de Profundos Poderes Profanos, temos a introdução das esculturas e Pedra recitando um verso (ou um mantra, ou algo do tipo) que voltará a aparecer nas outras revistas, não exatamente com essas palavras, mas com variações facilmente identificáveis dentro disso:

À noite, a chuva cai… Na grande noite, meu coração sairá. Na noite se ouvirá o grito de um homem… O homem é meu filho. Vocês já tiveram a chance. Agora é minha vez.

Como o arco termina sem uma resposta definitiva sobre Pedra e sua relação com o Homem Animal; ou o que ele pretende fazer, muita coisa que deve ter grande importância para a narrativa central de toda a fase ainda são um mistério, mas fica claro que tanto o índio quanto o também recém-criado engenheiro-hippie Travis Cody têm relações com o campo morfogenético da natureza e estão chamando a atenção de Buddy. Até que ponto esse chamado é benéfico, só o arco seguinte, O Senhor dos Lobos (edições #38 a 44) poderá dizer.

homem-animal-plano-critico

Capa da edição #37: O Zoológico no Fim do Mundo.

Steve Dillon não perde a oportunidade de brincar com as variações de humor do protagonista e coloca bem a vida cotidiana do herói em oposição à sua saga de proteção aos animais e contra algumas instituições criminosas, algo que não aparece tanto no roteiro, é apenas brevemente comentado na reta final. A demonstração estética para o que Maxine — oficialmente marcada como herdeira dos poderes de Buddy, ou algo próximo disso — chama de “Homem Arco-íris” é muito boa, nos sugere uma força que manipula tempo, espaço e percepção humana, e que também se mostra ligada ao índio Pedra. E as cores de Tatjana Wood tornam essa representação ainda melhor.

Do meio para o final do volume, quando Buddy ganha autoconfiança e se sente cada vez mais livre em usar seus poderes, o texto começa a crescer e encontra o seu clímax no momento certo, no fechamento do arco. Veitch vai conseguindo criar no leitor uma sensação de que existe algo muito errado, a despeito do controle que o Homem Animal demonstra de si mesmo. O evento final, no zoológico de San Diego, é uma tragédia de proporções gigantes e tem um peso moral e ético tremendo para o herói. Não há como não arregalar o olho e esperar com ansiedade para ver as consequências desse acontecimento.

Inicialmente mais burocrático que os outros dois autores da Homem Animal Vol.1, Tom Veitch não perde de vista a metalinguagem da revista, não abandona o fator familiar ligado ao herói e apresenta uma ameaça quase muda, que aos poucos nos preocupa e em seguida se mostra realmente perigosa. O herói protetor dos animais sendo um verdadeiro perigo para os animais! Eis aí uma crise de identidade de poderes interessante, uma “luta consigo mesmo” que é uma novidade na revista, pelo modo como é abordada. O Homem Animal se torna o verdadeiro bicho, no sentido mais selvagem e quase irracional da palavra.

Crítica | Homem Animal: Réquiem Para uma Ave de Rapina (Requiem for a Bird of Prey) — EUA, março a julho de 1991
Roteiro: Tom Veitch
Arte: Steve Dillon
Arte-final: Mark Farmer (edições #33 a 35) / Steve Dillon (edições #36 e 37)
Cores: Tatjana Wood
Letras: John Costanza
Capas: Brian Bolland
Editoria: Art Young, Tom Peyer
24 páginas (cada edição)

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26 comentários

Leandro Silva 24 de novembro de 2016 - 14:25

Olha, vou falar que, pra quem estava acostumado com a qualidade impressa por Grant Morrison, confesso que esta fase está sendo um porre continuar e não tem melhorado, pelo contrário. A qualidade caiu demais – ouso falar que a fase dos Novos 52 é até superior a essa daqui.

Responder
Leandro Silva 24 de novembro de 2016 - 14:25

Olha, vou falar que, pra quem estava acostumado com a qualidade impressa por Grant Morrison, confesso que esta fase está sendo um porre continuar e não tem melhorado, pelo contrário. A qualidade caiu demais – ouso falar que a fase dos Novos 52 é até superior a essa daqui.

Responder
Luiz Santiago 24 de novembro de 2016 - 19:17

Eu posso comprovar do início da fase dos Novos 52. Ela é REALMENTE melhor. Eu estou lendo O Senhor dos Lobos agora. Está legal, mas não desperta aquele “tesão” que os bons quadrinhos nos despertam, sabe?

Responder
Luiz Santiago 24 de novembro de 2016 - 19:17

Eu posso comprovar do início da fase dos Novos 52. Ela é REALMENTE melhor. Eu estou lendo O Senhor dos Lobos agora. Está legal, mas não desperta aquele “tesão” que os bons quadrinhos nos despertam, sabe?

Responder
Saulo Henrique 22 de novembro de 2016 - 13:05

Me amarro nessas fases loucas do homem animal. . Ao que me parece. .hoje em dia ele é só mais um fantasiado né? Que pena..

Responder
Saulo Henrique 22 de novembro de 2016 - 13:05

Me amarro nessas fases loucas do homem animal. . Ao que me parece. .hoje em dia ele é só mais um fantasiado né? Que pena..

Responder
Luiz Santiago 22 de novembro de 2016 - 17:48

Eu não sei como terminou o run dele nos Novos 52, mas pelo que eu acompanhei no começo, cara, era muito bom. Não sei dizer como foi o desenvolvimento dessa fase depois do fim do primeiro arco…

Responder
Leandro Silva 24 de novembro de 2016 - 14:30

Se não acompanhou até o final, fica aqui minha dica! Rapaz, foi soberbo. Tirando o crossover com o Monstro do Pântano que foi chato pra caramba, o resto foi uma escalada só para cima. E tem mais, principalmente para quem é pai que nem eu, o fechamento foi magistral e eu guardo a revista com muito carinho em minha coleção e em meu coração – em 27 anos lendo quadrinhos, nunca havia chorado de emoção antes; dessa vez eu chorei.

Responder
Luiz Santiago 24 de novembro de 2016 - 19:19

Caramba! Fiquei ainda mais animado para pegar e reler o começo e seguir acompanhando essa fase!

Responder
Leandro Silva 25 de novembro de 2016 - 09:31

Rapaz, vai por mim: Homem Animal foi uma das melhores coisas que teve nos Novos 52, quiçá a melhor; e teve um fechamento digno. Cara, pra mim falar que eu, com meus 42 anos de idade, mais de 27 anos colecionador de quadrinhos, ter chorado por causa de uma história e de um personagem, então já é para se ficar atento. Tudo bem que gosto é gosto, mas pra quem gosta do personagem não tem como desgostar dessa fase, e ficou tudo muito respeitoso com as fases anteriores do herói, nada ficou contraditório!

Luiz Santiago 25 de novembro de 2016 - 11:03

Estou super no hype para pegar essa fase. Como disse, o começo dela super me impressionou, fico feliz em saber que o final segui pelo mesmo caminho. Vi que você não gostou do crossover com o Monstro do Pântano. Eu gosto muito do personagem e li também só o primeiro arco dele nos Novos 52 e gostei bastante. É ruim mesmo a reunião dos dois?

Leandro Silva 30 de novembro de 2016 - 08:58

Toda saga do MP nos Novos 52 é muito boa e vou te falar que melhora no final; porém, o crossover com o HA não foi bem sucedido em sua execução, ficou muito chata e cansativa, ficou arrastada e sem graça.

Leandro Silva 30 de novembro de 2016 - 08:58

Toda saga do MP nos Novos 52 é muito boa e vou te falar que melhora no final; porém, o crossover com o HA não foi bem sucedido em sua execução, ficou muito chata e cansativa, ficou arrastada e sem graça.

Luiz Santiago 25 de novembro de 2016 - 11:03

Estou super no hype para pegar essa fase. Como disse, o começo dela super me impressionou, fico feliz em saber que o final segui pelo mesmo caminho. Vi que você não gostou do crossover com o Monstro do Pântano. Eu gosto muito do personagem e li também só o primeiro arco dele nos Novos 52 e gostei bastante. É ruim mesmo a reunião dos dois?

Leandro Silva 25 de novembro de 2016 - 09:31

Rapaz, vai por mim: Homem Animal foi uma das melhores coisas que teve nos Novos 52, quiçá a melhor; e teve um fechamento digno. Cara, pra mim falar que eu, com meus 42 anos de idade, mais de 27 anos colecionador de quadrinhos, ter chorado por causa de uma história e de um personagem, então já é para se ficar atento. Tudo bem que gosto é gosto, mas pra quem gosta do personagem não tem como desgostar dessa fase, e ficou tudo muito respeitoso com as fases anteriores do herói, nada ficou contraditório!

Luiz Santiago 24 de novembro de 2016 - 19:19

Caramba! Fiquei ainda mais animado para pegar e reler o começo e seguir acompanhando essa fase!

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Leandro Silva 24 de novembro de 2016 - 14:30

Se não acompanhou até o final, fica aqui minha dica! Rapaz, foi soberbo. Tirando o crossover com o Monstro do Pântano que foi chato pra caramba, o resto foi uma escalada só para cima. E tem mais, principalmente para quem é pai que nem eu, o fechamento foi magistral e eu guardo a revista com muito carinho em minha coleção e em meu coração – em 27 anos lendo quadrinhos, nunca havia chorado de emoção antes; dessa vez eu chorei.

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Luiz Santiago 22 de novembro de 2016 - 17:48

Eu não sei como terminou o run dele nos Novos 52, mas pelo que eu acompanhei no começo, cara, era muito bom. Não sei dizer como foi o desenvolvimento dessa fase depois do fim do primeiro arco…

Responder
Leandro Silva 24 de novembro de 2016 - 14:35

Pena mesmo. Mas é assim, o personagem é bem fora da curva, é um personagem quase que puramente filosófico, e não faz sucesso no mercado geral, sempre sofre com baixas vendagens! Ainda mais que é um personagem pai de família, daí piora a situação; eu o acho um personagem fascinante, é o meu preferido dentro da linha dos heróis e sonho em ver um filme desse sujeito (e com direito à esposa, filho, filhinha, cunhado, sogra, gatinho e tudo mais! – não custa sonhar).

Responder
Luiz Santiago 24 de novembro de 2016 - 19:21

Se nós tivemos um filme de algo que era praticamente impossível de se imaginar no cinema, anos atrás, como Guardiões da Galáxia, eu acho que levar o Homem Animal para o cinema não deve ser assim tãooooooo “nunca”. O complicado é que poucos roteiristas devem pegar essa linha familiar e ligá-la com honestidade à vida do herói. Esse é o medo.

Responder
Leandro Silva 25 de novembro de 2016 - 09:28

Caro Luiz, entendo seu argumento, mas vc está esquecendo um pequenino detalhe… WARNER !!! Pra eles, heróis só funcionam com o Batman ou alguém ligado a ele como enfiar o Coringa num filme do Esquadrão Suicida! Nem a continuação do Superman escapou do morcego; MM agora está em alta, e conta com o seu teor de representatividade; outros personagens à ganhar algum “possível” filme é que estão diretamente vinculados à Liga da Justiça. Agora, Homem Animal só sairia do papel se o estúdio estivesse nadando em dinheiro e estivesse tendo o retorno esperado com seus filmes; mas, como o estúdio fez um favor para si mesmo de confiar tanta responsabilidade à um diretor que já se demonstrou ineficaz no passado (prova é que impuseram Geoff Johns no meio disso tudo para não desgringolar tudo de vez!) e já presenciamos a perda de confiança que o público teve contra os projetos da Warner (Esquadrão Suicida é um caso à parte nas bilheterias pois o Coringa sempre vende bem!), de maneira alguma um personagem TOTALMENTE desconhecido teria uma chance de vida pelo Estúdio! Guardiões e mais recentemente o Doc. Stranger só viram a luz do dia pois o estúdio da Marvel conseguiu um bom resultado com a maioria de seus filmes, conseguiu emplacar, agradar mais uniformemente o público (convenhamos que todos os filmes da DC são, pra se dizer o mínimo, de dividir opiniões) então eles se deram ao luxo de arriscarem com personagens mais obscuros.
Não, não sou otimista quanto à ideia do herói ir parar nas telonas, principalmente intacto com todas as suas características sem os acionistas e diretoria ficar botando o bedelho (possivelmente fariam um Buddy Baker adolescente, cheio de ginga e tentariam fazer sua versão de Homem-Aranha rsrsrs. Acho que é só um sonho nosso, não concorda?

Responder
Luiz Santiago 25 de novembro de 2016 - 11:00

Sim, esse aspecto é o que mais pesa. Concordo com você sobre a aposta e propostas da Warner. Existe, talvez, algum tipo de esperança, mas considerando o mercado e a força dos produtores ao guiar, muitas vezes para pior, a direção de um filme, acaba sendo mesmo um sonho. Imagine só a fase do Grant Morrison ou dos Novos 52, que parece que é tão boa quanto, nas telonas? hehehehe

Luiz Santiago 25 de novembro de 2016 - 11:00

Sim, esse aspecto é o que mais pesa. Concordo com você sobre a aposta e propostas da Warner. Existe, talvez, algum tipo de esperança, mas considerando o mercado e a força dos produtores ao guiar, muitas vezes para pior, a direção de um filme, acaba sendo mesmo um sonho. Imagine só a fase do Grant Morrison ou dos Novos 52, que parece que é tão boa quanto, nas telonas? hehehehe

Leandro Silva 25 de novembro de 2016 - 09:28

Caro Luiz, entendo seu argumento, mas vc está esquecendo um pequenino detalhe… WARNER !!! Pra eles, heróis só funcionam com o Batman ou alguém ligado a ele como enfiar o Coringa num filme do Esquadrão Suicida! Nem a continuação do Superman escapou do morcego; MM agora está em alta, e conta com o seu teor de representatividade; outros personagens à ganhar algum “possível” filme é que estão diretamente vinculados à Liga da Justiça. Agora, Homem Animal só sairia do papel se o estúdio estivesse nadando em dinheiro e estivesse tendo o retorno esperado com seus filmes; mas, como o estúdio fez um favor para si mesmo de confiar tanta responsabilidade à um diretor que já se demonstrou ineficaz no passado (prova é que impuseram Geoff Johns no meio disso tudo para não desgringolar tudo de vez!) e já presenciamos a perda de confiança que o público teve contra os projetos da Warner (Esquadrão Suicida é um caso à parte nas bilheterias pois o Coringa sempre vende bem!), de maneira alguma um personagem TOTALMENTE desconhecido teria uma chance de vida pelo Estúdio! Guardiões e mais recentemente o Doc. Stranger só viram a luz do dia pois o estúdio da Marvel conseguiu um bom resultado com a maioria de seus filmes, conseguiu emplacar, agradar mais uniformemente o público (convenhamos que todos os filmes da DC são, pra se dizer o mínimo, de dividir opiniões) então eles se deram ao luxo de arriscarem com personagens mais obscuros.
Não, não sou otimista quanto à ideia do herói ir parar nas telonas, principalmente intacto com todas as suas características sem os acionistas e diretoria ficar botando o bedelho (possivelmente fariam um Buddy Baker adolescente, cheio de ginga e tentariam fazer sua versão de Homem-Aranha rsrsrs. Acho que é só um sonho nosso, não concorda?

Responder
Luiz Santiago 24 de novembro de 2016 - 19:21

Se nós tivemos um filme de algo que era praticamente impossível de se imaginar no cinema, anos atrás, como Guardiões da Galáxia, eu acho que levar o Homem Animal para o cinema não deve ser assim tãooooooo “nunca”. O complicado é que poucos roteiristas devem pegar essa linha familiar e ligá-la com honestidade à vida do herói. Esse é o medo.

Responder
Leandro Silva 24 de novembro de 2016 - 14:35

Pena mesmo. Mas é assim, o personagem é bem fora da curva, é um personagem quase que puramente filosófico, e não faz sucesso no mercado geral, sempre sofre com baixas vendagens! Ainda mais que é um personagem pai de família, daí piora a situação; eu o acho um personagem fascinante, é o meu preferido dentro da linha dos heróis e sonho em ver um filme desse sujeito (e com direito à esposa, filho, filhinha, cunhado, sogra, gatinho e tudo mais! – não custa sonhar).

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