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Crítica | Homem-Aranha (1967) – 1X01: The Power of Dr. Octopus / Sub-Zero for Spidey

por Ritter Fan
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Bem-vindos ao Plano Piloto, coluna dedicada a abordar exclusivamente os pilotos de séries de TV.

Número de temporadas: 03
Número de episódios: 52
Período de exibição: 09 de setembro de 1967 a 14 de junho de 1970
Há continuação ou reboot?: Não, mas o Homem-Aranha já teve diversas séries animadas – e duas live-action – depois dessa primeira.

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Um ano depois da (des)animada série The Marvel Super Heroes, nada mais do que quadrinhos em movimento (com muita boa vontade, claro) e que foi a primeira série animada baseada em personagens da Marvel Comics, e no mesmo dia de estreia da animação Os Quatro Fantásticos (era assim o título aqui e não Quarteto Fantástico), da Hanna-Barbera, o Homem-Aranha ganhava sua primeira adaptação audiovisual, cortesia, em sua primeira temporada de 20 episódios, todos, menos dois, com duas histórias cada, da Grantray-Lawrence Animation, a mesma de The Marvel Super Heroes. Mais famosa pela música tema chiclete composta por Bob Harris, com letra de Paul Francis Webster, a série abriria a portas televisivas do Aracnídeo por décadas a fio, até ele finalmente pular para o cinema.

Diferente da série anterior da produtora, Homem-Aranha é uma animação propriamente dita, ainda que extremamente econômica e simplista, conseguindo ser infinitamente inferior à famosa série animada do Superman de nada menos do que 26 anos antes e também inferior à sua contemporânea sobre a Primeira Família da Marvel. Só para se ter uma ideia, mesmo sendo famosamente caracterizado nos quadrinhos por um uniforme azul e vermelho, com as partes em vermelho coberta de um padrão de teia, a animação, para baratear os custos, só contém a padronagem nas meias, luvas e máscara do Teioso, mantendo seu dorso liso, com apenas a imagem de aranha no peito. Além disso, há a constante repetição de sequências padrão, como o Aranha se balançando em sua teia de costas e de frente e a constrangedora cena em que o vemos andando em direção à câmera.

E a economia também se faz presente nos roteiros, especialmente nos dois primeiros sob análise, já que eles demonstram um completo desconhecimento das características marcantes do super-herói, sendo duas escolhas de histórias completamente estúpidas para se começar uma série dessas. Afinal, o Homem-Aranha é um herói essencialmente urbano, com a cidade de Nova York fazendo parte de seu DNA, assim como é o caso de Gotham City para o Batman. Eis então que, em The Power of Dr. Octopus, toda a ambientação é em um região montanhosa afastada de qualquer cidade para aonde Peter Parker (Paul Soles fazendo uma voz grave que não se conecta em momento algum com o personagem) é enviado por J. Jonah Jameson (Paul Kligman) para investigar luzes misteriosas. Chega a ser hilário que o episódio abra com um acidente de carro em que Peter, preso em galho de árvore que impede que o automóvel caia pelo desfiladeiro, precisa primeiro trocar de roupa para então usar suas teias, mesmo considerando que não há vivalma ao redor.

Claro que essas luzes misteriosas vêm do QG cavernoso do Dr. Octopus (Vern Chapman), lugar de onde, como no jantar surreal em O Anjo Exterminador, o Aranha não consegue sair, sendo logo achado pela preocupadíssima Betty Brant (Peg Dixon) que, óbvio, jamais desconfia que o herói é Parker. A ameaça de Octopus é abordada quase que exclusivamente de maneira remota, já que ele promete destruir a cidade, mas toda a ação fica limitada ao confinamento da Octo-caverna em uma daquelas escolhas narrativas certamente ditadas pelo orçamento.

Mas eu disse que as duas histórias partiam de premissas estúpidas considerando-se o protagonista. Na segunda, Sub-Zero for Spidey, o roteiro faz o desfavor de ignorar a então já mais do que bem estabelecida galeria de vilões do Homem-Aranha (mesmo tendo sido criado apenas cinco anos antes, o Amigão da Vizinhança já gozava de icônicos vilões que são até hoje largamente usados). No lugar do Abutre ou Lagarto ou Homem-Areia, o que temos são alienígenas genéricos do planeta Plutão (hoje rebaixado, tadinho) que passam a congelar a cidade do nada como uma espécie de preliminar para que eles possam voltar à sua terra natal com a ajuda do Dr. Smartyr (que nome é esse???), personagem também criado para o episódio, com voz de Gillie Fenwick.

Ou seja, no lugar de começar do começo, talvez até com a famosa história de origem do Homem-Aranha, algo que só viria no começo da segunda temporada, com produção da Krantz Animation depois da falência da Grantray-Lawrence, a série faz exatamente o improvável e defenestra tudo aquilo que faz do Homem-Aranha o Homem-Aranha. A coisa melhoraria um pouco nos capítulos seguintes, mas só um pouco mesmo, ainda que o sucesso inicial tenha garantido um carreira prolífica ao Teioso nas animações.

Homem-Aranha (1967) – 1X01: The Power of Dr. Octopus / Sub-Zero for Spidey (EUA, 09 de setembro de 1967)
Desenvolvimento: Ray Patterson (baseado em criação de Stan Lee e Steve Ditko)
Direção: Grant Simmons, Clyde Geronimi, Sid Marcus
Roteiro: Bill Danch, Al Bertino, Dick Robbins, Dick Cassarino, Phil Babet
Elenco: Paul Soles, Bernard Cowan, Paul Kligman, Peg Dixon, Vern Chapman, Gillie Fenwick
Duração: 24 min.

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