Crítica | Homem-Borracha (2018)

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Surgida como uma expansão para o Homem-Borracha, que foi muito bem representado em The Terrifics, esta minissérie escrita por Gail Simone e ilustrada pela brasileira Adriana Melo é uma daquelas produções irreverentes, engraçadas, bobas e cativantes que o leitor termina já pedindo por mais. Independente dos problemas que a saga tenha — e sim, ela tem alguns notáveis problemas de interação entre diferentes núcleos dramáticos — o enredo central e os desenhos garantem uma leitura absolutamente divertida, mesclando conceitos sobre a origem desse estranho herói com uma busca por um misterioso grupo criminoso que “tem infiltrados em todos os lugares, inclusive na imbatível Liga da Justiça“.

Talvez o maior impasse ligado ao roteiro de Gail Simone aqui é a passagem às vezes bem confusa entre a vida civil de Patrick “Eel” O’Brian e sua personalidade heroica, que na verdade, nem é tão heroica assim. Neste segundo aspecto, porém, o roteiro consegue um primoroso resultado, porque dialoga de maneira bastante honesta com a posição de Eel como um “bandido de quinta categoria” e um “herói bizarro”, característica que flerta o tempo inteiro com a excelente jornada do personagem pelas mãos de seu criador, Jack Cole, como podemos ver nas Primeiras Aventuras do personagem, narradas nas edições #1 a 10 da revista Police Comics, entre 1941 e 1942.

Por gostar muito desse tipo de narrativa de “o renegado ganhando destaque”, sempre apreciei como o Borracha é majoritariamente mostrado nos quadrinhos da DC, primeiro, assumindo abertamente a galhofa como cerne de suas aventuras; segundo, jogando com a vida pregressa de ex-assaltante para desenvolver uma investigação. No presente caso, o Homem-Borracha descobre, através de Obscura, que existe uma organização secreta que está matando muitas pessoas e conseguindo se infiltrar em lugares que não deveria. Esta é a Cabala, grupo que depois descobrimos ser formado por Amazo, Hugo Strange, Doutor Psycho, Per Degaton e Queen Bee. Se o roteiro não tivesse tantos problemas em estruturar o drama do Clube onde Eel trabalha e essa investigação que aparece quase que por acidente em sua vida, o resultado final da minissérie seria ainda melhor.

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Limite? Pfff… O Homem-Borracha ri na cara do limite…

Adriana Melo manda muito bem nos desenhos, sabendo mostrar o Homem-Borracha nas mais diversas transformações possíveis, o que sempre é motivo para nos arrancar boas risadas. Desde os meus primeiros encontros com esse personagem, esta foi uma das coisas que mais me atraiu nele. A artista também sabe ligar o lado das transformações com o lado civil de O’Brian, especialmente nos momentos em que ele está tentando ser um bom pai adotivo para uma pré-adolescente sem-teto chamada Pado Swakatoon (ou Suave Prince of Pine Street), que pelo que eu entendi (o roteiro nunca fala sobre isso abertamente, há muitas sugestões, mas nada dito, então me apontem se vocês interpretaram de outra forma) é uma criança trans ou que possui uma expressão de gênero não normativa com o seu sexo, seja por identificação, seja por conta da sexualidade, algo que, pela idade, ainda não tem “endereço certo” e que Gail Simone soube mostrar muito bem.

No meio do caminho temos até uma breve aparição do Sexteto Secreto (parte daquela formação de 2015, escrita pela própria Gail Simone), além de um cameo da Batwoman e diversas outras brincadeiras com personagens e publicações da DC, desde uma dancinha sexy chamada Crise Nos Infinitos Colos até os clichês básicos de uma investigação policial que tão bem conhecemos da editora, uma mistura de atmosferas cujo resultado final é impagável. Com ótimo uso de cores por Kelly Fitzpatrick e um final que deixa tudo muito bem preparado para continuar em um título solo ou em outra minissérie, Plastic Man Vol.5 é diversão pura, mesmo com uma de suas camadas narrativas não tão elogiáveis assim. Difícil terminar a última edição e não querer que as aventuras do atrapalhado e piadista Homem-Borracha (agora com o seu filhote Pado) tenham uma continuação.

Plastic Man Vol.5 #1 a 6 (EUA, junho a novembro de 2018)
Roteiro: Gail Simone
Arte: Adriana Melo
Cores: Kelly Fitzpatrick
Letras: Simon Bowland
Capas: Aaron Lopresti, Amanda Connor, Bilquis Evely, Mat Lopes, Alex Ross, Emanuela Lupacchino, Ray McCarthy, Tomeu Morey, Tess Fowler, Tamra Bonvillain, Jason Badower
Editoria: Kristy Quinn
24 páginas (cada edição)

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.