Home QuadrinhosMinissérie Crítica | Homem-Borracha (2018)

Crítica | Homem-Borracha (2018)

por Luiz Santiago
201 views (a partir de agosto de 2020)

Surgida como uma expansão para o Homem-Borracha, que foi muito bem representado em The Terrifics, esta minissérie escrita por Gail Simone e ilustrada pela brasileira Adriana Melo é uma daquelas produções irreverentes, engraçadas, bobas e cativantes que o leitor termina já pedindo por mais. Independente dos problemas que a saga tenha — e sim, ela tem alguns notáveis problemas de interação entre diferentes núcleos dramáticos — o enredo central e os desenhos garantem uma leitura absolutamente divertida, mesclando conceitos sobre a origem desse estranho herói com uma busca por um misterioso grupo criminoso que “tem infiltrados em todos os lugares, inclusive na imbatível Liga da Justiça“.

Talvez o maior impasse ligado ao roteiro de Gail Simone aqui é a passagem às vezes bem confusa entre a vida civil de Patrick “Eel” O’Brian e sua personalidade heroica, que na verdade, nem é tão heroica assim. Neste segundo aspecto, porém, o roteiro consegue um primoroso resultado, porque dialoga de maneira bastante honesta com a posição de Eel como um “bandido de quinta categoria” e um “herói bizarro”, característica que flerta o tempo inteiro com a excelente jornada do personagem pelas mãos de seu criador, Jack Cole, como podemos ver nas Primeiras Aventuras do personagem, narradas nas edições #1 a 10 da revista Police Comics, entre 1941 e 1942.

Por gostar muito desse tipo de narrativa de “o renegado ganhando destaque”, sempre apreciei como o Borracha é majoritariamente mostrado nos quadrinhos da DC, primeiro, assumindo abertamente a galhofa como cerne de suas aventuras; segundo, jogando com a vida pregressa de ex-assaltante para desenvolver uma investigação. No presente caso, o Homem-Borracha descobre, através de Obscura, que existe uma organização secreta que está matando muitas pessoas e conseguindo se infiltrar em lugares que não deveria. Esta é a Cabala, grupo que depois descobrimos ser formado por Amazo, Hugo Strange, Doutor Psycho, Per Degaton e Queen Bee. Se o roteiro não tivesse tantos problemas em estruturar o drama do Clube onde Eel trabalha e essa investigação que aparece quase que por acidente em sua vida, o resultado final da minissérie seria ainda melhor.

plano critico homem borracha 2018 dc comics plano critico

Limite? Pfff… O Homem-Borracha ri na cara do limite…

Adriana Melo manda muito bem nos desenhos, sabendo mostrar o Homem-Borracha nas mais diversas transformações possíveis, o que sempre é motivo para nos arrancar boas risadas. Desde os meus primeiros encontros com esse personagem, esta foi uma das coisas que mais me atraiu nele. A artista também sabe ligar o lado das transformações com o lado civil de O’Brian, especialmente nos momentos em que ele está tentando ser um bom pai adotivo para uma pré-adolescente sem-teto chamada Pado Swakatoon (ou Suave Prince of Pine Street), que pelo que eu entendi (o roteiro nunca fala sobre isso abertamente, há muitas sugestões, mas nada dito, então me apontem se vocês interpretaram de outra forma) é uma criança trans ou que possui uma expressão de gênero não normativa com o seu sexo, seja por identificação, seja por conta da sexualidade, algo que, pela idade, ainda não tem “endereço certo” e que Gail Simone soube mostrar muito bem.

No meio do caminho temos até uma breve aparição do Sexteto Secreto (parte daquela formação de 2015, escrita pela própria Gail Simone), além de um cameo da Batwoman e diversas outras brincadeiras com personagens e publicações da DC, desde uma dancinha sexy chamada Crise Nos Infinitos Colos até os clichês básicos de uma investigação policial que tão bem conhecemos da editora, uma mistura de atmosferas cujo resultado final é impagável. Com ótimo uso de cores por Kelly Fitzpatrick e um final que deixa tudo muito bem preparado para continuar em um título solo ou em outra minissérie, Plastic Man Vol.5 é diversão pura, mesmo com uma de suas camadas narrativas não tão elogiáveis assim. Difícil terminar a última edição e não querer que as aventuras do atrapalhado e piadista Homem-Borracha (agora com o seu filhote Pado) tenham uma continuação.

Plastic Man Vol.5 #1 a 6 (EUA, junho a novembro de 2018)
Roteiro: Gail Simone
Arte: Adriana Melo
Cores: Kelly Fitzpatrick
Letras: Simon Bowland
Capas: Aaron Lopresti, Amanda Connor, Bilquis Evely, Mat Lopes, Alex Ross, Emanuela Lupacchino, Ray McCarthy, Tomeu Morey, Tess Fowler, Tamra Bonvillain, Jason Badower
Editoria: Kristy Quinn
24 páginas (cada edição)

Você Também pode curtir

15 comentários

Gabriel 9 de abril de 2019 - 23:31

Fiquei interessado. Nunca li ou não sei de muita coisa desse personagem. Vale dar uma conferida para conhece-lo? Se não me engano antigamente teve uma série mensal que também é bem elogiada.

Responder
Luiz Santi🦎GADzilla 10 de abril de 2019 - 01:16

Sim, o título solo anterior dele também é muito elogiado.

Vale bastante a pena. O Universo do Homem-Borracha é o de histórias detetivescas, mas sob uma perspectiva cômica, meio anti-heroica. É divertido e diferente. Pode ler sem medo.

Responder
Luiz Santiago 28 de novembro de 2018 - 12:57

Esse minissérie foi maravilhosa! Queria MUITO que continuasse.

Responder
Anônimo 28 de novembro de 2018 - 11:06
Responder
SrMorpheus SrMorpheus 27 de novembro de 2018 - 00:49

Top

Responder
Luiz Santiago 27 de novembro de 2018 - 01:00

Topíssimo

Responder
Saulo Henrique 26 de novembro de 2018 - 16:32

Eu li em algum lugar, que esse homem apagador ai, era talvez, o personagem mais forte de todos. Não lembro o porque, nem quando. Mas claro, eu podia estar bêbado, ou ter inventado tudo isso. #BorrachaHomemRules.
Hahahahaahahha

Responder
Luiz Santiago 26 de novembro de 2018 - 16:53

AHUAHUAHAUAHUAHAUHAU tem que parar de tomar todas e ir ler sobre super-heróis! 😀

Responder
planocritico 26 de novembro de 2018 - 14:37

Não. Tudo errado. Apaga.

O único “Homem Borracha” que vale é o Sr. Fantástico.

Abs,
Ritter, Aquele Que Só Diz Verdades.

Responder
Luiz Santiago 26 de novembro de 2018 - 15:01

Marvete nem é gente…

Responder
planocritico 26 de novembro de 2018 - 15:27

Claro que não! JAMAIS. Gente é DCNauta. Marvete é Homo Superior.

HAHAHAHAHAHAHAHAAHHAHAHAHAHA

Abs,
Ritter Superior.

Responder
Luiz Santiago 26 de novembro de 2018 - 16:52

Vai sonhando!!! Esses marvetes vivem num constante delírio!!!

Responder
Luiz Santiago 26 de novembro de 2018 - 12:30

HAUAHUAHAUAHUHAUHAUAHUAHUAH será? Acho que não. Homem-Borracha tem que ser o Ben Schwartz!!!

Responder
Camilo Lelis Ferreira da Silva 26 de novembro de 2018 - 10:51

Será que a DC / Warner vai investir o “Homem Borracha” nos Cinemas? E Teremos o Donald Glover/Childish Gambino no Papel dele?

Responder
SrMorpheus SrMorpheus 27 de novembro de 2018 - 00:49

Séria muito legal

Responder

Escreva um comentário

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais