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Crítica | Homem de Ferro

por Ritter Fan
732 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 4,5

  • Acessem, aqui, nosso índice do Universo Cinematográfico Marvel.

“Eu sou o Homem de Ferro.”

Como todos já sabem muito bem, Homem de Ferro é o primeiro de um até agora incrivelmente bem costurado projeto da Marvel, fazendo com seus filmes aquilo que há décadas seu braço editorial faz com os quadrinhos: histórias independentes que, porém, se passam dentro de um universo unificado. Chamado de Universo Cinematográfico Marvel, essa intrincada e arriscada aposta começou quando a Marvel Studios ainda era independente, em parceria com a Paramount, anos antes de sua aquisição pela Disney e chegou ao seu clímax com o estrondoso lançamento de Os Vingadores, em 2012, filme que mostrou de vez o acerto do planejamento.

E não é que Homem de Ferro tenha sido o primeiro filme de um dos heróis Marvel. Muito ao contrário, há várias outras obras anteriores de heróis da editora, mas que foram produzidos por outros estúdios, com um controle (bem) limitado sobre o que a própria Marvel poderia apitar. Nessa esteira, temos a franquia X-Men, com seus já dez filmes, a franquia Homem-Aranha, com seus seis filmes, Quarteto Fantástico, com quatro filmes e uma série de outros menores.

Mas o que a Marvel fez desde 2008, culminando em 2012 e continuando até os dias de hoje é simplesmente sem precedentes. Ela costurou um clímax a partir de cinco filmes independentes que, apesar de contarem histórias diferentes, são mantidos colados uns aos outros por pequenos detalhes, uns discretos (como o soro usado no Abominável em O Incrível Hulk ser uma versão do soro do herói-título de Capitão América: O Primeiro Vingador) até os mais óbvios, representados pelas já famosas cenas pós-créditos. E o melhor de tudo é que a Marvel conseguiu manter uma certa consistência na geralmente boa qualidade de seus filmes.

Homem de Ferro foi o primeiro e, portanto, a aposta mais arriscada da produtora. Como trazer um herói altamente tecnológico para as telas de maneira crível e sem gastar um valor estratosférico, especialmente considerando que esse herói, ainda que muito familiar para aqueles que lêem quadrinhos, não era tão conhecido assim do público em geral, aquele que realmente é importante para o sucesso ou fracasso de um filme?

A primeira resposta para essa pergunta foi respondida com a perfeita escalação de Robert Downey Jr. no papel do multi-milionário bon vivant Tony Stark. Quem não conhece os quadrinhos aceita Downey Jr. pelo seu usual charme e qualidade de atuação (quando ele realmente quer, como foi o caso em Homem de Ferro). Quem conhece os quadrinhos (e, para eles, há vários easter eggs), chega-se à conclusão que Stan Lee deve ter viajado ao futuro, visto o ator atuar e voltou para o passado para criar o personagem à sua imagem. Robert Downey Jr., como ele deixa claro ao final do filme, simplesmente é o Homem de Ferro. As demais escalações, Gwyneth Paltrow no papel da secretária de Tony, Pepper Potts, Terrence Howard, no papel do melhor amigo de Tony, Rhodey e, finalmente, Jeff Bridges no papel do vilão Obadiah Stane, também não ficam muito atrás.

A segunda resposta para a mesma pergunta foi o tom irreverente dado ao filme. Ele consegue ser um drama quando precisa ser e uma comédia leve por quase todo o tempo. Isso retira o peso que alguns heróis carregam (como na Trilogia Batman, de Christopher Nolan) e significa um approach diferente a esse tipo de fita, meio que voltando ao estilo Richard Donner de dirigir Superman.

A terceira resposta foi o design. Desde a armadura “de ferro velho” Mark 1, pesadona e pouco prática, até o modelo mais moderno, passando pela mansão e os carros de Stark e pelos figurinos dos atores, tudo aponta para uma coisa só: sofisticação. O filme é visualmente lindo e irretocável.

A quarta resposta foi o roteiro. Não houve perfeição aqui, pois o finalzinho, com a luta das armaduras, não é totalmente satisfatório e, talvez, até simplório demais. De toda forma, a história até esse momento é cativante: Tony Stark é um multimilionário fabricante de armas. Em um teste de sua tecnologia mais recente para o exército americano em pleno Oriente Médio, Tony é capturado e obrigado a construir armas para os bandidos. Durante a captura, ele se fere gravemente no coração e só consegue sobreviver montando um mini reator Arc para manter os fragmentos de metal longe de seu órgão vital. Meio recuperado, Tony e o outro prisioneiro, Yinsen (Shaun Toub), no lugar de fabricar armamento para o exército inimigo, criam uma armadura para permitir a fuga. Quando Tony volta aos EUA, ele está mudado e decide alterar sua política de fabricação e venda de armamentos, o que irrita seu sócio Obadiah Stane, já que as Indústrias Stark ganham muito dinheiro com a venda indiscriminada de suprimentos para os exércitos do mundo. Tony passa, então, a melhorar sua armadura, até chegar ao icônico modelo vermelho e dourado, passando a ter, então, uma vida dupla.

As peças do roteiro encaixam-se muito bem, com uma levando à outra naturalmente e de maneira muito crível. E eu acho que é aí que sentimos a presença do trabalho de Jon Favreau na direção (ele faz também o papel de Happy Hogan, o motorista de Tony). Egresso de filmes infantis de pouco destaque como Um Duende em Nova Iorque e Zathura – Uma Aventura Espacial, Favreau dá um toque todo especial ao filme, mostrando-se um excelente diretor de atores, ainda que não tente alçar grandes voos em termos da direção com um todo. O que ele não consegue, como mencionei brevemente, é nos apresentar um ponto alto completamente extasiante. A luta entre Stane, com a armadura do Monge de Ferro e Stark é bem coreografada, mas carece de perigo para o protagonista. Sim, claro, trata-se de Tony Stark e ele não morrerá. Isso todo mundo sabe. Mesmo assim, faltou a Favreau a construção de suspense e a escalação do perigo de maneira crível e que realmente leve o espectador a roer as unhas.

De toda forma, mesmo com um final menos do que perfeito, Homem de Ferro é um excelente exemplo de equilíbrio entre história de origem e ação, comédia e drama, espetáculo pirotécnico e construção de personagem. Quando chega a grande luta final, o espectador já está hipnotizado pelo brilho da armadura do herói e pelo charme de Tony Stark ao ponto de nada mais importar. E isso diz muito do cuidado com a produção e a direção.

  • Crítica originalmente publicada em 21 de julho de 2014 e devidamente atualizada para republicação.

Homem de Ferro (Iron Man) – EUA, 2008
Direção:
 Jon Favreau
Roteiro: Mark Fergus, Hawk Ostby, Art Marcum, Matt Holloway
Elenco: Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Terrence Howard, Jeff Bridges, Leslie Bibb, Shaun Toub, Faran Tahir, Clark Gregg, Bill Smitrovich, Samuel L. Jackson
Duração: 126 min.

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33 comentários

Felipe Aguiar 26 de fevereiro de 2019 - 23:49

Estou eu aqui, no dia 26/02/2019, reassistindo essa maravilha e me arrepiando com a cena pós-crédito.
Isto é quase mágico!

Responder
planocritico 27 de fevereiro de 2019 - 00:42

Com certeza, @Felipebsa:disqus ! Ainda está no meu top 2 do UCM!

Abs,
Ritter.

Responder
lucas cantino 5 de junho de 2019 - 19:31

Adoro esse filme ,é um de meus favoritos ! Precisava saber o que o “Plano crítico” ,achava dele

Responder
planocritico 6 de junho de 2019 - 14:32

Ainda considero Homem de Ferro um dos três melhores filmes do UCM, talvez o melhor.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 18 de dezembro de 2018 - 01:55

Ainda considero esse um dos melhores filmes de super-heróis já feitos!

Abs,
Ritter.

Responder
Zé Higídio 17 de dezembro de 2018 - 10:08

O que dizer desse filmaço que estreou o MCU? Só posso acrescentar que eu gosto sim da direção do Favreau e acho que, ainda que discreta, ela ajuda a construir o filme perfeitamente sem apelar para clichês e convenções. E de fato a luta final não é tão incrível quanto poderia ser e o Iron Monger não é uma ameaça tão assustadora para o Stark, mas comparando com os vilões de diversos outros filmes do MCU, a construção e a motivação do Obadiah Stane são bem amarradinhas e se encaixam com maestria no roteiro, ainda que não empolguem no clímax.
Concordo com a nota também, 4,5/5.

Responder
planocritico 11 de dezembro de 2018 - 17:15

Concordo!

Abs,
Ritter.

Responder
Lucas Casagrande 8 de dezembro de 2018 - 16:47

Dos melhores filmes do UCM até hj, filmão mesmo

Responder
Isaac 3 de abril de 2018 - 16:51

Vi no cinema.
Um dos melhores filmes de 2008.

Responder
planocritico 3 de abril de 2018 - 16:52

Concordo!

– Ritter.

Responder
planocritico 3 de abril de 2018 - 16:52

Concordo!

– Ritter.

Responder
Isaac 3 de abril de 2018 - 16:51

Vi no cinema.
Um dos melhores filmes de 2008.

Responder
pabloREM 2 de abril de 2018 - 15:09

Esse ainda é um dos melhores filmes do UCM, onde praticamente tudo se encaixa de uma maneira que agrada tanto quem conhecia o personagem dos quadrinhos quanto quem foi apresentado nas telas dos cinemas.

Responder
planocritico 2 de abril de 2018 - 15:10

Também acho! Continua firme e forte no meu TOP 3 do UCM!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 2 de abril de 2018 - 15:10

Também acho! Continua firme e forte no meu TOP 3 do UCM!

Abs,
Ritter.

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pabloREM 2 de abril de 2018 - 15:09

Esse ainda é um dos melhores filmes do UCM, onde praticamente tudo se encaixa de uma maneira que agrada tanto quem conhecia o personagem dos quadrinhos quanto quem foi apresentado nas telas dos cinemas.

Responder
ABC 2 de abril de 2018 - 11:40

Tem filme que eu revejo só para assistir cenas específicas (como em Batman Begins, onde o Bruce é colocado na solitária por “proteção” ou o “Por que caímos?”) e esse eu revejo só pela cena dele saindo com o Mark 1 da caverna tocando a música do Sabbath.

Saudações.

Responder
planocritico 2 de abril de 2018 - 12:52

Sim, excelente momento!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 2 de abril de 2018 - 12:52

Sim, excelente momento!

Abs,
Ritter.

Responder
ABC 2 de abril de 2018 - 11:40

Tem filme que eu revejo só para assistir cenas específicas (como em Batman Begins, onde o Bruce é colocado na solitária por “proteção” ou o “Por que caímos?”) e esse eu revejo só pela cena dele saindo com o Mark 1 da caverna tocando a música do Sabbath.

Saudações.

Responder
Crítica | Homem de Ferro – Críticas 31 de março de 2018 - 18:31

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Diogo Amorim 7 de janeiro de 2016 - 13:08

Boa crítica, ótimo site esse de vocês. Eu amo esse filme, acho que é meu favorito desse Universo da Marvel nos cinemas junto com Os Vingadores, Downey Jr foi a escolha perfeita, o filme consegue se guiar incrivelmente com muita ação e tendo os alívios cômicos muito bem encaixados e que funcionam. Mais um ponto também pra trilha sonora, o AC/DC virou a marca do personagem e a trilha do filme tambem é muito boa, como na cena do primeira voo ela combinou muito bem. Com certeza ele entra no meu top 5 de filmes de heróis, já assisti várias vezes e o filme sempre continua incrível em todas, e alem do mais foi ele que deu o ponta pé inicial para esse Universo da Marvel nos cinemas que agora vem cresce do cada vez mais.

Responder
planocritico 7 de janeiro de 2016 - 16:26

Obrigado, @disqus_1xfUk6Tw8e:disqus! Espero que continue nos prestigiando!

Sobre o filme, eu pessoalmente o considero o segundo melhor filme de super-herói mainstream já feito, ficando atrás apenas de Superman, o Filme, de 1978. Tudo muito equilibrado, com uma origem orgânica, bem estruturada e com um Downey Jr. absolutamente perfeito no papel.

Abs,
Ritter.

Responder
Daniel Marques 14 de setembro de 2015 - 16:53

HF foi o filme que me empurrou pro mundo das HQ’s. Pra mim é, até hoje, a melhor associação feita entre ator e a personagem. Filmaço! Ele foi o responsável por gostar da Marvel como gosto hoje.

Sem mais.

Responder
planocritico 15 de setembro de 2015 - 14:54

@danielmarquesfernandes:disqus, bem legal. Considero HF o melhor filme de super-herói depois do Superman original (note que, pela qualidade, não considero os dois primeiros filmes do Batman de Nolan como meros filmes de super-heróis e, por isso, estão em outra escala).

Abs,
Ritter.

Responder
Alison Cordeiro 29 de dezembro de 2015 - 22:24

Não chego a colocar HF como o melhor filme de super-herói depois de Superman, o filme (sim, para mim este filme abriu o mundo de super-heróis e me tornou um fã, lá nos distantes anos 70, ainda sem saber ler, mas encantado em ver o Super na telona), mas concordo plenamente que é um filme diferenciado. Downey JR mudou o patamar do Homem de Ferro, e o colocou no primeiro escalão dos super-heróis. Minha esposa que nunca leu uma HQ saiu do cinema encantada com o filme e tem desde então me acompanhado na saga do UCM, mesmo em Guardiões da Galáxia e Homem-Formiga, personagens desconhecidos para ela. Homem de Ferro está no meu top 5, junto de Homem-Aranha 2, Vingadores 1, Batman DK (ok, concordo que até não deveria ser classificado como um filme de super-heróis, mas na minha lista merece um lugar) e Superman. Grande feito para um personagem que nem constava na minha lista de preferidos da Marvel (HA,QF, Demolidor, Capitão América, Hulk e Thor estavam antes). 🙂

Responder
planocritico 30 de dezembro de 2015 - 12:02

Homem de Ferro foi muito bem costurado, uma história de origem certeira, respeitosa à original, mas reunindo um ator perfeito para o papel e que se dedicou a ele, com efeitos especiais sem exageros, mas cuidadosos. O trabalho da Marvel começou muito bem e, arrisco dizer, continua assim até hoje.

E seu top 5 é excelente!

Abs,
Ritter.

Responder
Alison Cordeiro 30 de dezembro de 2015 - 12:32

Um ponto importante, Ritter, e bem observado por você, é a questão da história de origem. Quanto tempo investir na apresentação do personagem, sem tornar a película maçante ou repetitiva (Batman e HA, tô falando com vcs, até minha vó conhece sua origem). Mesmo sendo em outra mídia, Jessica Jones foi um bom exemplo. Nada de ficar explicando demais, deixando o telespectador curioso. Ou como Homem de Ferro, que foi divertido. Desafio que a Marvel tem conseguido trabalhar bem. Grande Abraço!

planocritico 30 de dezembro de 2015 - 14:49

É cada vez mais difícil ver “origens” bem feitas. E há também uma necessidade quase patológica de se mostrar origens. Para que isso? Às vezes, faz mais sentido, como em Jessica Jones, já começar a história com o personagem do jeito que ele é depois de adquirir os poderes. Se bem feito, não confundirá ninguém.

Abs,
Ritter.

Rafael Gardiolo 23 de julho de 2014 - 01:41

A trilha sonora do Ramin Djawadi fez muita falta nos filmes seguintes.

Responder
planocritico 23 de julho de 2014 - 18:53

Com certeza: a trilha é surpreendentemente boa nesse filme. Abs, Ritter.

Responder
Ricardo Correa 22 de julho de 2014 - 00:15

Robert Downey Jr fez o impossível parecer crível e monótono huh? Ele fez o personagem se transformar ou se transportar pra dentro dele e não contrário: um ator que faz de tudo pra se tornar próximo ou igual ao personagem…

Responder
planocritico 22 de julho de 2014 - 18:33

Realmente. Foi uma escalação tão perfeita que é difícil visualizar outro ator encarnando Tony Stark. Abs, Ritter.

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