Crítica | Homens-Aranha #1 de 5

Oh, Deus, não!!!

Eu fico imaginando a reação dos leitores mais xiitas de qualquer HQ, quando um novo reboot ou uma nova gracinha editorial caça-níquel aparece nas bancas ou é anunciada pelas editoras. Se eu, que não sou um leitor assíduo de todas as revistas dos heróis que gosto, que não acompanho fielmente todas as sagas ou entendo tudo de todos os desenhistas, roteiristas, universos, crossovers e afins, fico com aquela expressão de máxima estranheza, me divirto ao pensar nos surtos e colapsos nervosos dos fãs mais ardorosos.

Dessa vez, no entanto, a Marvel chutou o pau da barraca, a barraca, os ocupantes da barraca e todas as outras barracas do Reino das Barracas, ao juntar duas personagens de universos diferentes. Em todo caso, este é o ano em que o Homem-Aranha completa 50 anos, e creio que todos nós já esperávamos uma “pequena insanidade” da Marvel como parte das comemorações editoriais. Essa pequena série, que terá cinco edições, traça o encontro do Homem-Aranha do universo 616, o “nosso universo” (Peter Parker) e o Homem-Aranha do universo Ultimate (Miles Morales), o chamado “Homem-Aranha negro”, que substituiu o Peter Parker Ultimate após este ser morto pelo Duende Verde, na decisiva e última batalha.

A história de Spider-Men #1 começa no universo conhecido por nós, com Peter Parker e seus ótimos monólogos cheios de gracinhas, balançando em suas teias pela noite de Nova York. O roteiro é competente em estruturar uma fluidez de tempo ágil, como é comum nas histórias do Homem-Aranha. A passagem de Peter Parker por cenários criminosos da cidade e seu diálogo que mistura vida pessoal e vida de herói é um elemento típico que foi mantido das histórias clássicas, ainda bem. E assim como nas edições que preludiam o filme, esta atual revista traz vários elementos da cultura pop, como a citação de um trecho de ATliens, do Outkast, e referências a outros heróis que também voam pela cidade, como o Quarteto Fantástico, Homem de Ferro e Thor.

O conflito acontece quando esse divertido e reflexivo Homem-Aranha vê uma “luz alienígena” em um armazém abandonado nos limites da cidade. É lá que ele encontra Mistério, o vilão mais… mais… com quem já teve que lidar. Em um Deus ex machina impossível de não acontecer em uma proposta como essa, temos a chinfrim explicação de como Peter Parker é transportado para o universo Ultimate. Não convence, mas dentro de todo o impossível estapafúrdio, o leitor até engole a situação e prossegue a leitura. E então, o arco para a edição seguinte se estabelece. Ao ouvir coisas que para ele não faz sentido – claro, ele está em outro universo e não sabe que nesse universo ele está morto –, Peter Parker sai à procura de algumas respostas. É quando passa por ele um vulto, uma sombra negra. Ele então interrompe a sua trajetória e olha, sem acreditar, para o Homem-Aranha de uniforme negro daquele universo. Fim da revista.

Como o leitor pode ver, não se trata de uma edição descartável ou mesmo péssima. Não sei se eu sou muito fácil para aceitar propostas novas ou se a revista acaba, entre trancos, barracos, cordilheiras e universos, sendo realmente aceitável. A arte não tem grande impacto, chega a incomodar algumas vezes, pela impressão que a finalização aquarelada nos dá, mas também não chega a ser ruim.

Spider-Men #1 é uma revista mediana, com alguns bons momentos, tanto em arte quanto em roteiro. Se o leitor comprar a ideia, por mais absurda que seja, um certo interesse surgirá da leitura. Nesse ponto, ela acaba valendo a pena.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.