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Crítica | “Honky Château” – Elton John

por Iann Jeliel
337 views (a partir de agosto de 2020)

Honky Chateau

Considerado por próprio Elton John como a sua obra-prima, Honky Chateau marca, junto de Don’t Shoot Me, I’m Only the Piano Play e Gooodbye Yellow Brick Bird, o auge da carreira do lendário pianista, quando ele gravava discos simultaneamente e se superava a cada novo lançado. O ponto de partida para a experimentação foi aqui, onde Elton arrisca sair da sua zona de conforto e começa a mesclar diversos estilos e ritmos diferentes dentro de uma identidade muito própria.

Não que o artista não fizesse isso nos seus quatro álbuns anteriores, mas é aqui que ele demostra uma identidade mais uniforme, sem priorizar nenhum estilo para cada música, o piano guia as melodias, de forma solta e despretensiosa, passando por diversos estilos e nunca se estagnando em algum, indo do pop mais dançante da música-título e como em Honky Cat, até melodias quase country como é o caso da Slave, todas em uma sinfonia rítmica bem estabelecida, algo que faltava aos primeiros trabalhos. Era até então o disco mais equilibrado da sua carreira, mesmo com o óbvio destaque para talvez a melhor música que já compôs, ou no mínimo a mais conhecida: Rocketman (I Think It’s Going To Be A Long, Long Time).

Falando um pouco dela em si, mais do que uma simples e icônica ópera espacial, metaforicamente era Elton desabafando sobre sua solidão mesmo diante de conquistas inéditas no seu meio artístico, as comparando com conquistas cientificas que nada adiantam se elas permanecem vazias de significado ao seu redor. É uma música muito simbólica para a sua carreira porque conversa diretamente sobre seu sentimento em relação a ela, Elton era um astronauta perdido no espaço em que ele dominava, suas músicas e roupas espalhafatosas eram apenas uma mascará para todas as magoas guardadas pelo seu alter ego e sua jornada de redenção iria precisar matar a pessoa que nasceu para ser a fim de se tornar a pessoa que queria ser, além de melodicamente ser uma de suas mais empolgantes canções.

Contudo, mesmo com uma regularidade ímpar, Honky Chateau possui algumas canções não tão memoráveis por serem muito didáticas nas suas letras e pouco acrescentarem em termos metafóricos. Amy e Hercules me soam bastante destoantes do resto. Mellow e Salvation são outras um pouco abaixo. Existe uma certa melancolia na parte instrumental das duas partida da participação do violinista Jean-Luc Ponty, mas que não conversa com o melodrama espiritual da letra. Ademais, todas as outras são ótimas e dignas de pelo menos uma escutada a mais. Minha segunda favorita iria para I Think I’m Gonna Kill Myself, uma divertida sátira de humor negro sobre a angústia exagerada da adolescência. Mesmo tocando numa temática delicada como suicídio, o piano conduz perfeitamente a lírica no tom sarcástico adequado com a narrativa do jovem querendo se matar em busca de atenção. Vale destacar também. o impulso energético de Mona Lisas and Mad Hatters, além da criativa narrativa da letra de Susie (Dramas).

Infelizmente, ao contrário do que John prega, não acredito que Honky Chateau seja sua obra máxima ao lado do seu letrista e parceiro Bernie Taupin. É um ótimo disco, um caminho para um auge, marcando a transição para o melhor da dupla, mas que inevitavelmente por ter uma coisa linda chamada Rocketman (I Think It’s Going To Be A Long, Long Time), entra para aquela lista de álbuns reféns de um grande sucesso, marcado mais por ele do que outros possíveis méritos presentes.

Aumenta!: Rocketman (I Think It’s Going To Be A Long, Long Time), I Think I’m Gonna Kill Myself e Slave
Diminui!: Hercules
Minha Canção Favorita do Album!: Rocketman (I Think It’s Going To Be A Long, Long Time)

Honky Château
Artista: Elton John
País: Reino Unido, EUA
Lançamento: 19 de maio de 1972
Gravadora: MCA Records (EUA/Canadá), DJM Records
Estilo: Rock, Pop

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