Crítica | Doctor Who: Hora Nenhuma, de Neil Gaiman

estrelas 4

Equipe: 11º Doutor, Amy
Espaço: Londres / [spoilers]
Tempo: 2011 / 1984 / [spoilers]

Existem artistas, em diversas áreas de produção cultural, que fazem tudo parecer muito fácil. E Neil Gaiman é um deles. Embora o seu conto para a série de 12 obras escritas por ocasião do aniversário de 50 anos de Doctor Who não seja perfeito, a fluidez com que ele cria situações, escreve as falas do 11º Doutor e sua relação com Amy e como nos apresenta um novo e sensacional vilão, o Kin, reafirma muito do que se diz sobre ele. Hora Nenhuma é um conto sensacional.

A história começa do ponto de vista do vilão e o autor claramente emprestou elementos de Shada para incrementar a sua estrutura narrativa, dando detalhes sobre a prisão, justificando o por quê o Kin foi esquecido ao longo dos anos e abrindo possibilidades para que isso seja trabalhado de maneira mais ampla em algum momento futuro do Universo Expandido da série. Hora Nenhuma nos faz o imenso favor de abrir mais uma porta para o passado dos Time Lords e sua relação com outras espécies. E até portas para o futuro. Mas isso já é outra história.

Apresentado o antagonista, partimos para onde está o Doutor e Amy, ainda no início de suas viagens mas já com uma ligação espantosa. Como essa história se passa entre os episódios Victory of the Daleks e o díptico The Time of Angels / Flesh and Stone, estão ausentes uma série de conflitos que possivelmente desviariam a atenção do leitor ou colocariam perguntas demais, a maioria, sem muito benefício para a obra. A escolha desse período da timeline do 11º Doutor foi perfeita e a abordagem também. Em alguns momentos da trama, especialmente após o Doutor e Amy encontrarem o Kin, eu percebi passagens desnecessariamente provocativas, com alguns diálogos dispensáveis, mas estes são pontos isolados da história que funciona como uma espécie de conto de fadas vivo para o Doutor e um pesadelo vivo para Amy, que aqui parece ter muito mais saudade de Rory do que na TV, à mesma época.

É curioso vermos como a atenção e a responsabilidade de “salvar o dia” são compartilhadas entre o Senhor do Tempo e sua companion, não havendo exageros em nenhuma das duas partes. Em dado momento da narrativa um deles sai de cena e dá lugar ao outro, momentos esses que nos permitem ver ações isoladas dos dois viajantes após comprovarmos que juntos funcionam muito bem. E o encontro de ambos com o Kin é simplesmente maravilhoso.

Depois de tantos anos vendo alienígenas que chegam à Terra e tentam invadi-la, tirá-la de órbita, explodi-la ou mais um milhão de outras coisas, é realmente prazeroso conhecer uma espécie que domina o planeta azul de forma legítima, com aprovação da Proclamação das Sombras e tudo. Em Hora Nenhuma Neil Gaiman mostra mais uma vez que sabe contar uma boa história, assustar (eu fiquei com um pouco de medo de imaginar com detalhes o rosto do Kin) e acrescentar mais um bom capítulo na história de Doctor Who. Isso não é pouca coisa.

Neil Gaiman fala sobre o projeto

O Mistério da Cabana Assombrada (The Mystery of the Haunted Cottage) — Reino Unido, 2013
Autor: Neil Gaiman
Editora original: Puffin Books
Lançamento no Brasil: 12 Doutores 12 História (coletânea)
Tradução: Renata Pettengill
56 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.