Crítica | “Hungarian Rhapsody: Live in Budapest” e “Live at the Rainbow ’74” – Queen

Hungarian Rhapsody: Queen Live in Budapest

estrelas 5,0

Queen-Hungarian-Rhapsody

Hungarian Rhapsody, show do Queen gravado em Budapeste, Hungria, em 27 de julho de 1986, foi uma das últimas apresentações com a formação original da banda. Parte da Magic Tour, que contou com 26 shows na Europa e foi realizada entre 7 de junho e 9 de agosto de 1986 (última turnê da banda com Mercury e Deacon no palco), a apresentação também se tornou notável pelo local onde aconteceu. O Queen foi uma das poucas bandas de rock a se apresentarem atrás da cortina de ferro (a “cortina ideológica” que dividia os países capitalistas dos países socialistas) e por isso mesmo sua estadia no país do “único idioma que o diabo teme” foi marcada por uma ampla divulgação midiática e por um público de 80.000 pessoas no Estádio Puskás Ferenc, em Budapeste.

Filmado com aparato cinematográfico e dirigido pelo cineasta húngaro János Zsombolyai, o show se enquadra dentro daquilo que nós esperamos do Queen: excelentes performances, excelente repertório e, no caso do trabalho em estúdio, seja no disco, seja no filme, excelente produção. Aqui, mesmo com 4 canções sendo encurtadas no DVD (Tie Your Mother Down, Love of My Life, Tutti Frutti e Crazy Little Thing Called Love), não estamos nem de longe no território de Live Killers ou Live Magic. A edição é muitíssimo bem feita e a ponte entre as canções funciona bem, tanto na imagem quanto no som. Eu fui conferir as canções na íntegra em sua versão de CD e pude comprovar que o encurtamento do DVD não prejudicou a apreciação das faixas. O único elemento ruim na diferença entre uma mídia e outra é que o CD tem 4 canções a mais que o DVD (Another One Bites the Dust, Looks Like It’s Gonna Be a Good Night, (You’re So Square) Baby I Don’t Care e Hello Mary Lou), dentre as quais, Another One Bites the Dust é a ausência mais lamentável, porque sua performance nesse show é sensacional. As outras três ausências não são tão importantes assim.

A tríade de início do disco é executada especialmente para colocar todo mundo para dançar. Primeiro vem One Vision, em uma versão já bastante conhecida de quem ouviu os álbuns ao vivo do Queen, o que não tira o brilho da faixa. Na sequência, a matadora Tie Your Mother Down e uma balada de “coro de estádio”, In the Lap of the Gods… Revisited, ao mesmo tempo contemplativa e animadora. A forma como a banda executa a canção ao vivo mostra um fulgor ainda maior do que a versão de estúdio, especialmente por ser acompanhada por centenas e centenas de vozes, assim como Now I’m Here, Love of My Life, Radio Ga Ga, We Will Rock You e We Are the Champions.

Preparado especialmente para o show, Mercury executa, com May ao violão, a tradicional húngara Tavaszi szél vizet áraszt (O Vento da Primavera Agita as Águas). Ele canta a primeira estrofe na íntegra e depois apenas os versos do meio, enquanto o público entoa a canção. Imagine o quão especial deve ter sido para os milhares de húngaros que estavam assistindo ao show. A melhor banda de rock do mundo, em um momento intimista de seu concerto, resolve cantar uma canção tradicional do país, algo equivalente ao nosso Peixe Vivo. A iniciativa é preciosa e mostra a preocupação da banda em dialogar com o público. Eis aí a grande receita e a justificativa para todo o amor que se tem em relação a eles.

Hungarian Rhapsody é um disco sensacional. Além da remasterização feita para o seu lançamento, em 2012, o público tem, mais uma vez, um grande show para ouvir, sem os incômodos problemas de edição ou interferências de estúdio. Mais um disco para se ter na playlist ou na prateleira, dependendo do tipo de ouvinte que você é. A certeza é que, em qualquer um dos casos, você estará ouvindo um álbum verdadeiramente notável.

Aumenta!: Who Wants to Live Forever
Diminui!: —
Minha canção favorita do álbum: Who Wants to Live Forever

Hungarian Rhapsody: Queen Live in Budapest
Artista: Queen
País: Reino Unido
Lançamento: 20 de setembro de 2012
Gravadora: Island, Hollywood
Estilo: Rock, Hard Rock

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Live at the Rainbow ’74

estrelas 5,0

Live at the Rainbow 74 queen

Lançado em setembro de 2014 e tendo produção do trio Justin Shirley-Smith, Josh Macrae e Kris Fredriksson, Live at the Rainbow ’74 é a junção de dois registros de turnê: Queen II (gravado em 31 de março de 74) e Sheer Heart Attack (gravado em 19 e 20 de novembro de 74). As apresentações foram feitas no Teatro Rainbow, em Londres, em momentos diferentes de popularidade do Queen (e sim, estamos falando do mesmo ano!).

Alguns bootlegs existiam desse registro e a banda chegou a lançar alguns vídeos do show de novembro em VHS (o chamado Box of Flix, de 1991), mas toda a apresentação jamais fora lançada como álbum antes de 2014. E os fãs do Queen só podem agradecer por isso. Primeiro, porque um disco com a voz de Freddie Mercury, tanto tempo depois de sua morte, ajuda a matar um pouco a saudade. E depois porque mostra dois integrantes da banda, Brian May e Roger Taylor já maduros e com uma visão bem cuidadosa de como deve ser trabalhado um lançamento desse porte. E isso vemos pela magnanimidade do lançamento da obra, em DVD, SD Blu-Ray (não é em alta resolução), Vinil e CD duplo, com ótima remasterização, canções executadas na íntegra (elemento que faria de Live Magic um grande álbum ao vivo, mas naquela ocasião eles saíram picotando tudo) e mixagem inteligente entre as canções, além da sábia decisão em separar os discos pelos concertos de março e novembro.

O Disco 1, que abre com Procession e é seguido de Father To Son, Ogre Battle e Son And Daughter, mostra um Freddie Mercury ainda reticente no trato com a plateia, mas que fica muito à vontade ao final dessa canção e consegue liderar facilmente o público já após o solo de guitarra de May, a reprise Son And Daughter e a incrível execução de White Queen (As It Began), Great King Rat e The Fairy Feller’s Master-Stroke. É impressionante que canções tremendamente complexas são executadas quase com a mesma riqueza e com o mesmo alto rigor do estúdio (o último trio de canções citadas é um exemplo). Somando isso à voz simplesmente marcante e afinadíssima de Mercury, os excelentes vocais de apoio de May e Taylor (que mostra que tem um excelente e verdadeiro falsete) e a execução instrumental do grupo, temos um álbum para ouvir o tempo inteiro no último volume.

Já o Disco 2 é de uma qualidade e vigor de performance que se torna difícil colocar em palavras. Este é definitivamente o meu favorito ao vivo da banda, e compõe com graça o seu par um pouquinho mais humilde gravado alguns meses antes. Neste show de novembro, a banda já havia lançado Sheer Heart Attack então canções como Flick Of The Wrist, Bring Back That Leroy Brown (instrumental com excelente marcação jazzística) e Stone Cold Crazy fazem parte do repertório e levam o público à loucura. O mesmo padrão de execução rigorosa, como no estúdio, é adotado aqui, mas versões aceleradas de algumas cações, maior peso na guitarra, excelentes solos ou arranjos bastante peculiares coroam o espetáculo de maneira a torná-lo inesquecível.

Nós só temos a agradecer aos produtores e a maturidade de May e Taylor (com a bênção de Deacon) em tratar com o máximo respeito possível este show. E nos deixa esperançosos para que eles ainda nos tragam, com essa mesma linha de produção, outros registros ao vivo da banda que nunca foram mas merecem ser lançados, como Hyde Park ’76; Tóquio’ 75 e 85; Copenhague ’78; Buenos Aires ’81 e Stevenage ’86, além do há muito aguardado disco (ou discos) com canções gravadas pela banda mas nunca lançadas oficialmente. E acreditem, além da qualidade desse material existe ser alta, a quantidade é também muito grande. O Queen ainda tem muito para nos entregar…

Aumenta!: Todo o disco.
Diminui!:
Minha canção favorita do álbum: White Queen (As It Began), Great King Rat e The Fairy Feller’s Master-Stroke (DICO UM) e Killer Queen, The March Of The Black Queen e Bring Back That Leroy Brown (DISCO DOIS).

Live at the Rainbow ’74
Artista: Queen
País: Reino Unido
Lançamento: 8 de setembro de 2014
Gravadora: Virgin EMI, Hollywood
Estilo: Rock, Hard Rock

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.