Home FilmesCríticasCatálogos Crítica | Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

Crítica | Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

por Ritter Fan
650 views (a partir de agosto de 2020)

  • Respondam a enquete ao final do artigo!

Continuações são sempre problemáticas e, em regra, não deveriam existir para dar espaço a mais filmes originais. Mas elas existem e é um fato que não podemos simplesmente ignorar. Portanto, é um prazer quando o cineasta acerta em cheio nelas, como é o caso da Trilogia Indiana Jones da década de 80 que apresentou, desenvolveu e “encerrou” a história de um dos mais fascinantes personagens de aventura da Sétima Arte em três obras diferentes e que se justificam plenamente. Mas, como nada de sucesso em Hollywood descansa para sempre, George Lucas e Steven Spielberg, quase 20 anos depois de Indiana Jones e a Última Cruzada, voltaram para sua mina de ouro, com Harrison Ford mais uma vez vivendo o icônico arqueólogo, mesmo no alto de seus então bem vividos 66 anos (e esta seria apenas a primeira vez que Ford voltaria a encarnar versões bem mais velhas de seus mais clássicos papéis oitentistas).

Mesmo tendo sido bem-sucedido na bilheteria, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal foi, comparativamente aos demais, mal recebido pela crítica especializada e, até hoje, o público em geral o considera o pior filme da franquia. De fato, isso ele definitivamente é, mas ser o pior de uma série desse naipe nem de longe significa que se trata de uma obra ruim, algo que não se pode dizer, por exemplo, daquela outra franquia a que George Lucas voltou a partir de 1999, resultando em uma trilogia aviltante.

No entanto, para realmente aceitar e divertir-se com O Reino da Caveira de Cristal, o espectador precisa compreender aquela que é ao mesmo tempo a maior virtude e o maior equívoco do filme: a vontade de Lucas e Jeff Nathanson, que bolaram a história, e o roteiro de David Koepp, que lhe deu forma, de homenagear, criticar e citar muita coisa ao mesmo tempo. Se os filmes anteriores tinham histórias inspiradas no estilo pulp de livros e serials dos anos 30 e 40, o quarto filme, que se passa em 1957, agrega a isso (a) críticas à Guerra Fria encapsuladas em três vertentes, a paranoia anti-comunista, os testes nucleares nos desertos americanos e a restrição à liberdade de expressão da Era Macartista; (b) uma homenagem aos filmes de invasão alienígena que tomaram Hollywood nos anos 50 e que também eram, em muitos casos, frutos da Guerra Fria; (c) citações às teorias mirabolantes que diziam que alienígenas teriam sido responsáveis pela evolução de diversas civilizações na Terra, algo encapsulado no clássico Eram os Deuses Astronautas, do suíço Erich von Däniken, de 1968; (d) uma homenagem aos filmes de “juventude transviada”; (e) outros elementos à mitologia de Indiana Jones, como seu quase casamento com Marion (Karen Allen voltando à série) e o filho que ele não sabia que tinha, além das mortes de Marcus Brody e de seu pai e (f) diversas citações aos demais filmes da série.

Enquanto é ótimo ver todos esses elementos fortemente presentes ao longo de toda a narrativa, algo que dá estofo à história que começa com Jones sendo levado por um destacamento soviético comandado por Irina Spalko (Cate Blanchett, divertindo-se demais no papel) até o armazém da Área 51 onde vimos a Arca da Aliança ser guardada ao final de Os Caçadores da Arca Perdida para recuperar uma múmia que ele analisara 10 anos antes, parte de um plano maior da agente comunista para “dominar o mundo” com os poderes mentais dos “donos” das caveiras de cristal, a grande verdade é que é informação demais sendo despejada na projeção e que acaba levando à exageros que até hoje “mancham” a carreira do Dr. Jones no cinema, como a infame sequência da explosão nuclear a que ele sobrevive dentro de uma geladeira. Vê-se o potencial para um filme tão espetacular quanto os anteriores escorrer como areia pela mão a cada bombardeio visual de certa forma deslocado se levarmos em consideração o material que vimos nos anos 80.

A necessidade de Koepp em criar um “herdeiro” para Indiana Jones na figura de Mutt (Shia LaBoeuf), filho dele com Marion cuja existência ele ignorava faz sentido lógico se imaginarmos que talvez a ideia fosse passar o bastão para uma nova geração, mas a grande verdade é que o roteirista foi inábil em criar um personagem com uma verdadeira função narrativa na história (ele poderia ter sido facilmente substituído por uma mera carta de Ox ou Marion para Indy, se pensarmos bem) e LaBoeuf foi incapaz de, com o parco material que lhe foi dado – portanto, nem é muito sua culpa – construir um Mutt que fosse minimamente interessante. Em direta oposição a isso, há Irina Spalko, que brilha a cada sequência em que a vilão no estilo James Bond aparece, logicamente graças ao magnetismo de Blanchett e também Ox – ou Professor Oxley, para quem não tiver intimidade – vivido magistralmente bem pelo saudoso John Hurt.

As sequências de ação, ao contrário do que muitos costumam afirmar categoricamente, funcionam em sua maioria. Desde o começo American Graffiti ou Grease, com o “Greased Lightning” fazendo pega no deserto com os soldados soviéticos, passando por toda a sequência no armazém e na bizarra cidade fantasma (sans geladeira, claro), a perseguição de moto na faculdade, culminando com a corrida na floresta, incluindo as quedas nas geograficamente incorretas Cataratas do Iguaçu e a revelação de El Dorado, o que vemos é puro Indiana Jones, ainda que com um Steven Spielberg bem menos inspirado em evocar momentos verdadeiramente inesquecíveis. Novamente, ele peca no exagero como a interminável luta de espadas em cima dos carros e o tenebroso “momento Tarzan” com Mutt nos cipós, mas, em linhas gerais, o diretor acerta ao materializar as ideias de Koepp em um conjunto harmônico e aventuresco na veia de Sessão da Tarde.

Apesar de usar muitos efeitos práticos, uma produção de 2008 não poderia muito facilmente esquivar-se do CGI e, aqui, tenho para mim que Spielberg fez uma escolha premeditada – e, em última análise, incompreendida – em fazer a computação gráfica emular os efeitos práticos que seriam possíveis, até certo ponto, nos anos 80, trazendo um verniz “antiquado” ao filme que, sou o primeiro a afirmar, por vezes parece estranho. A falta de polimento, em muitos momentos, distrai o espectador, mas, por outro lado, cria um tom nostálgico que remete diretamente aos filmes clássicos da franquia. E, assim como em todo o resto, ao deixar o exagero imperar, Spielberg acaba errando e emudecendo a história em prol do espetáculo.

Mas, em meio a bons e maus momentos, uma coisa é constante: Harrison Ford. Mesmo chegando aos 70, o ator mantém no volume 11 seu carisma e faz o “Indiana Jones velho” com a mesma vivacidade – ainda que auto-consciente, elemento que o roteiro destaca e Ford abraça – que 20 anos antes. Quando argumentam que o que ele faz no filme não condiz com o que um homem dessa idade poderia fazer, eu normalmente digo que nem mesmo aquilo que o personagem faz quando seu intérprete tinha 39 anos (a idade de Ford em Caçadores) condizia com a idade. A suspensão da descrença – que nem é tão grande assim – está aí para isso e se tem uma coisa que essa franquia sempre exigiu de seus espectadores foi justamente isso.

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal não deveria ter existido, mas o filme existe e, se ele não é comparável em qualidade às obras anteriores – e não é mesmo – ele mesmo assim proporciona divertidas duas horas aos espectadores que evitarem comparações e souberem relaxar para ver um dos mais icônicos personagens da Sétima Arte singrar as telonas mais uma vez. Vinte anos depois de cavalgar ao por do sol, a volta de Indiana captura a essência do personagem e ativa a parte do cérebro responsável por aquele gostoso sentimento de nostalgia pura.

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull, EUA – 2008)
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: David Koepp (baseado em história de George Lucas e Jeff Nathanson e personagens de George Lucas e Philip Kaufman)
Elenco: Harrison Ford, Cate Blanchett, Karen Allen, Shia LaBeouf, Ray Winstone, John Hurt,  Jim Broadbent, Igor Jijikine, Dimitri Diatchenko, Ilia Volok, Alan Dale, Joel Stoffer, Neil Flynn
Duração: 122 min.

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41 comentários

Alex Lordelo 30 de novembro de 2020 - 10:30

O que acha da produçao do Indiana jones 5? sera que sai?

Responder
planocritico 30 de novembro de 2020 - 12:01

A cada ano que passa em que ouvimos que o filme está em produção e ele não sai, eu duvido mais que sairá. O Harrison Ford já passou da idade há muito tempo e o que eu gostaria, se é mesmo para ter mais um filme da série, era que substituíssem o ator.

Abs,
Ritter.

Responder
Alex Lordelo 3 de dezembro de 2020 - 19:23

Qual seria o melhor ator hoje, para viver o indiana?

Responder
planocritico 3 de dezembro de 2020 - 19:23

Eu por acaso soltei essa pergunta hoje no bom dia da página de Facebook do site e a resposta que mais gostei e que subscrevo é: Timothy Olyphant!

Abs,
Ritter.

Responder
Alex Lordelo 6 de dezembro de 2020 - 20:08

Ele ja é bem Rodado, foi o Vilão em Duro de Matar 4.0.

Mateus Sousa 8 de julho de 2020 - 07:24

Na real, eu vi Indiana Jones essa semana e ainda digo: O Templo da Perdição é o meu favorito. Os caçadores da Arca Perdida é igualmente excelente, já vi duas vezes, porém o templo da perdição segue sendo o que mais gosto.

Dito isso, não tenho nenhum apego nostálgico e acredito que minha experiência com a suspensão de descrença dessa franquia seja diferenciada, pois, na minha cabeça, eu via o Indy como um super humano, quase um super-herói mesmo, fazendo coisas impossíveis e incríveis, talvez por isso, ame tanto todos os exageros do 2o filme.

Enfim, tratando-se deste longa, apesar de ser o pior da franquia é bastante divertido e nada burocrático como o 3o, mesmo esse sendo melhor, no mais mesma nota que a sua.

Responder
planocritico 9 de julho de 2020 - 15:36

Eu sempre digo que eu não consigo dizer qual é meu favorito. Adoro os três primeiros. Acho Templo da Perdição incrível. E sim, é assim que Indy precisa ser interpretado mesmo: um super-humano, um cara invencível. É o típico herói de filmes de ação e de aventura!

Abs,
Ritter.

Responder
Igor Catarino Batista 21 de junho de 2020 - 14:58

Sou de 98, logo não vi nenhum dos clássicos nos cinemas. Talvez por isso não tenho a nostalgia impregnada em meu imaginário. O que pode ter me deixado mais crítico com a trilogia original. Mesmo assim sou fã do Dr. Jones desde criança. Quando assistia aos filmes em maratonas intermináveis e jogava aos jogos no PlayStation 2 sem nem piscar.
Ao meu ver o 4º filme é uma ótima homenagem e serve como boa sequência a franquia clássica, pelo menos se comparado aos recentes e grotescos reebots de Star Wars e Jurassic World. Não consigo considerar o 4º filme “o pior da série”. Pois ele é fiel aos antecessores até nos pontos fracos.
Corro o risco de ser anacrônico, mas a trilogia “original” é datada. Vilões que não fogem ao clássico malvadão maniqueísta que tenta usar poderes sobrenaturais pra dominar o mundo, por que sim. Um protagonista que nunca é atingido por tiro nenhum e tem uma sorte que desafia a física. Cenários exóticos com belas mulheres…
Pra mim o 2º filme, “O Templo da Perdição”, é o verdadeiro “o pior da série”. Pois já naquele filme existem elementos mal resolvidos, personagens mal escritos e inúteis, efeitos práticos toscos e muita, muita suspensão de descrença. Ou vocês já se esqueceram da cena em que Indi e mais duas pessoas (dois dos meus “personagens inúteis” favoritos) se jogam de um avião, sabe-se lá a q altura, tendo somente um bote inflável como “para quedas” e sobrevivem sem arranhões ou escoriações? Temos que admitir, a suspensão da descrença é quase um personagem nos filmes.
Assim digo que Indiana Jones nunca foi marcante por conta dos personagens bem escritos, ou por conta dos ótimos roteiros. E sim por ser um apanhado de aventuras por cenários exóticos regadas a muito misticismo e diversão conduzidos por um protagonista carismático. Que bem, é tudo o que o “Reino da Caveira de Cristal” nos oferece.

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planocritico 21 de junho de 2020 - 16:22

A trilogia original é datada porque os vilões são malvadões e tentam usar os poderes para dominar o mundo? Mas isso é algo que vem da origem do Cinema de ação, algo que Indiana Jones inclusive diretamente homenageia desde o primeiro filme, com referências aos serials dos anos 40. Não vejo como isso pode datar um filme, muito sinceramente.

Sobre a suspensão da descrença, isso precisa ser interpretado junto com lógica interna e não separadamente. Estamos vendo um filme de aventuras em que o herói é sim imortal e é sim a prova de balas e que se esconde de tiros de metralhadora usando um gongo rolante em um salão de festas enquanto tenta salvar a dançarina que tem o antídoto para o veneno que acabou de tomar em seu sutiã. A lógica interna continua intacta com o uso de um bote como paraquedas. Ilógico seria se ele chegasse ao solo com o braço quebrado, com a bacia quebrada e precisasse passar 12 semanas em um hospital de ponta e, depois, mais seis meses de fisioterapia em uma clínica. Portanto, muito sinceramente, a suspensão da descrença é bem mais fácil em Templo da Perdição do que em diversas obras recentes de ação que vemos por aí…

Abs,
Ritter.

Responder
Igor Catarino Batista 22 de junho de 2020 - 21:18

Sobre os filmes serem datados descordamos. E está tudo bem. Mas sobre a suspensão de descrença acho que não fui claro. Eu não apontei os absurdos, que são sim coerentes com a “lógica interna”, da série pra diminuí-la e sim como argumento de que não faz sentido reclamar da famigerada cena da geladeira pois ela é coerente com a “lógica interna” da franquia.

Abs,
Igor.

Responder
planocritico 22 de junho de 2020 - 22:17

Ah, agora entendi! Beleza!

Abs,
Ritter.

Responder
mário Paz 3 de fevereiro de 2019 - 17:08

Na minha modesta opinião, um dos grandes “inimigos” do filme é a inexorável passagem do tempo, onde você não consegue mais reconstruir as circunstâncias que levaram as pessoas a amar a trilogia inicial…o excesso de informações, você sabe detalhes da filmagem, pré-produção, que determinado ator se machucou, o enredo e mcguffin são amplamente conhecidos…tudo isso tira a mística de qualquer filme, e filmes como Indiana Jones baseados fundamentalmente nisso sofrem demais nos tempos modernos…em tempos sem internet, quem é mais velho certamente assistiu aos filmes originais nas mesmas condições do que eu, onde você invariavelmente tinha os primeiros contatos com o filme, o enredo e até mesmo os atores nas poltronas de cinema, ou ao inserir o VHS no vídeo cassete…a surpresa causava aquela injeção de dopaminas…além disso, os excessos de efeitos em CGI só aumentam o distanciamento afetivo dos antigos fãs…

Responder
planocritico 3 de fevereiro de 2019 - 17:38

O filme tem diversas falhas, mas seu diagnóstico sobre as produções da era da internet e da computação gráfica pesada é, diria, perfeito!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 11 de dezembro de 2018 - 15:17

Reclama não. Eu joguei o do Atari NO Atari, com aquelas fitas que tinham que ser sopradas para funcionar.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 10 de dezembro de 2018 - 17:49

O único jogo do Indiana que joguei na vida foi o primeirão do Atari!!!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 10 de dezembro de 2018 - 17:48

Foi mal aproveitado, mas Hurt mandou bem com o material que tinha! Diferente do LaBouef como Mutt…

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 10 de dezembro de 2018 - 17:46

Ele poderia mesmo ter sido muito melhor, mas ele também poderia ter sido muito pior. No final, confesso que comprei a ideia e gosto do filme. Não é um “eu gosto” como eu gosto dos outros três, nem de longe na verdade, mas ainda assim eu gosto.

Abs,
Ritter.

Responder
Tadeu De Barcelos Ferreira 10 de dezembro de 2018 - 04:10

Cara, até curto algumas coisas deste filme, mas acho que ele também poderia ter sido melhor desenvolvido. E a ideia de que o Short Roun deveria ter voltado é simplesmente incrível como diz nosso colega Dan ai embaixo, uma ideia de mestre seria essa… mesmo assim, não odeio esse filme de todo, mas uma coisa é certa: há na internet um roteiro do que seria o REAL Indy 4, em inglês, com personagens bem mais interessantes! E para mim, o real Indy 4 é o Fate of Atlantis, saudoso Adventure da Lucasarts, mais que recomendo…

Responder
planocritico 7 de agosto de 2018 - 18:03

Concordo com muita coisa que você levanta, especialmente em relação ao Mutt. Haja personagem mal escrito.

Mesmo assim, ainda acho Caveira de Cristal um filme bom, mas que, claro, não chega aos pés dos três clássicos.

Abs,
Ritter.

Responder
Dan 7 de agosto de 2018 - 16:25

Se certamente Caveira de Cristal não é uma volta à franquia tão pavorosa quanto foi aquela outra trilogia do tio George, tb não dá para considerar que este seja um bom filme.

Engraçado que gosto de todas as peças colocadas no filme, muito bem referenciadas no terceiro parágrafo da crítica, mas para mim elas simplesmente não funcionam como deveriam. A maior parte das pessoas cita o McGuffin alienígena como o grande problema da obra, mas eu realmente acredito que, por se passar nos anos 50, a escolha foi mais do que acertada. Alienígenas e conspirações comunistas tem tudo a ver com a época em que o filme se passa, e penso que à homenagem aos filmes daquele período é totalmente válida. Também acho interessante que se inverta à abordagem de Indy, passando ele de filho para pai ausente.

Enfim, o filme tinha tudo para dar certo, mas no meio do caminho as coisas desandam. Logo na primeira cena, ao ver o logo da Paramount se transformar num montinho de areia que dá lugar à piadinhas rasteiras com aquele bicho fofinho já senti um frio na barriga, ali estava o dedo do George Lucas da trilogia prequel de Star Wars…

Dali para frente posso dizer que gosto demais da personagem da Cate Blanchett e da cena que começa no bar e se estende por uma longa perseguição de moto, mas de resto acho tudo muito raso e sem carisma ou inspiração.

Por falar em falta de carisma, não posso deixar de citar o Mutt, pra mim o Jar Jar de Indiana Jones. Em uma recente revisita ao filme, me peguei pensando que ao invés desse filho biológico, a franquia poderia ter trazido de volta outra figura dos filmes passados para atuar como “filho” do Dr Jones: Short Round.

A platéia não tem identificação nenhuma com o Mutt (e acredito que não foi surpresa para ninguém quando é revelado ser filho de Jones), já o Short Round traria uma carga emocional maior ao filme. Já vimos o personagem como filho de Indy em Templo da Perdição, e descobrirmos que o arqueólogo foi tão distante ao garoto que o tinha como figura paterna quanto seu próprio pai foi consigo, seria um arco interessante de vermos na tela. Fora que, se a ideia era trazer um personagem novo para dar seguimento à franquia, faz todo sentido que adulto Short Round teria seguido os passos de Indiana e se tornado arqueólogo tb. Enfim, isso foi só um devaneio meu. É obvio que Hollywood não apostaria suas fichas num ator chinês.

Enfim, não que eu odeie Caveira de Cristal, mas acho que seus personagens pouco carismáticos (com exceção do principal e da vilã), seu roteiro confuso e suas cenas de ação pouco inspiradas o deixam muito aquém da trilogia oitentista.

Responder
planocritico 7 de agosto de 2018 - 14:11

O filme tinha um potencial enorme de ser ótimo se Connery estivesse no elenco, pois o tipo de interação seria diferente da com o John Hurt.

Abs,
Ritter.

Responder
Tadeu De Barcelos Ferreira 10 de dezembro de 2018 - 04:12

Pior que o Hurt foi outro personagem mal desenvolvido, pois ele fica em modo zumbi o filme inteiro, praticamente com o ator não atuando, uma pena mesmo. E esse filme tem um bocado de coisas desperdiçadas, como a queda nas cachoeiras, em que só se ouve os gritos dos personagens, a geladeira (que até curtia na época, mas hoje, putz!!!!), os índios que depois morrem do nada, enfim, uma caralhada de coisas. E o Mutt realmente tinha potencial, mas fora mal desenvolvido…

Responder
Cleison Miguel 6 de agosto de 2018 - 17:31

Vi no cinema e não me lembro de ter visto ele de novo (o que não é o caso dos 3 primeiros – com reiteradas sessões ao 1 e 3, também não sou muito fã do 2)… enfim, se compararmos o quarto filme com os anteriores ele é péssimo, mas em minha opinião, se só houvesse ele também acredito que acharia bem ruinzinho.

Faltou (mas não concertaria) a figura do pai do Indy, era evidente que o papel desempenhado pelo professor foi feito para o Sean Connery e sua falta é sentida na relação entre os dois (indi pai e filho).

Também faltou construir qualquer interesse pelo filho (aborrecido) do Indy. Figura completamente desnecessária (compreensível a ideia, como você ressaltou na crítica, mas mal desenvolvida).

Nota 5 no máximo para esse filme.

Responder
planocritico 6 de agosto de 2018 - 17:49

Sem dúvida esse filme é o que menos vi dos quatro. Conto em duas mãos a quantidade de vezes que o assisti, enquanto que, no caso dos outros, preciso de um ábaco…

Sobre a figura do pai, Sean Connery foi chamado, mas ele já tinha se aposentado do cinema na época e não aceitou voltar. Uma pena realmente, mas John Hurt manda MUITO bem como Ox.

No caso do filho, realmente um desperdício completo…

Mas, no final das contas, gosto bem mais do que você!

Abs,
Ritter.

Responder
Cleison Miguel 7 de agosto de 2018 - 10:10

Eu lembro dessa questão do Connery, uma pena ele não ter voltado para mais esse filme.

Verdade, Hurt faz bem o papel, ainda assim, fica aquele gosto de que a figura ali era para ser o pai do Indy.

Gosto tem dessas coisas, ainda bem 😉

Abs

Responder
planocritico 6 de agosto de 2018 - 14:42

Mas é que muito do que Von Daniken escreveu em Eram os Deuses Astronautas (recomendo a leitura, aliás, como diversão de final de semana) são conclusões retiradas a partir das “pesquisas” dele no Peru mesmo, com os Incas, então era mais lógico que a civilização fosse peruana. Além disso, o prólogo de Caçadores da Arca Perdida se passa no Peru e, como Caveira de Cristal é auto-referencial, como mencionei, essa volta ao começo é estruturalmente perfeita.

Abs,
Ritter.

Responder
JC 6 de agosto de 2018 - 14:27

Eu não consegui gostar muito do roteiro, poxa, poderiam ter levado em contas tantas outras coisas legais, os Mais, Astecas….mas o principal, que seria uma barbada, o Segredo de Atlântida, inclusive, vem de um dos jogos mais legais dele.

Essa história de ET´s me tirou um pouco o gosto, mas ainda assim considero um filme pipoca bem divertido.

Responder
Tadeu De Barcelos Ferreira 10 de dezembro de 2018 - 04:14

The fate of Atlantis é um jogo indispensável para os fãs do arqueólogo… mas joguem sem usar detonados, para assim o sabor do game ser ainda maior!

Responder
JC 11 de dezembro de 2018 - 14:13

Eu sou veio…joguei esse troço no PC, instalando com disquetes.

Imagina o sofrimento que foi algumas partes.
Principalmente a combinação das pedras.

Eu fiz até um esquema num caderno pra não me perder…..

Responder
planocritico 6 de agosto de 2018 - 14:13

Ah, entendi agora. Aí estamos de acordo. Foi mais um uso equivocado do CGI no filme, infelizmente.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 6 de agosto de 2018 - 12:09

Cara, matou a pau na definição: “a quadrilogia Indiana Jones é uma das melhores quadrilogias de Hollywood”.

Exatamente!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 6 de agosto de 2018 - 12:08

É bem por aí. Gosto um pouquinho mais do que você, mas, em essência, concordamos.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 6 de agosto de 2018 - 12:08

Não precisaria ter sido feito, sem dúvida (nem o próximo). Mas ainda tem seu valor.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 6 de agosto de 2018 - 12:07

Obrigado, @frmulafinesse:disqus ! É bom ver mais gente que aprecie – ainda que com moderação – esse quarto Indiana Jones. Concordo quase totalmente com seus comentários! Minha única discordância é sobre o “E.T. genérico”, pois, para mim, o objetivo foi justamente esse, de espelhar aquele tipo de E.T. que era “marca registrada” de uma era: braços longos, cabeção, olhos pretos etc.

Abs,
Ritter

Responder
Fórmula Finesse 6 de agosto de 2018 - 13:38

Me expressei mal, acho que confundi e.t. genérico com a preguiça na construção do mesmo; creio que – mesmo em 2008 – daria para fazer algo melhor, mais crível. Aquele e.t. estava na proa de uma produção que custou mais de cento e cinquenta milhões de dólares. Arrisco a dizer que uma versão animatrônica, depois da fusão dos esqueletos/entidades, faria papel melhor.

Responder
Fórmula Finesse 6 de agosto de 2018 - 09:14

Ótima crítica, cheia de sentido. Esse filme nunca pode ser descartado, mas puxa, como ele poderia ter sido bem melhor se tivesse sido trabalhado com mais cuidado em algumas partes; todo mundo queria ver Indiana de volta, e ficou um travo amargo na boca, no final…
E as ideias eram boas: a sequência inicial, a perseguição na universidade, a luta no cemitério (de assustar a primeira movimentação do “zumbi”)…um monte de coisa boa. Até a parte da geladeira eu curti, pois era um tipo, um quilate de ameaça até então inédito para o Dr.Jones; tivesse trabalhando o final isso (um Indiana bem machucado), a coisa não soaria tão estranha.
Teve até morte horripilante de um vilão (formigas), link direto para o fim do gigante de turba, no “Templo da Perdição”.
Mas aí teve CGI onde não precisava (caminhão digital saltando sobre o jipe, os macacos, E.T. genérico…etc) e mais um monte de estranhezas. O ritmo cai, com um Indy – que fora a ótima luta com o russo e com os soldados no jipe – já não faz muita coisa, parecendo sempre ceder espaços ao resto da equipe.
Poderia ter sido ótimo, faltou algum polimento, algum cuidado…

Responder
Anônimo 6 de agosto de 2018 - 08:07
Responder
jhonatan diego 5 de agosto de 2018 - 22:46

Eu acho esse filme bem ok, ele não é ruim, tem seus momentos inspirados como a perseguição de moto ou a cena da areia movediça, mas ele simplesmente tem uma história q não me prendeu, nos outros vc se sentia envolvido com a história e a investigação e nesse vc naosente nada.
Não acho horrível como muitos acham mas tá longe de ser tão bom quanto os outros. A minha nota seria 3 estrelas

Responder
Gabriel Carvalho 5 de agosto de 2018 - 20:01

Tem tanta coisa que eu gosto nesse filme, mas realmente ele não se encaixa no escopo de encantamento causado pelos demais. A cenas nos cipós é mesmo constrangedora, mas eu amo Harrison Ford saindo da geladeira depois de uma explosão atômica. Enquanto a trilogia Indiana Jones é uma das melhores trilogias de Hollywood, a quadrilogia Indiana Jones é uma das melhores quadrilogias de Hollywood.

Responder
Thiago Lima 5 de agosto de 2018 - 18:29

Particularmente não desgosto desse filme. Desnecessário? Certamente que sim. Mas em momento algum prejudica a trilogia original ou o saudosismo por ela. Eu penso nesse filme mais como uma homenagem à franquia em si do que como uma quarta parte da mesma. Pensando assim o resultado fica bem mais divertido.

Responder
planocritico 5 de agosto de 2018 - 19:00

Penso exatamente como você, @disqus_a0ySOsouoL:disqus !

Abs,
Ritter.

Responder

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