Home FilmesCríticas Crítica | Infinito (2021)

Crítica | Infinito (2021)

por Iann Jeliel
4.669 views (a partir de agosto de 2020)

O primeiro filme original do catálogo de streaming da Paramount, no papel, possui ideias até bastante originais dentro de um recorte recente dos blockbusters de ação. Vendido como um “novo Matrix” em alguns lugares, o longa de Antoine Fuqua traz um conceito interessante e uma mitologia promissora de ser aliada ao espectro do exercício de gênero. Por isso a comparação, que poderia considerar Missão Impossível e Velozes e Furiosos no meio da mistura também. Infelizmente, o que Infinito tem de personalidade em premissa e estilo se esvazia quando pensamos no espectro motivacional relacionado à trama, que a faz entrar num território genérico, impedindo que a junção do conceito e a ação se tornem coerentes, sem parecer que o propósito por trás seja simplesmente bobo.

Há um problema grave aqui em termos de montagem, não no que tange à edição sequencial das cenas, mas dos eventos ocorridos em estrutura narrativa. Parece um filme prejudicado em pós-produção, que se inicia sem confiar no próprio taco. A cena inicial traz uma narração que explica a base do conceito da história, antes de na própria história ela ser explicada. Teoricamente, essa investida é para deixar o filme “menos confuso”, mas o torna duplamente confuso sem necessidade. Na cena seguinte, temos uma perseguição de carros onde um personagem misterioso (Dylan O’Brien) realiza feitos impossíveis e usa certos poderes que não encaixam em nada com a explicação dada anteriormente. Logo depois, vamos conhecer o protagonista, Evan McCauley (Mark Wahlberg), que assim como o Neo, é uma espécie de escolhido vindo do lugar comum, ou seja, é a pessoa normal que nos guiará através das explicações dos conceitos da sociedade secreta dos Infinitos, da qual ele faz parte, de forma progressiva, para somente no final encaixar com a sequência da abertura.

Em outras palavras, a explicação de início só é feita para o telespectador não se perder, mas o filme em si quer esse desnorteamento de princípio, como gatilho chamativo à história. Desse modo, quando chega o segundo ato, praticamente inteiro dedicado à verborragia, o estímulo de aprender sobre aquele universo através da funcionalidade da ação é escanteado para aprendermos algo que já sabemos, mesmo sem o contexto exato, por isso é confuso. O filme perde o efeito da descoberta de um novo mundo, que nem fica claro ser tão secreto assim, já que não é explorada nenhuma repercussão dos arredores da guerra entre essas sociedades secretas.

Recortando isoladamente, tirando as didatizações precoces, há alguns elementos interessantes a serem destacados no primeiro ato. Primeiro, na subversão de etapas da jornada do herói que, por exemplo, ao invés de relutar sobre seu destino, fica mais curioso com o que está acontecendo ao seu redor. Segundo, a proposta da ação de Fuqua, que aplica aquele seu realismo urbano característico a uma estética de maior escopo pelas possibilidades dos personagens em terem habilidades de encarnações temporais diferentes. Por fim – e aí está também o problema –, as possibilidades de discussões ideológicas das diferentes facções formadas pelas pessoas com essa capacidade.

O início da conversa levanta discussões existencialistas pertinentes, mas como disse, a motivação para a ação acontecer, ou seja, a guerra entre os “Infinitos”, acaba não sendo por divergências de pensamento do que fazer com poderes para a humanidade, e sim por algo bem mais bobo e clichê, como planos de destruição mundial por parte do vilão, Bathurst 2020 (Chiwetel Ejiofor – bem fraco no papel). Isso, por consequência, diminui o peso que o texto investe em querer dar relevância a esses dilemas, tornando-os desinteressantes, e no fim das contas, desviando o foco do que foi interessante no chamariz inicial, que é a ação, resguardada somente para o final, mas sem o benefício de estarmos conhecendo aquele mundo curiosos sobre o que ele tem a oferecer, ou seja, sem qualquer impacto emocional ou senso de relevância.

Uma pena, porque Infinito tinha potencial em conceito e nomes por trás da produção para se destacar com sua mistureba de modo autêntico. Visualmente, ainda entretém, mas é daquelas diversões que você esquece antes de chegar nos créditos.

Infinito (Infinite | EUA, 2021) Infinito
Direção: Antoine Fuqua
Roteiro: Ian Shorr, Todd Stein (Baseado no livro The Reincarnationist Papers de D. Eric Maikranz)
Elenco: Mark Wahlberg, Chiwetel Ejiofor, Sophie Cookson, Dylan O’Brien, Jason Mantzoukas, Rupert Friend, Toby Jones, Jóhannes Haukur Jóhannesson, Liz Carr, Kae Alexander, Tom Hughes, Joana Ribeiro, Wallis Day, Alicia Charles, Mark Fleischmann, Lloyd Griffith, Jack Roth
Duração: 106 minutos

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