Crítica | Ingmar Bergman – Reflexões Sobre a Vida, a Morte e o Amor

estrelas 3,5

Alguns documentários nos fazem pensar melhor sobre nossas vidas e nossa opinião a respeito de algum cineasta, sua obra, suas motivações e inspirações. O interessante Ingmar Bergman: reflections on life, death, and love (1999), dirigido por Stefan Brann é um desses filmes que nos atiçam a memória e nos fazem desenterrar pulsões, rancores e vivências ao julgarmos e conhecermos a vida de um artista.

A película de menos de 1h é o resultado de uma longa entrevista concedida por Ingmar Bergman e seu grande amigo Erland Josephson, dois gigantes do cinema e do teatro sueco, falando sobre a relação de ambos com os filhos, as mulheres, a carreira, o envelhecimento e a morte, temas constantes nas obras individuais e conjuntas dos dois homens.

Os dois conheceram-se quando Josephson tinha 16 anos e Bergman 21, o que faz da entrevista um filme de confissões, um desfile da óbvia cumplicidade entre eles; de uma amizade de mais de 50 anos, cheia de complicações, tristezas e felicidades de ambos os lados, que não só mantiveram o lado pessoal mas também profissional juntos por tanto tempo. Ao falarem sobre lembranças e impressões um do outro e também da vida, vemos nuances escondidas, ouvimos segredos da produção de alguns filmes e entendemos, ao menos um pouco, o que moveu cada um deles no decorrer das décadas, sentimento refletido aqui e ali em um roteiro, na escolha da montagem de uma peça, de um texto de terceiros para atuar ou dirigir.

Particularmente nunca havia visto nada parecido no cinema, de dois amigos e parceiros de trabalho por tanto tempo dialogarem sobre suas carreiras, sobre suas parcerias e sobre os mais diversos temas sociológicos e filosóficos possíveis. Tanto Bergman quanto Josephson compartilham experiências vividas que nos fazem viajar para o momento onde muitas das grandes obras do cinema europeu do século XX estavam apenas nascendo. A arte, aqui, é apresentada como o grande refúgio desses dois velhos solitários que negligenciaram amigos e amores para estarem consigo mesmos e com aquilo que mais amavam fazer: dirigir e atuar; teatro e cinema. É doloroso, é discutível e ao mesmo tempo é carregado de um compromisso e beleza interessantíssimos.

Curioso que durante a entrevista nada se fala a respeito dos filmes que fizeram juntos, apenas de suas carreiras à parte ou em torno um do outro. Sobre esse assunto, temos um outro documentário, A Busca Pela Sanidade (Greg Carson, 2004), uma curta entrevista de 26 minutos com Liv Ullman, Erland Josephson e Ingmar Bergman sobre o processo de produção de alguns filmes, com destaque para o único terror de Bergman, A Hora do Lobo. Portanto, Reflexões… é um filme muito mais sobre os homens por trás dos filmes, os frágeis seres humanos por trás de suas brilhantes carreiras do que de seu trabalho em conjunto.

Para os espectadores reclusos por natureza, e para os admiradores de ambos os entrevistados, Reflexões... é um prato cheio para desfrutar com muito gosto. Um documentário de forma e conteúdo excelentes e com assuntos essenciais discutidos por dois dos maiores artistas do século XX.

Ingmar Bergman – Reflexões Sobre a Vida, a Morte e o Amor (Ingmar Bergman: reflections on life, death, and love) – Suécia, 1999
Direção: Stefan Brann
Roteiro: Stefan Brann
Entrevistados: Ingmar Bergman e Erland Josephson
Duração: 52min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.