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Crítica | “Inspired by True Events” – Tori Kelly

Completamente Tori Kelly, em alto e bom som.

por Davi Lima
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True Events

Depois de uma transição abrupta em quesitos temáticos entre Unbreakable Smile e Hiding Place, Tori Kelly faz seu primeiro grande álbum que parece inteiramente dela. Entre o pop ritmado e o blues melódico, seu R&B fica mais evidente que nunca, numa necessidade de um projeto mais íntimo e dramático. Inspired by True Events é como uma série televisiva de drama dividida em 5 partes, em que os recortes são fatos históricos de Tori, enquanto a exposição deles são ficcionalizados com sua apurada capacidade de colorir o campo harmônico das músicas com sua voz. Com uma ou duas músicas que se parecem bem mais com o produtor Jimmy Napes (Sam Smith, Disclosure), o terceiro trabalho da carreira de Tori não mostra apenas maturidade como concretiza sua visão cristã sobre o mercado musical.

Se em Unbreakable Smile havia vibes feministas e da vida glamourosa sobre Tori Kelly envolta de produtores que a ajudavam a emular outras famosas do pop, Hiding Place foi uma aventura de adoração vertical no gospel, com muitas parcerias musicais e aventuras pelos estilos que a cultura negra musical proporciona inteirar no gospel, com ajuda de Kirk Franklin. Agora, sem feat de nenhum amigo ou parceiro musical, o solo de Tori faz um mix artesanal de discografia narrativa com seu estilo ritmado e animado de seus melismas. É um equilíbrio de alguém que tinha 2 ou 3 músicas autorais entre seus álbuns, agora implementa datas de momentos de sua vida como divisões temáticas para acompanhar o álbum. Claro, isso é uma contribuição de Jimmy Napes em explorar com Tori a possibilidade de vídeos da infância como inspiração para a composição do álbum, além de outros amigos que ajudam na formação das letras musicais. Mas o foco aqui é como há muito de Tori em grande porcentagem das faixas, especialmente de suas novas fases da vida.

Ela comenta em entrevistas que muito da construção do disco envolve seu casamento, o que explica Coffe, Change Your Mind, Language e Two Places. Coffe é a música sem recorte, que tematiza todo o motivo do álbum. É o que tem o vocal mais elaborado, é o que tem o violão de Kelly mais elaborado na música como um todo, que retrata os aspectos mais caseiros que um casamento pode proporcionar, junto com ritmos engrenados a melodia dos acordes. Essa mistura determina muito dos sentimentos de várias outras músicas. Enquanto isso, as outras canções citadas se direcionam mais à relação de Tori com o esposo na época que namoravam e estavam distantes, ou como ela necessitou convencer o pai acerca do futuro parceiro. É todo um sistema de três músicas seguidas que mostram que ela quer ser amada, mostrando problemas, se expondo quanto a isso.

Nessa toada de exposição outros recortes vão mais fundo, como falar do contraste da lembrança da infância e do envelhecimento. Pretty Fades e Kid I Used to Know tematizam bem esse assunto, num misto de aceitação e dramaticidade do conflito. Esses dois pontos aparecem no ritmo mais pop que Tori escolhe como True Events. Se há o equilíbrio perfeito das melodias e ritmos em Coffe, uma melodia maior e maior drama no recorte sobre o casamento, o pensar sobre envelhecimento e tempo, coerentemente, se trata do ritmo, sobre inícios e fins das melodias. Pretty Fades tem muito mais uso dos instrumentos e  sons vocais que enfatizam impulsos, batidas, etc, e Kid I Used to Know ainda tem violoncelo e vocais que evidenciam ainda mais a prioridade dos ritmos.

Nesse processo de ficcionalização dos True Events, com base no título do disco sobre “Inspired”, o recorte temático que fala sobre os problemas do glamour da indústria são ironicamente mais pop usando mais percussão e violão. As letras e algumas inspirações se tornam repetitivas, como Lie e Actress, em que parecem complementos que Jimmy pede para encorpar o álbum, porém também evidencia ainda o processo de maturidade de Tori, naturalmente. Junto a esse tema, ela inclui traços românticos nas letras, possivelmente se referindo de novo à temática do casamento, mas dentro desse contexto do glamour, em que os tempos de cada um do casal são diferentes, até mesmo para se deitar na cama. 

A verdade é que o recorte temático pós faixa de trilha 3/2/1991 parece encorpar tudo o que foi explicado no primeiro e segunda parágrafo desse texto sobre a carreira de Tori Kelly, ao ponto de Until I Think of You ser uma canção cristã e de transição para a última parte do álbum. Durante seus True Events ela encontra redenção no que ela tem aprendido como ser cristã na indústria musical. Por isso, Your Words e a presença da oração do avô de Tori uma faixa antes inicia o recorte final do disco. Inspired by True Events é um dos melhores exemplos quando um artista cristão encontra sua alternativa primária para expressar contentamento, descontentamento e humanidade: contar sobre sua vida e sobre pontos ordinários como ponte com os ouvintes.

Isso é tão verdade que as 4 últimas faixas são de consolo em todas as temáticas de recorte do álbum. Before The Dawn, Until Forever e Minute To Myself finalizam em redenção todas as questões envolvendo seu casamento e suas exposições. Mas além disso, creio que Minute To Myself responde até mesmo a sua carreira, como uma pequena solitude que ela necessitava para produzir esse álbum de True Events. Como ela diz para todos, que explica o argumento sobre sua carreira e análise de seus álbuns:

I just need a minute to myself
No, I don’t need anybody else
Doesn’t mean I love you any less
It’s only for the best
It’d be good for our health
Cause I just need a minute to myself

Aumenta!: Your Words
Diminui!2 Places
Minha Canção Favorita do ÁlbumCoffe

Inspired by True Events
Artista: Tori Kelly
País: EUA
Lançamento: 09 de agosto de 2019
Gravadora: Schoolboy Records, Capitol Records
Estilo: R&B, Pop

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