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Crítica | Invasores de Corpos (1978)

por Leonardo Campos
718 views (a partir de agosto de 2020)

Ao longo da história do cinema os roteiristas, cineastas e demais profissões da realização fílmica adaptaram o vasto acervo literário produzido ao longo de uma tradição narrativa milenar. Há histórias que nunca envelhecem, tal como Hamlet e Macbeth, de Shakespeare, ou Invasores de Corpos, de Jack Finney. A obra rendeu quatro versões diretas para o cinema, além de outros filmes que flertam com as suas propostas. Prova Final, de Robert Rodriguez, por exemplo, é um deles, muito bem realizado, por sinal, haja vista a sua proposta descolada, pop e juvenil.

Sob a direção de Phillip Kaufman, a segunda versão do romance de Finney chegou aos cinemas em 1978 e alcançou sucesso nos aspectos críticos e financeiros. O filme agradou por conseguir captar o clima de paranoia e desespero da obra, ótimos ingredientes para o efeito catártico final, num dos desfechos fílmicos mais geniais do gênero. Com roteiro assinado por W. D. Ritcher, a obra é uma sucessão de acertos: direção cuidadosa, roteiro conciso e direto, sem cinismo, desempenhos dramáticos eficientes de seus atores e ritmo adequado no que tange aos aspectos da montagem.

No desenvolvimento do filme somos apresentados a Dra. Elizabeth Driscoll (Broke Adams), primeira personagem a desconfiar de que algo muito estranho está acontecendo na sua cidade, mas em especial, em seu casamento. O seu marido se comporta de maneira estranha, frio, distante e sem a capacidade de expressar qualquer sentimento. Ele parece ter sido substituído por outra pessoa. Ela leva a questão para o Dr. Matthew Bennel (Donald Sutherland), alegando que as coisas não vão bem, mas como é de se esperar neste tipo de filme, ele custa a acreditar, até que a epidemia está espalhada e o mal à espreita de todos.

A ação de desenvolve em São Francisco, com ótimo clima de suspense e perseguição. Apesar da manifestação ser bem interessante em ambientes menos cosmopolitas, a zona urbana torna-se um espaço funcional para o suspense que surge em progressão bem orquestrada. Phillip Kaufman fez a sua versão ciente da responsabilidade, haja vista o tom intocável de Vampiros de Almas, coisas que a crítica e o campo da cinefilia adoram reforçar. Por ser um clássico, o filme ganha uma aura que qualquer releitura se torna heresia. No caso de Invasores de Corpos, pode-se arriscar que o filme chega ao mesmo patamar do clássico.

O roteiro, excepcional, capta bem o clima de desconfiança e a busca pela sobrevivência. Num espaço em que não há a possibilidade de confiar em ninguém, o filme sufoca o espectador e causa todas as sensações necessários para o efeito adequado de uma boa narrativa fílmica: se tornar inesquecível, independente da experiência do espectador.

Novamente no que diz respeito aos aspectos semióticos, Invasores de Corpos possui um excelente trabalho de maquiagem e efeitos especiais. A trilha sonora, igualmente eficiente, aposta num clima de esquizofrenia e agonia, somada ao design de som que mixa muito bem os gritos estridentes dos envolvidos na conspiração alienígena. A manifestação destes seres é no desconfortável e assustadora, de acordo como deve ser, haja vista o seu ponto de partida, o claustrofóbico romance de Jack Finney.

Assim como as outras versões, o argumento do filme se torna mais interessante por não abordar, necessariamente, naves espaciais ou criaturas gigantescas. No filme, os alienígenas substituem os seres humanos, tornando-os cópias desprovidas de sentimentos e “humanidade”. Os esporos alienígenas vagam pelo espaço e adentrar a nossa atmosfera, sendo espalhado através das chuvas nas diversas manifestações de vegetação, situação responsável por catalisar a epidemia, e, por sua vez, a tragédia. .

Invasores de Corpos (Invasion of the Body Snatchers) – EUA, 1978.
Direção: Philip Kaufman
Roteiro: W.D. Richter
Elenco:Donald Sutherland, Brooke Adams, Jeff Goldblum, Veronica Cartwright, Leonard Nimoy, Art Hindle, Lelia Goldoni, Kevin McCarthy, Don Siegel, Tom Luddy.
Duração: 115 min.

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6 comentários

Claudinei Maciel 21 de outubro de 2016 - 21:14

Esse filme… assisti em uma matinê, três filmes pelo preço de um, no cine Sayonara, em minha cidade no início dos anos 80. Sempre era um de artes marciais (O Dragão de Shaolin, alguém?!?!?), um de terror/horror/suspense e um de ação.
Invasores de Corpos me surpreendeu e me deixou desconfortável com aquele final.
Saí do cinema com todas as sensações possíveis que bons filmes podem causar.
Havia esquecido que o Kaufmann tinha dirigido.
Boas atuações, uma fotografia e efeitos bons e uma história muito boa.
Cinema com C maiúsculo. E ainda não consegui achar para a minha videoteca…
#xatiado
Abraço!!

Responder
Claudinei Maciel 21 de outubro de 2016 - 21:14

Esse filme… assisti em uma matinê, três filmes pelo preço de um, no cine Sayonara, em minha cidade no início dos anos 80. Sempre era um de artes marciais (O Dragão de Shaolin, alguém?!?!?), um de terror/horror/suspense e um de ação.
Invasores de Corpos me surpreendeu e me deixou desconfortável com aquele final.
Saí do cinema com todas as sensações possíveis que bons filmes podem causar.
Havia esquecido que o Kaufmann tinha dirigido.
Boas atuações, uma fotografia e efeitos bons e uma história muito boa.
Cinema com C maiúsculo. E ainda não consegui achar para a minha videoteca…
#xatiado
Abraço!!

Responder
RENATO 24 de agosto de 2019 - 17:45

Filmaço assisti pela primeira vez na tv globo em 1983,eu tinha 11 anos de idade e o filme sempre ficou na minha memória só fui assistir novamente por volta de 2005 esse eu tenho na minha videoteca.

Responder
Rene Had 22 de outubro de 2019 - 14:26

Eu tb assisti a primeira vez em 1983 na tv globo e nunca mais esqueci o filme. Eu tb tenho o dvd do mesmo. Nossa vc tem a mesma idade que a minha. Eu tb tinha 11 anos. Me lembro da cena do cachorro com cara de humano. Inesquecível. Um clássico de Philip Kaufman.

Responder
RENATO 24 de outubro de 2019 - 01:45

Verdade amigo

Responder
RENATO 30 de agosto de 2020 - 22:18

Verdade amigo

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