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Crítica | Invencível – 1X06: Eu Só Quero o Progresso

por Kevin Rick
1617 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leiam, aqui, a crítica dos episódios anteriores.

Depois do banho de sangue impactante de Essa Doeu de Verdade, era bem provável que o próximo episódio diminuísse o ritmo para digerir os eventos anteriores e focar nas consequências em torno dos sobreviventes do ataque de Battle Beast. Eu Só Quero o Progresso assume por completo essa ideia, e apesar de oferecer um bom episódio intimista, acaba sendo o capítulo mais fraco da temporada, e um tanto decepcionante após o violento final da semana passada.

A pior parte do episódio está na velocidade com que resolve as situações desesperadoras dos Guardiões do Globo e de Mark, tanto das questões de ferimentos, mas principalmente como a falha tem pouco espaço na narrativa do episódio. A consequência da derrota recebe um toque aqui e ali com Mark questionando a si mesmo, e também quando a Garota Monstro acorda, mas o roteiro decide resignar esse interessante núcleo para focar no romântico. Como já disse em outras críticas, não sou o maior fã de dramalhões amorosos adolescentes, mas acho que a série estava sabendo dosar os relacionamentos afetivos de Mark com a narrativa principal. Até aqui, pelo menos.

A estrutura de vilão da semana é mantida, agora com DA Sinclair (Ezra Miller), um estudante da Universidade Upstate que sequestra jovens universitários para fazer experiências robóticas e transformar suas vítimas em zumbis superpoderosos, utilizando a típica desculpa de evolução humana e blá, blá, blá.  Não gosto muito do personagem em si, mas a direção faz um ótimo trabalho com as sequências em torno das suas criações, torturas e sequestros, até com uma pegada slasher e de horror adolescente característico dos anos 80.

O melhor amigo de Mark, o divertidíssimo William (Andrew Rannells), vai visitar seu colega (e amante) Rick Sheridan (Jonathan Groff) na mesma Universidade do terrível DA Sinclair, e Mark decide ir junto de Amber para tentar reconstruir seu relacionamento. Toda a narrativa em torno do road trip e os diálogos do casal são bem feitos, mas o fato desse núcleo tomar a frente da série nesse determinado momento da temporada parece um tanto deslocado, especialmente pensando nos desenvolvimentos anteriores. Gosto bastante das cenas entre Mark e Amber, pois batem de frente com o conflito entre o privado e o heroico do protagonista, mas como trama principal faltando dois episódios para o fim da 1ª Temporada… é uma escolha estranha, para dizer o mínimo.

Ademais, continuo amando a subtrama de Debbie e Nolan, que sofre de uma certa facilidade incrédula e até cômica da nossa perspectiva em relação a maneira que ela descobre os segredos do marido, mas o que funciona é o impacto da verdade no relacionamento e as diferentes reações do casal. Debbie estava com suspeitas mas constantemente em negação, tentando encontrar diferentes situações para um evento trágico que ela já conhecia a resposta, enquanto Nolan preocupa-se mais com a descoberta do segredo do que necessariamente seu matrimônio. Esse núcleo ganha pouco progresso no episódio, mas continua sendo fascinante. Também temos desenvolvimento nos arcos de Eve e do Robô, que são… bonzinhos aqui, incorporando pouca coisa ao episódio, mas fazendo muito com o pouco de espaço para trabalhar os personagens secundários.

Eu Só Quero o Progresso é o típico episódio ordinário de animações (com o acréscimo da violência incomum), e ele é bom, honestamente bom. Há um conflito bacana de Mark com seu manto, e Amber é uma personagem genuinamente interessante, fugindo de arquétipos bobos de interesses românticos. A aventura contida tem uma boa dose de horror juvenil e as esperadas cenas de ação violentamente gráficas, além da boa inserção de William, que oferece um ótimo toque humorístico à narrativa. A questão é que o episódio foca no romântico, que sempre funcionou melhor como núcleo secundário, fazendo pouco para progredir os excelentes acontecimentos dos episódios anteriores, decidindo construir um capítulo mais intimista e de elaboração de tensão para o clímax, mas acaba sendo decepcionante. Ainda assim, estou otimista para os dois episódios finais de Invencível, que provavelmente terão uma abordagem semelhante à Essa Doeu de Verdade, ou pelo menos eu espero que sim.

Invencível – 1X06: Eu Só Quero o Progresso (Invincible – 1X06: You Look Kinda Dead) – EUA, 16 de abril de 2021
Criado por: Robert Kirkman, Cory Walker, Ryan Ottley
Direção: Jeff Allen
Roteiro: Curtis Gwinn
Elenco: Steven Yeun, Sandra Oh, J.K. Simmons, Gillian Jacobs, Zazie Beetz, Walton Goggins, Grey Griffin, Kevin Michael Richardson, Zachary Quinto, Chris Diamantopoulos, Melise, Khary Payton, Ezra Miller, Andrew Rannells, Jonathan Groff, Mark Hamill
Duração: 46 min.

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23 comentários

Doc Zumbério 20 de abril de 2021 - 14:26

Não sabia que tinha saído novos episódios,vou ver.
Off: Acabou de falecer uma famosa dubladora brasileira por avc e tem uma outra que tá com o mesmo problema….. que dia de merda:(

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Kevin Rick 21 de abril de 2021 - 14:14

Eu vi essas notícias tristes… E parece que antes delas, outro dublador havia falecido também. Um mês bem triste para a dublagem brasileira 😢

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JC 20 de abril de 2021 - 03:55

É por isso que eu gosto de ler críticas, eu gostei do episódio bastante, mas senti uns incômodos que são justamente os quais você cita! Eu jamais seria um crítico, não consigo escrever as vezes sobre o que não gostei ahahahahaa

Não sabia que só faltavam dois, aí realmente esse episódio ficou meio solto realmente. 0-0

Só sou eu ou desde o começo já me parecia que Mark não vai ficar com Amber e sim com Eve?

Nunca vi nada sobre a série ou li as revistas, só fica meio obvio…

Uma coisa que tô adorando é a trilha sonora, já apareceu até Holy Fuck, uma banda que adoro!

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Kevin Rick 21 de abril de 2021 - 14:13

Obrigado, JC! É sempre bom ler comentários assim!

Não vou dar spoiler das HQs, mas sim, a série deixa isso bem implícito

Eu tô amando a trilha sonora hehehe Normalmente eu não curto trilhas com tantas músicas famosas em evidência assim, mas combina demais com a aventura juvenil! Me sinto vendo um filme do John Hughes às vezes.

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Leonora Vieira 19 de abril de 2021 - 01:59

Queria a Eve com mais destaque, tendo um momento impactante etc e tal… até a menina monstro teve e ela não

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Kevin Rick 19 de abril de 2021 - 03:35

Primeiro de tudo: Parabéns pela foto de perfil. Toph All the Way!!!

Sobre a Eve, também quero mais espaço pra ela. Seu arco tem sido a segunda melhor subtrama da série!

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Flavio Batista Dos Santos 19 de abril de 2021 - 22:30

Fora q os poderes dela sao imensos! Eu acahva q ela so podia criar aquela energia rosa e talz, mas ela é praticamente uma Alquimista. Eu vi ela falando q conseguia remodelar as coisas a nivel molecular e ai deu uma demosntracao para os pais e eu fiquei com a cara no chao!
Nesse episodio mostraram ainda mais a extensao dos poderes dela.

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Kartman Conka 19 de abril de 2021 - 00:16

Achei bem forte o carinha se matar no relógio de sol, e meio q ficou por isso mesmo, ninguém nem tocou no assunto.

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Kevin Rick 19 de abril de 2021 - 02:58

Realmente… Foi um baita momento impactante que o episódio se esquece completamente.

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Raphael 18 de abril de 2021 - 23:39

Confesso ter adorado o episódio porque sempre me chamou a atenção esse núcleo civil da série, sobretudo do William e representatividade que o mesmo representa para mim! Porém, entendo que comparado ao anterior, fica desfocado e muda drasticamente de tom, que pode causar uma sensação de estranhamento.

Todavia, coração fala mais alto e é um dos meus favoritos kkkkk

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Kevin Rick 19 de abril de 2021 - 01:22

Eu entendo perfeitamente! Aliás, eu gosto do episódio. É bem honesto na sua proposta, e tem êxito no que faz, mas acabou sendo um pouco deslocado pra mim, meio fora de ritmo… Acho que pensando na narrativa geral da temporada, o episódio cai de qualidade pra mim, mas falando dele em si, temos opiniões bem similares. Sobre a representatividade, eu tenho amado como a série assumiu esse papel de um jeito tão orgânico e consciente da sua importância! Nada disso existia no início das HQ’s, e acaba proporcionando um exercício interessante da ótima mudança de abordagem da Arte nesse quesito como um todo.

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Raphael 27 de abril de 2021 - 12:04

Voltando mais de uma semana depois, e vendo o episódio 7 já, realmente o 6 parece destoar bastante do restante da temporada, mas conversando com um amigo, ele comentou sobre este ser uma espécie de respiro para o final frenético que estaria por vir, o que acredito ser verdade. Pena que isso trouxe alguns aspectos incômodos no processo. E quanto a representatividade, também gostei da maneira que foi abordada, já deixando William de cara um representante da comunidade LGBTQIA+. Apesar de entender a maior facilidade do público caso ele fosse se descobrindo no decorrer da série, é uma abordagem tão utilizada que enxergo um frescor na maneira com que Invencível abordou o assunto

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Junito Hartley 18 de abril de 2021 - 21:46

Concordo com vc, foi o episodio mais fraco ate agora e mesmo assim ainda é bom, pra ver como a serie é de qualidade. Agora, nao poderia deixar de ressaltar, o heroi se chama Invenivel, mas o cara apanha que nem saco de areia, seloko, no anterior ja ia morrendo, nesse tomou um pau violento tambem que quase morre kkkkk

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Flavio Batista Dos Santos 18 de abril de 2021 - 23:18

A minha esposa q nem assiste falou a mesma coisa! “Mas esse garoto só apanha!”

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Victor Martins 19 de abril de 2021 - 00:06

Lembra o Kick Ass nesse sentido

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Kevin Rick 19 de abril de 2021 - 01:26

Sim, é o mais fraco, mas ainda é um bom episódio! Só demonstra a qualidade da série mesmo. Sobre o saco de panc… Invencível, tá passando essa imagem mesmo hahahaha

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Leonora Vieira 19 de abril de 2021 - 02:00

Acho que ele é tipo a Supergirl: é forte mas não sabe lutar, por isso mais apanha do que golpeia

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Flavio Batista Dos Santos 19 de abril de 2021 - 22:27

Pode ser isso mesmo. E o seu avatar (nao resisti ao trocalhilho) é justamente de alguem forte e que sabe lutar muitissimo bem haha

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Victor Martins 18 de abril de 2021 - 19:51

“Not quite my tempo”, deveria ter dito o Omni Man para a Debbie.

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Kevin Rick 19 de abril de 2021 - 01:27

Hehehe quem mandou ela não seguir as partituras do matrimônio a risca…

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Flavio Batista Dos Santos 19 de abril de 2021 - 22:26

Pelo menos a abordagem de deixar o pupilo se ferrar ao maximo pra que ele fique melhor ou mais forte ele esta aplicando.

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Raphael 18 de abril de 2021 - 19:39

Confesso ter adorado o episódio porque sempre me chamou a atenção esse núcleo civil da série, sobretudo do William e representatividade que o mesmo representa para mim! Porém, entendo que comparado ao anterior, fica desfocado e muda drasticamente de tom, que pode causar uma sensação de estranhamento.

Todavia, coração fala mais alto e é um dos meus favoritos kkkkk

Responder
Junito Hartley 18 de abril de 2021 - 17:46

Concordo com vc, foi o episodio mais fraco ate agora e mesmo assim ainda é bom, pra ver como a serie é de qualidade. Agora, nao poderia deixar de ressaltar, o heroi se chama Invenivel, mas o cara apanha que nem saco de areia, seloko, no anterior ja ia morrendo, nesse tomou um pau violento tambem que quase morre kkkkk

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