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Crítica | Invencível – Vol.1: Negócios de Família

por Kevin Rick
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A releitura de uma obra carrega consigo alguns caminhos para a nova percepção do leitor do produto artístico em questão. Pode ser uma afirmação da opinião inicial, talvez uma compreensão diferente da primeira experiência, ou até mesmo uma assimilação negativa de algo antes altamente estimado. Para mim, ao reler Invencível, o sentimento engloba tudo o que citei, com um tiquinho de surpresa por não me lembrar desse início razoável para um quadrinho que aprecio enormemente.

Invencível é uma das primeiras obras de Robert Kirkman, e também o primeiro quadrinho que consolidou seu nome na indústria, e como parte da equipe da Image Comics, antes mesmo de seu maior sucesso, The Walking Dead. Essa inexperiência do autor é evidenciada neste volume, Negócios de Família, que é basicamente uma amálgama das histórias de heróis da Marvel e da DC, principalmente Homem-Aranha e Superman. Ela também é uma carta de amor do escritor para os quadrinhos de heróis.

Nas curtas quatro edições, vemos a jornada de Mark Grayson, um adolescente que, como exposto na capa, passa pelo mesmos problemas dos jovens da sua idade como acne, conversar com garotas e trabalho escolar, com a pequena adição de super-vilões. Seu pai é o maior herói da Terra, chamado de Omni-man, e os poderes paternos são transferidos para nosso protagonista, que lentamente começa a descobrir suas habilidades especiais, e como balancear o trabalho de herói com a vida pessoal.

O quadrinho bebe da fonte direta de clichês conhecidos dos quadrinhos da era de ouro, com seu pai sendo uma versão ainda mais perfeita do Superman, enquanto Mark é claramente inspirado em histórias de super-heróis adolescentes, mais especificamente Homem-Aranha. A diferença é que não existe senso de urgência, ou qualquer tipo de dificuldade no caminho de Mark. Ele não sofre bullying, à partir do momento que se cansa de seu trabalho, ele se demite, os vilões não são realmente ameaças, suas notas são boas o bastante para uma boa faculdade, e por aí vai. A vida de Mark vai de vento em pompa.

Essa falta de perigo dá um tom descontraído para o quadrinho, que tem uma boa injeção de humor, trabalhando muito bem os clichês de quadrinhos como piada. Lutas com aliens, ficar preso em outra dimensão, até mesmo estudantes sequestrados sendo usados como bombas humanas não mudam o status quo da vida sublime de Mark. A forma como o protagonista está sempre maravilhado com suas habilidades traz um estranho senso de diversão, quase como um espelho do que sentiríamos se estivéssemos dentro de um quadrinho de heróis.

Este não é um livro ruim de forma alguma, há vários toques ótimos no diálogo, as convenções de quadrinhos heroicos vistas como chacota dá um ar cômico que mantém as coisas fluindo. A arte às vezes parece um pouco angular, talvez um pouco sóbria em termos de cores e muito básica em detalhes de fundo, e embora o enredo pareça um pouco familiar demais, Kirkman sabe trabalhar com expectativas. O problema, é claro, é que o livro apenas se torna uma versão leve dos contos clássicos do Homem-Aranha, derrotando assaltantes e ladrões mensalmente, com super-vilões ridículos sendo apresentados. Este personagem tem muitos super poderes, e todos de alto nível – colocá-lo contra adversários interessantes será um grande desafio. Quem iria imaginar os caminhos tomados por Mark Grayson após ler isto…. 

Invencível – Vol. 1: Negócios de Família (Invincible – Vol. 1: Family Matters, EUA – 2003)
Contendo: Invencível #1 a 4
Roteiro: Robert Kirkman
Arte: Cory Walker
Letras: Robert Kirkman
Editora original: Image Comics
Data original de publicação: janeiro de 2003 a abril de 2003
Editora no Brasil: HQM (HQ Maniacs Editora)
Data de publicação no Brasil: janeiro de 2006
Páginas: 124

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