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Crítica | It – A Coisa, de Stephen King

por Ritter Fan
629 views (a partir de agosto de 2020)

It –  A Coisa, diferente do que muitos podem achar só olhando a capa e a sinopse, não é um livro sobre um palhaço assassino. Na verdade, minto. Trata-se sim de um livro sobre um palhaço assassino se o leitor assim o quiser, algo que pode ser ditado pela idade de quem lê a obra, afirmação que faço de coração aberto e sem um pingo de preconceito. Afinal, se lido quando mais jovem, o calhamaço de Stephen King provavelmente será isso mesmo, uma interminável obra que coloca sete pessoas – em 1958, quando crianças e em 1985, quando adultas – contra um estranhíssimo monstro assassino que mais comumente toma a forma de um palhaço sinistro (como, aliás, o são todos os palhaços…).

Eu sei disso, pois, curiosamente, na medida do que pode ser razoavelmente considerado como algo paralelo ao épico de King, li esse livro no original em inglês pela primeira vez lá pelo ano de seu lançamento ou, talvez, o ano seguinte, ao longo de um sem-número de intervalos que passava na biblioteca de meu curso de inglês. De pouco em pouco – muito por teimosia que continua sendo uma de minhas características mais irritantes e ao mesmo tempo mais úteis – lidava com as mais de mil páginas de descrições, detalhes e desenvolvimento desses sete personagens e lembro-me muito claramente de ter achado o resultado final algo que poderia ser resumido como “muito blá, blá, blá, para pouco terror”.

Corta para 2017 e resolvi encarar a releitura de It – A Coisa, mesmo não sendo o maior fã de Stephen King e mesmo depois de comprometer um longo tempo mergulhado no (não tão bom assim) Mundo-Médio com a também interminável saga A Torre Negra. Mais uma vez, minha teimosia engrenou e não consegui evitar essa volta à Derry, cidadezinha fictícia do Maine (claro, onde mais?) em que a história se passa substancialmente nesses dois momentos temporais que citei acima. E, para minha gratíssima surpresa, mas que, racionalmente, muito claramente é decorrente de meu amadurecimento, desta vez tive uma experiência completamente diferente. A idade e a memória pregam peças e, exatamente como no desenvolvimento dos sete jovens amigos que protagonizam a obra, mudam a percepção sobre a vida.

Afinal, It – A Coisa, que realmente tem um palhaço assassino, é fundamentalmente sobre isso: o amadurecimento, a memória e o poder da amizade; o crescimento e as lembranças nostálgicas do passado embrenhados em uma cumplicidade incondicional; o que significa ser criança e, também, o que é ser adulto. Mas It – A Coisa, também lida com outro conceito, algo mais difuso, mas que é uma constante histórica, mas que só percebemos mais adultos e que está cada vez mais presente em nosso dia-a-dia, bastando que, para isso, olhemos ao nosso redor ou simplesmente liguemos a televisão em um telejornal: a maldade humana e como nossa crescente compreensão desse conceito é um fator determinante em nosso amadurecimento.

Iniciando com uma sequência arrepiante, em que vemos o pequeno Georgie Denbrough, em 1957, com sua capa amarela, ao final de uma enchente na cidadezinha de Derry, brincando na rua com um barquinho de papel parafinado feito amorosamente por seu irmão mais velho Bill, que não pode sair de casa por estar doente. Quando seu brinquedo é levado pela correnteza do meio-fio e cai no esgoto por um bueiro, ele tenta alcançá-lo, surrealmente deparando-se com Pennywise, um aterrorizante palhaço com balões coloridos de gás que, da escuridão, atrai Georgie, assassinando-o violentamente em seguida.

Esse é o pontapé inicial apenas, pois Stephen King costura uma complexa teia de acontecimentos alternando entre 1958, quase um ano após a morte de Georgie e 1984 e 1985, quando novas mortes recomeçam, mas também abordando outras épocas na mesma cidade ao longo de interlúdios e outros artifícios que permitem que o leitor tenha uma fotografia panorâmica, mas suficientemente detalhada sobre os horrores que acontecem por ali há muito tempo. O que cria a liga aos dois principais momentos temporais é o grupo de sete crianças antes solitárias e deslocadas – o gago Bill Denbrough, o gordo Ben Hascom, a menina Bev Marsh, o falastrão Richie Tozier, o negro Mike Hanlon, o hipocondríaco Eddie Kaspbrack e o judeu Stan Uris – que se reúnem por fortes laços de amizade e que enfrentam a ameaça na década de 50 e têm que enfrentá-la novamente 27 anos depois, já adultos.

A alternância das histórias é elemento narrativo fundamental, assim como os termos qualificadores que usei antes do nome de cada um dos membros do chamado Clube dos Perdedores. King utiliza cada uma dessas características específicas de seus personagens para tecer uma rica história pregressa para cada um deles, sem pressa, sem qualquer ansiedade em chegar ao “final”. Nessa obra – como acontece com as melhores – o verdadeiramente importante é a jornada, é o longo caminho percorrido por cada um deles, no passado e no presente, para chegar ao clímax duplo, com a alternância temporal sendo cada vez mais constante, intensa e paralela, com King usando uma espécie de amnésia coletiva que é fluidamente trabalhada para deixar o leitor em suspense sobre os acontecimentos. Por isso é que a leitura desse livro em idade tenra pode gerar insatisfação pelo tamanho do texto e pelos mínimos detalhes que são descritos por King para cada uma de suas criações, com especial destaque para Bill que, adulto, é um escritor de sucesso e, queira ou não, é a representação do próprio autor dentro da história e que ele usa para fazer suas próprias críticas ao que ele percebe como sendo a elite intelectual que faz pouco caso para a literatura dita de “consumo fácil” que é o que compõe grande parte de sua própria bibliografia, mas que, arrisco dizer, não é o caso de It.

Mas suas críticas vão muito além do pessoal e King desfila um mundo de crueldades grandes e pequenas, reunindo propositalmente todo o tipo de violência nesse seu universo diminuto em algum lugar no Maine. Há bullying, representado pelos vilões humanos, o valentão Henry Bowers e sua gangue, assim como pedofilia, violência doméstica, preconceitos das mais variadas formas, notadamente o racial (Mike), o de gênero (Bev), o religioso (Stan) e o físico (Ben), além da negligência e pouco caso (às vezes é muito pior fechar o olhos para o que acontece ao redor…) e uma pletora de outros angustiantes exemplos que ajudam a construir histórias que, infelizmente, tocarão uma grande parcela dos leitores do livro, seja direta ou indiretamente.

É, porém, particularmente brilhante como King chega talvez ao seu ápice no mergulho na psiquê de crianças. Suas obras sempre contaram com uma importante presença de jovens, mas, aqui, ele lida com seus personagens em 1958 – todos por volta dos 11 e 12 anos – de uma forma tão rica, tão genuína que ele consegue facilmente dialogar com a criança dentro de cada adulto, tocando nas teclas das lembranças, da nostalgia, da saudade e do “ser criança” como poucos autores modernos conseguem. Claro que ele deve ter usado suas próprias experiências e muito do que ele aborda é “bem americano”, mas, independente da nacionalidade de quem lê esse épico de gerações, é impossível não fazer algum tipo de conexão, mesmo que seja somente apreciar o realismo com que ele aborda cada criança.

Até quando ele lida com seus personagens já adultos, também tecendo um ótimo panorama para cada um deles com quase 40 anos, ele o faz com um olhar ao passado deles. Seja pelo uso de um determinismo social às vezes deveras conveniente, com a versão adulta de alguns personagens não tendo mudado quase nada, como é o caso de Eddie Kaspbrack que se casa com uma mulher que é praticamente a sua mãe, em um Complexo de Édipo kafkiano ou de Bev Marsh, que aguentou a violência de seu pai somente para casar com um homem ainda pior. No entanto, o leitor reparará que há bem menos foco no presente pessoal de cada um do que no passado pessoal e coletivo deles e no presente coletivo, já que os agora homens e mulher são chamados de volta à Derry em razão de um juramento de sangue que fizeram quando criança.

Considerando que o livro foi idealizado ao final dos anos 70 e King começou a escrevê-lo em 1981, para lançamento cinco anos depois, não é surpresa notar que ele não foi contaminado pela praga do exacerbamento do politicamente correto que, hoje, assola o mundo e que, em muitos casos, tolhe a liberdade de expressão. Aqui, vemos os garotos se tratarem como garotos, com um linguajar que soa preconceituoso, mas que exala afeto, especialmente levando-se em consideração que a ação deles quando criança se passa ao final da década de 50. Richie Tozier é o maior exemplo disso, pois ele, quando criança, adora fazer vozes – o que o levaria à sua profissão de disc jockey e radialista – e contar piadas sem perdoar ninguém: a gordura de Ben, a etnia de Henry, a gagueira de Bill, a hipocondria de Eddie, a religião de Stan e o gênero de Bev (bip, bip, Richie!). Há uma grande naturalidade nessa abordagem de King, que sabe contrastar a benignidade de Richie – e também seus amigos – com a malignidade de Henry – e vários outros, crianças e adultos -, além de deixar muito claro que o oceano de maldades e perversidades é muito, mas muito maior do que a problematização de brincadeiras entre amigos.

Como em um grande número de livros de Stephen King, o autor não foge do elemento sobrenatural perpassando toda a sua história, especialmente, claro, no que diz respeito à “Coisa”. Diria que, quando ele tenta racionalizar o grande vilão, dando-lhe uma explicação, ainda que propositalmente omitindo detalhes, King acaba retirando um pouco da culpa dos homens por toda a violência que ele aborda. Mas é importante entender, primeiro, que a “Coisa” não justifica os atos, apenas dá vazão ao que parece ser algo inerente em todos nós (queiramos ou não aceitar essa afirmação que pode sim doer) e, portanto, não pode ser usada como a única razão para as mazelas por que os personagens passam e por que nós passamos também na extrapolação do que o autor escreve para o mundo real. Além disso, essa racionalização da “Coisa” permite o desenvolvimento dos finais duplos – em 1958 e 1985 -, que ganham um lado bastante interessante dentro desse conceito sobrenatural que ele aos poucos estabelece, fazendo até mesmo ligação com A Torre Negra (mas é uma ligação que, para quem não leu a saga do Mundo-Médio de King, não afetará em nada a história).

Esses finais, aliás, apesar de, de certa forma, destoarem do tipo de narrativa que o autor constrói ao longo de quase mil páginas e de ser, portanto, menos interessantes do que a jornada que os antecedem, encerram de maneira quase perfeita a história. Meu único senão em relação aos momentos em que os sete – quando jovens e quando adultos – lidam com a “Coisa” – é um desvio para um estranho lado em que King usa o sexo como uma forma de reunir os personagens. Não que eu seja pudico ou moralista, muito longe disso, mas considero que a inserção desse momento não decorre do que ele estabelece antes em sua história, parecendo-me algo sem função maior do que a sequência em si mesma. Mas o autor compensa o que vi como um deslize desnecessário ao escrever um belíssimo e comovente epílogo que talvez seja a perfeita fusão de toda as temáticas que ele aborda. Chega a dar aquela vontade de pegar um álbum de fotos da infância e viajar para esse passado em que cada um de nós estava à beira de tornar-se adulto, ansiando por isso, mas ainda completamente sem consciência do que nos esperava, do que exatamente é ser adulto e todas as maravilhas – e também dissabores – que o amadurecimento traz.

It – A Coisa tem palhaço assassino, sem dúvida. Mas tem muito mais do que isso. A leitura dessa grande obra de Stephen King – quiçá sua melhor – é mais do que recomendada, pois o tempo empregado nela será recompensado com muitas reflexões boas, mas também ruins, sobre passado, presente e futuro. Pennywise assusta, sem dúvida, mas a vida pode assustar ainda mais, ao mesmo que mostra como ela é bela.

It – A Coisa (It, EUA – 1986)
Autor: Stephen King
Tradução: Regiane Winarski
Editora original: Viking Press
Data original de publicação: setembro de 1986
Editora no Brasil: Editora Objetiva (selo Suma de Letras)
Data de publicação no Brasil: 1º de agosto de 2014 (edição nacional atual)
Páginas: 1.104 (edição nacional atual)

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47 comentários

liebert_oliv 16 de setembro de 2019 - 13:34

Terminei de ler o livro dia 2 de setembro agora, 3 dias antes da estréia do Capítulo 2. Já tinha ouvido falar de Stephen King, de It, A Torre Negra e tudo mais, e que suas obras tinham uma certa ligação. Mas foi só depois de começar a ler It que fui pesquisar a fundo sobre o autor e vi como suas obras são interligadas (e agora toda livraria que entro, ta lá um prateleira com quase todos dele), fazendo parte de um Macroverso, surfando há muito tempo na onda de universo compartilhado que a Marvel “inovou” nos cinemas, inclusive com ele metido no meio das histórias, bem mais influente que o Stan Lee nos filmes.
Gostei do livro. Tá certo que ele é longo, tem a muuito comentada cena do sexo infantil, aquela outra do Bowers e o amigo perturbado dele “aprontando no lixão”, mas, tenho que dizer, sou fã de obras longas (O Senhor dos Anéis e tudo antes e ao redor dele, melhor de todas), com verdadeiro desenvolvimento de personagens, reflexões, senso crítico, ambientes e situações com riqueza de detalhes (quem já leu Tolkien, sabe). Isso que faz valer a pena ler um livro. Não essa porcariada toda de hoje em dia, feito pra adolescente e adulto que quer ser leitor mas tem preguiça de ler algo substancial. Ok! Stephen King não é nenhum autor clássico como alguns cidadãos russos ou ingleses dos séculos passados, mas nesse primeiro contato com ele, gostei. Não sei se todas as obras são assim, bem detalhadas e desenvolvidas, e It é o mais longo, se não me engano.
Não é um livro de terror pesado, o que todo mundo ta exigindo que o filme seja. Tem sangue, violência, umas passagens macabras, mas é mais sobre a maldade humana mesmo, a amizade, o ser criança e ser adulto, tudo isso com um bicho-papão solto por aí, comum pra crianças, mas não tão assustador quanto um boleto atrasado para um adulto.
Enfim, até me perdi no que ia dizer. Mas quando assisti o primeiro filme em 2017, gostei da história, era diferente do que eu pensava. Tinha em mente algo como Pânico na Floresta ou Olhos Famintos. Então, na dúvida se lia ou não, fiquei sabendo da sequencia e acabei iniciando a leitura em Dezembro do ano passado. E pra mim foi uma experiencia meio que sensorial também. Li o inicio da historia, que se passa no inverno, em meio ao inverno da minha região. Chuva no livro, chuva aqui. Muitas vezes tinha que parar e adiar a leitura por causa de trabalho e estudos e passava muito tempo sem ler, o que foi bom, pq deu a chance da mudança de estação aqui no mundo real acompanhar as do livro, ou vice-versa. Acabei lendo o verão de 58 no verão de 2019. Mês de julho, de férias numa cidade de 30 mil habitantes no nordeste do Pará, no quente e úmido verão amazônico. O melhor é que, primeiramente sem que eu forçasse, li as coisas no dia que aconteciam. Geralmente lia à tarde, a cidade silenciosa, fechada pra almoço, parecia que eu ouvia os sons dos pássaros no lixão, o som do vento nas árvores no Barrens, e quando eu digo no dia exato, quero dizer que li a Bev atirando as bilhas de prata no lobisomen no dia 25 de julho, numa tarde bem quente, exatos 61 anos no futuro. O estranho que no início, isso aconteceu por acaso, depois fui parando e iniciando as leituras pra acompanhar os dias. Não dava certo com a fase adulta, mas acho que deve ser opinião da maioria, a fase infantil é bem melhor.
Acho que tudo isso, aliado à descrição dos personagens, a personalidade detalhada de cada um, me tornou tão íntimo deles. Cara, como era bacana ver Richie pegando no pé de Eddie o tempo todo, a paixão do Ben pela Bev, que realmente te lembra aquela menina mais linda da turma, que todo mundo se apaixonava na época da escola. As conversas na beira do córrego, as idas no cinema. Quase chorei na morte do Eddie (pra mim, o melhor personagem junto com Richie) e, quando tudo acabou, depois daquela onda maluca do ritual, cara… Deu uma saudade.
Terminei de ler bem perto da estréia, mas não pude assistir logo pq viajei e só assisti ontem, dia 16. O filme não é assustador, mas é o que eu esperava. É longo e arrastado, mas me responda: Já leu It – A Coisa, de Stephen King?
Fiquei meio triste pela pouca participação do Bowers, Audra e Tom (que praticamente nem apareceram), e também por Derry ter continuado inteira. Eu tava doido pra ver a caixa d’água ladeira abaixo, o Ben quebrando os ovos da Coisa e bem antes disso, ficando doidão no bar ao som de Rubberband Man, depois de ter recebido a ligação.
Enfim, tô esperando a versão inteirona que dizem que o diretor vai lançar e, já que aqui estamos falando de livro e não de filme, enfim, de novo, tô na dúvida (de novo). Não sei se leio A Torre Negra, pra entender mais do Macroverso, ou se leio Insônia (que eu achei no cesto de lixo do meu cunhado) pra matar a saudade monstruosa que tô sentindo de Derry e dos Otários.

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H-Alves 5 de novembro de 2019 - 15:18

Muito legal seu relato, tbm li o livro pra acompanhar o filme parte dois, infelizmente não consegui, pois quando terminei o livro só tinha sessão as 21h o que pra mim complica. Fiquei super chateada, mas o que vale mesmo é a leitura do livro e tive sensações bem parecidas com a sua. Levei uns bons 5 meses pra ler, dando aquelas pausas, sem pressa e mesmo assim, quando virei a última pagina já me veio aquela sensação que deveria ter lido mais devagar.

Sobre a torre negra, até agora estou no quarto livro, o primeiro eu detestei, mas não quis julgar a saga apenas por ele. Gostei tanto do segundo que até virou um dos meus preferidos. Agora sigo na luta lendo, já que são livros bem grandinhos até.

As vezes gosto de ler dois livros ao mesmo tempo e tbm estou lendo Sob a Redoma e esse até o momento é o livro do king que me deixa mais tensa. Esse estou lendo devagar pq até me sinto mal mesmo por alguns personagens. Não assistir a série e nem sei se vou ver.

Responder
Genésio Cavalcanti Albuquerque 6 de setembro de 2019 - 16:12

Esse é um dos meus filmes de terror preferido, acredito que o medo de algumas pessoas em relação a figura do palhaço é culpa de Stephen King que conseguiu implantar uma pitada sinistra no inconsciente das pessoas em relação a um personagem aparentemente inocente.

Responder
planocritico 6 de setembro de 2019 - 18:08

Ele acabou com a profissão de palhaço!

HAHAAHAHAHHAHAHAHAAH

Mas é um baita livro mesmo!

Abs,
Ritter.

Responder
FabioRT 6 de julho de 2019 - 11:58

Adorei o livro ! Realmente me tocou de diversas formas. Defeitos e qualidades vão depender como cada um interpreta o texto. Curti bastante a maluquice /simbólica/esotérica/espiritual/religiosa das parte final, por isso para mim o sexo/amor ritualístico fez todo sentido…
Agora vamos finalmente assistir a adaptação cinematográfica

Responder
planocritico 8 de julho de 2019 - 15:10

É, mas daquele jeito, com crianças ainda bem jovens, não deu não…

Abs,
Ritter.

Responder
FabioRT 8 de julho de 2019 - 16:16

A força/magia que agia neles fazia com que fossem mais que crianças naquele momento…e essa força estava se esvaindo…tem uma passagem que fala isso…o sexo foi uma forma de reavivar esta força (inclusive porque sexo não é coisa de criança) mas entendo plenamente quem se incomoda com essa passagem do livro…é realmente muito polêmica e absolutamente maluca. Grande Abraço

Responder
Capivara_Man 4 de junho de 2019 - 13:02

Acho o livro um lixo, assim como quase toda obra do Stephen King. Com exceção de Carrie. Stephen King é o autor mais superestimado que existe.

Responder
planocritico 4 de junho de 2019 - 13:21

Eu nunca achei SK um grande escritor, mas considero It um excelente livro.

Abs,
Ritter.

Responder
Capivara_Man 4 de junho de 2019 - 19:00

Discordo, ele tem pontos falhos graves. C sua prolixidade , além de esquecer e ignorar personagens, o que me deu grande frustração ao ler o livro.

Responder
Capivara_Man 4 de junho de 2019 - 19:14

Discordo. O autor tem problemas graves. Já é clichê as criticas as falhas dele, como a sua prolixidade e sua tramas simplórias, mas IT pra mim é particularmente frustrante pois personagens são abandonados e /ou apenas esquecidos.

Responder
planocritico 4 de junho de 2019 - 19:29

Não detectei personagens abandonados. Há personagens que são usados apenas para contextualização um ou duas vezes e depois perdem sua função, mas não abandonados. Pelo menos não em minha opinião.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 6 de setembro de 2018 - 17:49

Ou seria “espancar o palhaço”?

hahahaahhahahaahhahaha

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 5 de setembro de 2018 - 14:03

Eu tinha mais ou menos a mesma idade quando li. Ao ler novamente, já burro velho, adorei mais uma vez, como você pode ver.

O sexo grupal não me desceu. Mesmo entendendo pro esse lado místico (afinal, tem o raio de uma tartaruga cósmica!!!), acho que King errou feio. Ficou deslocado, forçado e tirado da cartola. Ele poderia ter chegado ao mesmo resultado de outro jeito.

Sobre o segundo filme, acho que o elenco mirim do primeiro foi espetacular e isso pesará fortemente na continuação, com sua troca pelo elenco adulto que, por melhor que seja (tem a Chastain!), não carregará o charme do primeiro. Mas há um potencial para muita coisa boa acontecer, especialmente se não houver receio em …aham… matar certo personagem…

Mas o que eu quero ver MESMO é se o enfrentamento da “Coisa” no plano astral (ou seja lá o que for aquilo) vai acontecer mesmo ou se o roteiro arrumará uma saída mais “terrena”. Eu gostaria demais do mergulho na viagem lisérgica, e você?

Abs,
Ritter.

Responder
Giordano 5 de setembro de 2018 - 14:25

Iria ADORAR! Achei bem estranho no filme as crianças agredindo fisicamente o Parcimonioso – mas adorei de toda forma, até me vi torcendo por elas! E que atuação do ator com nome nórdico, sensacional! Fiquei na dúvida se ele realmente é estrábico, deu um “cham” no visual do P.D

Responder
planocritico 5 de setembro de 2018 - 17:33

Acho que a escolha dos ataques físicos no primeiro filme foi para evitar repetições. No livro, como você lembrará, há uma paralelização dos enfrentamentos finais da Coisa pelos personagens em suas respectivas décadas, algo que a estrutura escolhida para os filmes não permitiria.

Abs,
Ritter.

Responder
Giordano 6 de setembro de 2018 - 17:21

Compreendo, como disse, até gostei disso! Sinceramente, achei que ficou melhor do que no livro. Agora aguardo o espancamento da aranha inter-dimensional. Abraços!

Responder
Giordano 5 de setembro de 2018 - 10:34

Li o livro lá pelos anos 2000, tinha 13 anos (meio insano, eu sei). O livro era dividido em duas partes, e tinha uma aranha na capa (baita spoiler!). E o IT se chamava Parcimonioso, até hoje eu o chamo assim.

Saudades dessa época, em que eu podia ler um livro tão gigante e magnifico tranquilamente…devo ter demorado 2 meses para ler, na época.

Quanto à cena do sexo grupal, eu vejo pelo lado místico da coisa…aliado ao Ritual de Chud. Era um modo de as crianças passarem da fase juvenil para adulta. Mas honestamente, não gostaria de ver no cinema, e achei ótimo terem cortado do filme de 2017, e deixado apenas a cena do pacto de sangue (uma pena que não deixaram o Stan fazer, como no livro).

Tenho receio de que a parte II não seja tão boa quanto a I, pois a fase “juvenil” é muito, muito superior à fase adulta do livro (tirando mais para o final, quando o henry aparece, etc., e fica num ritmo legal).

Responder
Harley Flausino 15 de setembro de 2017 - 19:48

Não gosto de filmes de terror e dificilmente assistiria esse. Porém, depois dessa crítica, vou ver os dois filmes – de 1990 e 2017 – dessa obra do King.

Responder
planocritico 15 de setembro de 2017 - 21:02

Legal, @HarleyFlausino:disqus ! Eu também não sou lá muito chegado a filme de terror, mas o It de 2017 me surpreendeu positivamente. O de 1990 não é muito bom não, porém.

Abs,
Ritter.

Responder
Rafael Lima 7 de setembro de 2017 - 01:16

Ótima crítica.

Concordo com quase tudo. De fato, esse horror sobrenatural simplesmente como a vazão da maldade humana é algo recorrente na obra do King, que precede IT (A Hora do Vampiro e em menor escala Carrie já trabalhavam esse tema), e continuaria a aparecer depois. O mesmo vale para a jornada de amadurecimento que marca certos protagonistas, muitas vezes através de experiências traumáticas.

Apesar de eu não achar que IT seja o melhor trabalho do autor, talvez seja o que melhor sintetiza os elementos citados por você sobre o amadurecimento e “o mal do ser humano ignorado por todos”.

Tenho alguns problemas com o livro Acho que as passagens passadas na década de 50 funcionam muito melhor do que as passadas na década de 80, com os personagens adultos. A sequência do sexo grupal é meio “WTF” e como você disse bastante deslocada. E o desfecho não funcionou muito bem comigo (um problema que acho recorrente em algumas obras do King). Fora que acho as ligações com a Torre Negra, e o caráter mais lovecraftiano que a criatura assume em certo ponto bem desnecessário.

Mas os pontos positivos citados por você realmente colocam IT merecidamente entre os clássicos do King, já que realmente somos contagiados pela amizade dos perdedores, e pelo tom altamente nostálgico da história. Realmente uma obra fascinante.

Responder
planocritico 8 de setembro de 2017 - 18:31

Eu não li tantos livros de King para afirmar que It é o melhor. Mas o livro é tão bom que ele simplesmente precisa ser um dos melhores.

Meus problemas com o livro se circunscrevem à (1) sequência de orgia; (2) tentativa de racionalização da Coisa (com aquela origem cósmica e tudo mais); (3) algumas repetições; (4) alguns aspectos do final extradimensional duplo.

Mas dentro do contexto geral dessa gigantesca obra, são problemas pequenos no agregado.

Abs,
Ritter.

Responder
Sanzio Moreira 6 de setembro de 2017 - 16:57

Li o livro na edição anterior quando Pennywise se chamava Parcimonioso em 2005.Até hoje é um dos meus livros prediletos, acho o melhor trabalho de personagem da carreira do King ao lado de a Torre Negra.

Como comentei em outra crítica, muitos fãs do King fazem uma análise completamente errada do livro o taxando como livro de terror,.Ele é muito mais sobre desenvolvimento de personagens e abordagem de temas ainda hoje problemáticos na sociedade, o IT é uma personificação de uma era conturbada dos EUA onde houve uma escalada de violência assustadora nos anos 80 (época em que King escreveu o livro).

Não é um livro para se tomar sustos, é um livro sobre maturidade, problemas da sociedade e acima de tudo, sobre personagens.

Responder
planocritico 6 de setembro de 2017 - 17:08

Parcimonioso? Juro que não sabia dessa tradução!

Sobre seus comentários, eu concordo e diria, também, que mais do que o uma personificação de uma era específica, a entidade vilanesca é uma representação da maldade humana, algo atemporal e não restrito a um momento específico.

Abs,
Ritter.

Responder
Sanzio Moreira 6 de setembro de 2017 - 17:27

A tradução era da editora Objetiva com uma capa um pouco mais assustadora que essa atual da Suma.Andar com isso na escola no 1º grau era motivo pra ser chamado de psicopata ou satanista em 2005. rs

Responder
planocritico 6 de setembro de 2017 - 17:29

HAHAHAHAHAAHAH

Fico só imaginando a situação!

Abs,
Ritter.

Responder
Giordano 5 de setembro de 2018 - 10:28

Também li o livro nessa época, tinha 13 anos kkkk (meio insano, eu sei). O livro era dividido em duas partes, e tinha uma aranha na capa (baita spoiler!). E o IT se chamava Parcimonioso, até hoje eu o chamo assim, Saudades dessa época, em que eu podia ler um livro tão gigante e magnifico tranquilamente…devo ter demorado 2 meses para ler, na época.

Responder
Mauro Guimaraes 6 de setembro de 2017 - 01:56

Excelente crítica!
É um pena que a maioria dos filmes sobre as obras do autor só foquem na parte do terror e do sobrenatural, deixando de lado o conteúdo dramático e crítico, e assim, quase sempre nos entregando versões genéricas dessas histórias…

Responder
planocritico 6 de setembro de 2017 - 12:09

@mauroguimaraes:disqus , exato. As pessoas só querem sustos e deveriam esperar algo bem mais para o lado dramático e humano.

Abs,
Ritter.

Responder
Marta Souza 5 de setembro de 2017 - 22:00

Eu não li o livro. Vim aqui mesmo só pra ter uma noção de como é, porque vou ver o filme é queria ter um olhar da literatura. Mas olha, sua crítica me deixou bem interessada viu! Mas gente, mais de 1000 páginas???? 😲😓 quanto tempo pra ler tudo isso?

Responder
planocritico 6 de setembro de 2017 - 12:09

Eu li em um mês, mas o ideal mesmo é ler ao longo de dois meses para não cansar. Mas vale o esforço!

Abs,
Ritter.

Responder
Marta Souza 10 de setembro de 2017 - 00:36

Seu ritmo de leitura é muito intenso. Eu demoraria uns 3 meses, sem brincadeira.

Responder
planocritico 10 de setembro de 2017 - 00:40

Confesso que já fui mais rápido. Com a idade, fui perdendo a velocidade. Mas cada um tem seu ritmo. It não é mesmo um livro para ler correndo, pois pode tornar-se enfadonho! Se decidir ler, aproveite com calma!

Abs,
Ritter.

Responder
Gabriel 4 de setembro de 2017 - 23:34

Sou fã incondicional do mestre King e adorador dessa magnífica obra.

Não leio, e confesso que nunca li King buscando terror. Ele é bem mais um escritor de memórias e momentos, que qualquer outra coisa.

Um dos melhores dele, junto com O Iluminado!

Responder
planocritico 5 de setembro de 2017 - 00:19

Sim, concordo com você sobre a questão do terror. O meio literário não é o melhor mesmo para passar essa sensação e King realmente foca em outros elementos usando o horror e o sobrenatural como um conduíte.

Abs,
Ritter.

Responder
JJL_ aranha superior 4 de setembro de 2017 - 19:45

Já comprei esse livro e ia deixar pra ler depois de mitologia nórdica e planeta dos macacos, mas depois dessa crítica eu fiquei na dúvida. Já passou o tempo em que eu lia o King por causa do terror, até agora não li nada dele que me assustou de verdade, o que me interessa mesmo são as lições e críticas que ele faz. Dos livros que eu já li dele meus preferidos foram ‘O Iluminado’ e ‘Misery’, aliás, vocês já fizeram as críticas desses dois?!

Responder
planocritico 4 de setembro de 2017 - 20:01

Não temos as críticas de O Iluminado e de Misery, só dos filmes e da continuação em livro de O Iluminado, Doutor Sono.

Eu nunca me assustei com livros de horror, talvez com apenas uma exceção: Nas Montanhas da Loucura. O resto eu só leio mesmo pelas mesmas razões que você e isso tem demais em It – A Coisa!

Abs,
Ritter.

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JJL_ aranha superior 4 de setembro de 2017 - 20:11

Lovecraft é outro autor que eu tenho bastante interesse, isso também é graças ao King e a hq providence do Alan Moore.

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Fórmula Finesse 4 de setembro de 2017 - 20:15

Creio que ninguém vai se assustar – literalmente – lendo livros de terror…nossa construção mental não pode competir com a imagem trabalhada e pronta para nos pegar desprevenidos do cinema, por exemplo. A medida que a gente lê, as pistas vão sendo dadas para o desenlace do momento do terror; e a leitura têm seu próprio ritmo e dinâmica.
Acredito que a gente pode se surpreender – e muito – com uma boa leitura de terror; ela alimenta nossa imaginação, pode nos fazer refletir no insondável, nos energiza com o imponderável…preenche nossa fome de fantasia de um jeito que (quase) nenhum filme pode fazer.
Assustar não assusta, mas traz grande satisfação.

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planocritico 5 de setembro de 2017 - 00:20

100% de acordo, @frmulafinesse:disqus !

Abs,
Ritter.

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Fórmula Finesse 4 de setembro de 2017 - 17:33

Crítica perfeita e totalmente honesta com essa verdadeira bíblia negra de King. Está tudo ali, foi descrito o horror mas ao mesmo tempo a extrema beleza que está presente no livro.
Também achei o gang bang juvenil sem sentido; mas King estava lidando com escalas do desconhecido cósmico (“ele veio do espaço exterior”…etc) tão insondáveis, que talvez tenha achado adequado um pouco de esoterismo no pequeníssimo plano material do clube dos perdedores – uma espécie de conhecimento oculto, sublimação ou o velho “o amor sempre vence”. No entanto, passo…
De resto, e que resto, é tudo sensacional – talvez fazer dois finais em um livro só tenha sido o pulo do gato para uma obra tão volumosa (The Stand, por exemplo, dá a impressão que se apequena ao final de mais de mil páginas)…e o modo como a maioria das crianças – e depois adultos – conseguem lidar com a vida normal depois de sobreviver ao imenso poço de imundície, loucura e maldades que tiveram que encarar é perfeito.
Triste, mas perfeito – de que outro modo conseguiríamos sobreviver ao “ariete psíquico”?
Em “Novembro de 63” podemos revisitar o clube dos perdedores de modo bem breve, mas marcante – e confesso que deu uma pontada de saudades bem doída.

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planocritico 4 de setembro de 2017 - 20:00

Obrigado, @frmulafinesse:disqus !

É um livro estafante, mas muito gratificante. E não sabia que os Perdedores davam a cara em Novembro de 63! Já fiquei curioso!!!

Abs,
Ritter.

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Fórmula Finesse 4 de setembro de 2017 - 20:16

A participação é de apenas alguns membros; mas dá um insight poderoso sobre a força interior e regenerativa daquelas crianças…(bip, bip).

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planocritico 5 de setembro de 2017 - 00:20

Vou procurar para ler depois. Agora eu preciso descansar de Stephen King!

Abs,
Ritter.

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Fórmula Finesse 5 de setembro de 2017 - 11:19

Isso, e de todo modo, 63 não chega a ser um livro memorável…pode relegar para mais adiante a leitura.

planocritico 5 de setembro de 2017 - 11:32

Farei isso! Minha pilha de livros tem estado insana e desanimadora… 🙂

Abs,
Ritter.

Fórmula Finesse 4 de setembro de 2017 - 16:11

YES, yes, yes….finalmente! Agora ler a crítica…

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