Crítica | Italianamerican

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Para muitos cineastas, a documentação de memórias familiares é tanto uma forma de se engajar em um novo projeto, como também de eternizar as histórias de sua família através de fotografias, vídeos e áudios com entrevistas, uma espécie de cápsula do tempo, de legado registrado, que se não aparece em documentários, aparecerá de certa forma nas ficções ou mesmo em comentários de tais diretores sobre a sua infância, seus pais, sua árvore genealógica.

Italianamerican, doc de Martin Scorsese lançado em 1974, é um desses filmes sobre a memória de uma família. Nele, o diretor entrevista seus pais, Catherine e Charles, que conversam sobre o passado de suas próprias famílias, suas infâncias, os costumes dos pequenos bairros de Nova York no início do século XX e as experiências de vida como filhos de imigrantes italianos na América dos sonhos.

A abordagem aqui é bastante calorosa em termos de direção. Como estamos no apartamento dos pais do diretor, na Elizabeth Street, temos a impressão de uma reunião familiar, onde a geração mais nova senta para ouvir histórias do passado contadas pelos mais velhos, e nisso, o trabalho de Scorsese ganha pontos por ser extremamente simples, sem invencionices na hora de posicionar a câmera e filmar os relatos, os diálogos e a preparação do famoso molho e as almôndegas da mamãe Scorsese. Algumas cenas no sofá, outras na mesa, com todos compartilhando uma refeição (da qual vimos parcialmente o preparo) e as histórias trazidas à tona fortalecem a proximidade do espectador com o que vê na tela, pois esse tipo de relação e conversa é algo que a maioria dos que tiveram contato com avós ou conversa com os pais na velhice já vivenciou.

O editor do filme, Bert Lovitt (seu trabalho seguinte ao lado Scorsese seria New York, New York) consegue contextualizar bem aquilo que o casal entrevistado conta com material de época, e entre blocos em que se discute casamento, relação entre italianos, irlandeses e judeus do bairro; tradições familiares, guerra e as difíceis condições financeiras das famílias, vemos fotografias e trechos de filmes de época sobre os lugares narrados. Mesmo sendo uma abordagem básica, funciona perfeitamente bem com a proposta do filme, que também tem passagens elegantes entre um momento e outro, com espaço para silêncios, riso e até memórias que fazem a simpaticíssima Catherine Scorsese lacrimejar.

A costura do filme poderia ter sido mais bem demarcada e mesmo organizada entre os temas discutidos, todavia, o prometido recorte da memória dos Scorsese é entregue nesse documentário que nos convida à casa dos pais do diretor e nos garante alguns minutos de histórias de uma vida. Memórias de luta, tristezas e alegrias que, em níveis diferentes, encontrará lugar também nas memórias familiares de cada espectador.

Italianamerican (EUA, 1974)
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Lawrence D. Cohen, Mardik Martin
Elenco: Martin Scorsese, Catherine Scorsese, Charles Scorsese
Duração: 47 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.