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Crítica | Jackie Brown

por Ritter Fan
766 views (a partir de agosto de 2020)

Antes de Quentin Tarantino dirigir À Prova de Morte, em 2007, Jackie Brown era comumente encarado como seu filme mais fraco, isso quando lembrávamos da existência dele. Até mesmo eu, que gosto muito do estilo Tarantino de dirigir, devo confessar que Jackie Brown não passava de uma vaga lembrança de uma obra menor dele.

No entanto, o que uma nova chance não é capaz de fazer!

Revendo os filmes de Tarantino cronologicamente, ficou muito claro que, enquanto Cães de AluguelPulp Fiction e, ainda, os filmes que escreveu nesse meio tempo, mas não dirigiu (a história de Assassinos por Natureza, um segmento de Grand Hotel e todo Um Drink no Inferno), representam uma espécie de adolescência brilhante do cineasta, Jackie Brown, baseado no livro Rum Punch, de Elmore Leonard, é seu primeiro passo em direção à idade adulta, que chega talvez até prematuramente. É uma pequena joia esquecida por uma expectativa de mais diálogos pop e situações de extrema violência, como nos dois filmes anteriores.

E não é que Cães de Aluguel e Pulp Fiction sejam piores que Jackie Brown, mas apenas que é sensível a tentativa de Tarantino sair de sua zona de conforto e ampliar seus horizontes. Óbvio que suas marcas registradas estão todas lá, intactas, como diálogos inteligentes, personagens curiosos, trilha sonora arrebatadora, mistura de gêneros, narrativa não-linear, ângulos de câmera, homenagens e, não podemos esquecer, seu indefectível fetiche podólogo. Acontece que Jackie Brown é um distanciamento do “mais do mesmo” que vimos antes, quase um experimento e, talvez a partir dessa percepção ainda no subconsciente, é que muitos rejeitem essa obra.

No entanto, logo na bela abertura não há como não ficar ao menos curioso pelo trabalho do diretor. Vemos umo longo plano-sequência ao som de Across 110th Street, de Bobby Womack (uma aviso importante: essa música é daquelas que ficam em sua cabeça por semanas!), em que observamos Jackie (Pam Grier), com seu uniforme de aeromoça, em uma esteira de aeroporto em direção ao portão de embarque de seu voo. Nada acontece e a vemos de perfil apenas, sem que ela mude a expressão. Aos poucos, Jackie começa a se apressar, pois vê que está atrasada, até que ela está correndo – mas sempre preocupada com seu cabelo – até o portão de embarque. A cena é plasticamente perfeita, com os ladrilhos da parede do aeroporto contrastando com o forte azul do figurino da personagem. E a aceleração da sequência sem cortes funciona exatamente como um prelúdio da destruição da pacata vida de Jackie, com os acontecimentos que se desenrolam, ainda que não saibamos disso nesse começo.

Mas então, de repente, Tarantino larga sua protagonista. Ela foi para Cabo São Lucas no México, afinal de contas. Assim, aquela bela presença feminina que nos hipnotiza na abertura torna-se apenas uma lembrança pelos próximos 30 ou 40 minutos, quando o diretor volta suas lentes para o traficante de armas Ordell Robbie (Samuel L. Jackson), que tem como amante a drogadona Melanie (Bridget Fonda) e que acabou de receber sob sua asa um amigo de prisão que ele quer contratar como seu capanga, Louis Gara (Robert De Niro). Descobrimos que um cúmplice de Ordell foi preso (Beaumont Livingston, vivido por Chris Tucker) e ele precisa pagar a fiança. Com isso, entra na história o metódico bail bondsman Max Cherry (Robert Forster).

Quando esse rico universo nós é apresentado e parece que estamos andando em terreno mais sólido, a atenção se volta mais uma vez para Jackie, desta vez retornando de seu voo para o México e sendo acrescida à narrativa macro. Não demora e descobrimos que ela também é cúmplice de Ordell, já que ela traz dinheiro de Cabo São Lucas para ele. Os detetives Mark (Michael Bowen) e Ray (Michael Keaton) estão ao encalço de Ordell e acabam prendendo Jackie no processo, para torná-la uma informante. O que vemos, a partir daí, é o longo, lento e elaborado plano de Jackie, já com 44 anos e sem perspectivas de futuro, pois trabalha em uma das piores empresas aéreas americanas, para tirar proveito de sua impossível situação.

A escalação do elenco já é algo que, por si só, torna o filme obrigatório a qualquer cinéfilo, bastando ver a lista de nomes incríveis que citei acima. Querendo emular o clima do subgênero do blaxploitation, comum nos anos 70, Tarantino trouxe Pam Grier mais uma vez para os holofotes. Para quem não sabe, Grier foi uma atriz de renome no começo da mencionada década, ao iniciar sua carreira de verdade com The Big Doll House (produção de Roger Corman), em que fazia uma das prisioneiras com pouca roupa que tinham que tentar fugir de uma prisão nas Filipinas. Seu envelhecimento trouxe sabedoria e uma calma transcendental, aparentemente, sem que ela perdesse a beleza estonteante, já que, em Jackie Brown, ela deixa transparecer o entendimento da vida que a idade traz, ao mesmo tempo que exibe vigor físico para, convincentemente, nos transmitir a segurança de uma heroína de ação. Vemos tristeza, alegria e amargura sem arrependimento, além de orgulho, em uma atuação notável. Quem não fica muito atrás, por incrível que pareça, é Bridget Fonda. Apesar de seu papel que apenas em princípio parece ser secundário, Fonda faz o contrário: é a jovem que deixou sua vida estragar cedo, com drogas e sexo. Por isso, ela apresenta uma maturidade inconsequente e uma expressão que nos faz sentir pena dela.

Robert Forster, veterano do cinema e da televisão, tem a atuação de sua vida, contracenando perfeitamente com Grier (eles compartilham da compreensão do mundo causada pelo envelhecimento) e com Jackson emprestando até um tom mais cômico ao filme. De Niro, por sua vez, é mais uma curiosidade do que qualquer outra coisa. Sempre reconhecido como excelente ator, ele é literalmente um “mero coadjuvante” cujo papel é fumar maconha e obedecer as instruções de Ordell, sempre com a cara amarrada denotando má vontade e pouca paciência. E ele funciona maravilhosamente bem. Já Samuel L. Jackson vive uma versão turbinada de seu personagem em Pulp Fiction. Ele é mais violento e mais falastrão que Jules, além de ser seu próprio chefe, não devendo satisfação a ninguém. Apesar de ser o antagonista, seu papel é mais caricato e, arrisco dizer, o menos interessante da fita.

Todo o elenco funciona apesar dos diálogos e isso é algo bom, já que o que Tarantino escreve muitas vezes é mais icônico do que quem fala. Em Jackie Brown, o que vemos é Tarantino se segurando para não alongar seus diálogos, nem crivá-los de uma saraivada de frases de efeito pop. Ainda há muita coisa para o cinéfilo ver e ouvir, mas tudo depende muito mais dos atores e do que está em volta do que questões como o que Madonna quis dizer na letra de Like a Virgin ou como se chama o Quarteirão com Queijo em Paris. Adaptando obra de terceiros, Tarantino viu-se limitado ao conteúdo presente no livro e, com isso, voltou sua atenção ao silêncio, ao contraste de imagens. Não seria por outra razão que a abertura é longa e contemplativa ou, quando Max vê Jackie saindo da prisão, todo seu trajeto é mostrado.

Mas toda essa contemplação de nada serviria se a direção de arte e figurino fossem fracos. Esses dois departamentos tiveram muito trabalho para dar um legítimo ar setentista ao filme. O cuidado com os detalhes anacrônicos é de um rigor que impressiona. Afinal de contas, o filme se passa no ano em que foi feito (ou algo por aí), não na década de 70. Mas os carros, as roupas e toda a ambientação tenta, com sucesso, homenagear a era do blaxploitation sem que aparatos modernos presentes quebrem a quarta parede.

E, se Tarantino atingiu rapidamente a idade adulta com esse filme, talvez tenha sido porque sua parceria com a saudosa Sally Menke na montagem atingiu o ponto alto. O trabalho de montagem em Jackie Brown chama a atenção exatamente por não chamar atenção para si próprio, como nos dois primeiros filmes da dupla. Sim, a narrativa é não linear, mas a alteração temporal na obra é mais suave, como quando, mais ao final, vemos o que aconteceu na climática cena da loja de roupas por meio de três pontos de vista diferentes, em uma excelente modernização de Rashomon. Outro exemplo brilhante do trabalho de Menke é a montagem paralela do diálogo ameaçador de Ordell com Jackie e a direção tranquila de Max de volta para casa, dois momentos aparentemente sem conexão trazidos à vida e utilizados para o máximo efeito dramático por meio do split screen.

A vaga lembrança que tinha de Jackie Brown tornou-se uma vívida lembrança das surpresas que Tarantino nos guarda a cada nova sequência de cada novo filme. E seria uma pena se não déssemos a essa película a chance que damos a tantas outras do diretor.

  • Crítica originalmente publicada em 31 de dezembro de 2015, reformulada para republicação hoje, 06/08/19.

Jackie Brown (Idem, EUA – 1997)
Direção: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino (com base em romance de Elmore Leonard)
Elenco: Pam Grier, Samuel L. Jackson, Robert Forster, Bridget Fonda, Michael Keaton, Robert De Niro, Michael Bowen, Chris Tucker, LisaGay Hamilton, Tommy “Tiny” Lister Jr., Hattie Winston, Sid Haig, Aimee Graham
Duração: 154 min.

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38 comentários

Brendo Barbosa 19 de abril de 2021 - 19:36

Gostei do filme e acho injusto ele ser tão desconhecido, já que ao meu ver, é melhor ou no mesmo nível de alguns do Taranta, mas nem de longe achei uma obra-prima. Entendo a necessidade do Tarantino de querer explorar novos horizontes, mas penso que ele escolheu o filme errado para isso, acredito que o saldo geral aqui teria sido ainda mais positivo, caso tivesse mantido a narrativa não-linear composta por capítulos, que ele gosta tanto. Só observar que o ato final possui um recurso semelhante e é justamente a melhor parte do filme, óbvio que o artificio não cabe em toda obra (até porque ele não o utiliza em Django e é seu justamente seu melhor trabalho, na minha opinião), mas o considerável número de personagens pedia por isso, a divisão por capítulo aqui, seria mais justificável que em The Hateful Eight (que também adoro). Em termos de personagens, diálogos e principalmente trilha sonora, dificilmente Tarantino erra, e aqui não é diferente, o que atrapalha mesmo é que pouco da genialidade que vejo em Cães de Aluguel e Pulp Fiction, vejo em Jackie Brown. Mas ainda é um filme acima da média, 3,5.

Responder
planocritico 20 de abril de 2021 - 18:55

Não senti falta da montagem não linear aqui não, mas entendo seu ponto.

Abs,
Ritter.

Responder
Brendo Barbosa 20 de abril de 2021 - 19:25

De boa. Gostei da crítica, inclusive.

Responder
planocritico 20 de abril de 2021 - 21:23

Valeu!

Abs,
Ritter.

Responder
Arthur Da costa palacio 13 de abril de 2021 - 13:47

Jackie Brown é o meu filme favorito do Tarantino (Hoje), um átomo acima de Pulp Fiction, engraçado pensar que na primeira assistida ele não me impressionou tanto, mas esse é um filme que só cresce a cada revisão, e a Pam Grier também se torna mais magnética a cada rewatch (como se isso fosse possível).

Responder
planocritico 14 de abril de 2021 - 00:44

É um filmaço infelizmente esquecido por muitos na filmografia do Tarantino! Mas meu favorito é Os Oito Odiados.

Abs,
Ritter.

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Beto Magnun 14 de setembro de 2020 - 23:06

Na primeira vez que vi esse filme, achei um porre. Nem consegui teminar. E isso numa época que era um aficcionado por Tarantino. Com o passar dos anos peguei uma birrinha dos filmes dele pós 2000. Ainda gosto de muitos deles, mas depois de conhecer mais sobre cinema (não sobre detalhes técnicos, mas só abrir a cabeça pra mais filmes), principalmente Leone, Kurosawa e Spike Lee, passei a gostar menos do Tarantas.
Enfim, dei uma nova chance pra Jack Brown e pqp… SIMPLESMENTE AMEI!!! Agora fico em dúvida sobre qual é meu preferido: Pulp Fiction ou Jackie Brown.
Depois que assisti obviamente fui atrás de detalhes a respeito da produção, e acho que vale mencionar uma declaração do próprio Tarantino (segundo o IMDB).
De acordo com ele, esse é um filme que fica melhor na segunda vez, melhor ainda na terceira e na quarta.
Eu só posso concordar.

Responder
planocritico 15 de setembro de 2020 - 00:26

Interessante você dizer que, na medida em que foi conhecendo mais de cinema, passou a gostar menos do Tarantino. Se eu tivesse que chutar o efeito de mais conhecimento de cinema em relação à obra dele, diria que ela passaria a ser ainda mais apreciada. Mas, cada um com seu cada um!

Sobre Jackie Brown, é um filmaço subestimado e pouco comentado dele. Para mim o melhor dele continua sendo Os Oito Odiados, mas Jackie Brown é outra obra-prima!

Abs,
Ritter.

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Alex Alves 6 de agosto de 2019 - 23:35

Um bom filme com um excelente elenco e como sempre o Jackson nasceu para trabalhar junto com o Tarantino.

Mas concordo que junto com os 8 odiados e death proof são as obras mais fracas do diretor.

Responder
planocritico 8 de agosto de 2019 - 17:37

Mas eu não acho que Jackie Brown e 8 Odiados são obras mais fracas do diretor. Esses dois filmes, para mim, levam 5 estrelas!

Abs,
Ritter.

Responder
Eduardo Oliveira 6 de agosto de 2019 - 19:10

Assisti ontem, 05/08/2019 e gostei muito do filme e da crítica tbm.

Eu não posso dizer que sou fã do Tarantino, mas desde que eu busquei assistir os filmes dele eu me surpreendi cada vez mais. Lembro que o primeiro filme que eu vi dele foi o “8 odiados”, e lembro que quando o filme acabou minha mãe e minha noiva odiaram o filme, e mesmo não gostando muito eu vi que tinha alguma coisa ali que eu tinha me amarrado. Desde este dia eu vim assistindo os filmes do Tarantino e… UAU! Eu amo os momentos de tensão que ele cria, e eu sinto que nos filmes dele eu não tenho controle do que vai acontecer. Consigo sair daquele sentimento “esse filme deve acabar assim” muito rápido. Nem todo mundo gosta do estilo de filme com muito diálogo e tal, pra falar a verdade nem eu, mas de alguma forma os filmes deste cara me impressionam.

E Jackie Brown foi uma ótima surpresa para mim, como não evidenciam tanto este filme como pulp fiction, cães de aluguel e bastardos inglórios (meus três preferidos) por exemplo, eu não esperava gostar tanto do filme.

Responder
planocritico 8 de agosto de 2019 - 17:26

Olha que estou sentindo o cheiro de fã do Tarantino sim, hein?

HAHAHHAHAHHAHAHHAHAHHA

Abs,
Ritter.

Responder
CrazyDany 6 de agosto de 2019 - 18:40

Gosto muito desse filme! Atuações excelentes. Também achei o slj caricato, mas ainda sim ele passa um ar de ameaça. O policial do Keaton também é cheio de trejeitos, mas igualmente cativante. Sem dúvida a pam está ótima nessa película. Ah, e a trilha sonora é ótima

Responder
planocritico 7 de agosto de 2019 - 16:40

Tudo funciona bem aqui, até o Jackson caricato! É como uma versão despojada do Jules.

Abs,
Ritter.

Responder
Noodles 2 de junho de 2019 - 15:47

Vi ontem e gostei muito achei a direção tão eficiente quanto o elenco um bom Tarantino.

Responder
planocritico 3 de junho de 2019 - 11:35

É mesmo um filmaço!

Abs,
Ritter.

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Jackie Brown (1997) Quentin Tarantino – Um tal de Leandro 16 de maio de 2019 - 09:26

[…] Crítica | Jackie Brown […]

Responder
Arthur Heinz 31 de agosto de 2018 - 13:27

Jackie Brown pra mim é o pior filme do Tarantino. Pra ser sincero, o único filme FRACO dele. Não consegui terminar de assistir até hoje… Bem abaixo da média mesmo, principalmente pro TARANTINO.

Responder
planocritico 31 de agosto de 2018 - 14:16

É, teremos que concordar em discordar. De toda forma, fiquei curioso para saber as razões pelas quais você acha esse filme fraco.

Abs,
Ritter.

Responder
Crítica | Jackie Brown – Críticas 8 de dezembro de 2017 - 15:39

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cristian 8 de dezembro de 2017 - 16:06

Quando vejo esse tipo de idolatria em qualquer sentido artístico me dá um arrepio. Não sou fã do cinema do Tarantino assim como de outros queridos, tenho problemas com o cinema mais teatral, frio, e arrastado, algumas obras funcionam, outras não. Reconheço todos os méritos das obras do Tarantino e seu amor impresso em tela pelo cinema mais um filme precisa de ritmo e não vejo isso em Jackie Brown, como não vejo em outros obras (principalmente Os Oito Odiados, que chega a ser chato), afinal diálogos bacanas cheios de referencia são ótimos quando trabalham em prol da história e fazem o roteiro fluir. Gosto mais desse filme que de outros do Tarantino, mais gostaria de achar essa maravilha toda. Agora espero pela revisão de Kill Bill, meu maior ponto de divergência do cineasta.

Responder
planocritico 8 de dezembro de 2017 - 18:08

Jackie Brown e Os Oito Odiados são os dois filmes do Tarantino menos “tarantinescos” por assim dizer, deixando de se valer de referências à cultura pop e outros elementos clássicos dele. Não vejo, sinceramente, problemas de ritmo. São dois filmes longos, sem dúvida, mas o ritmo interno é mantido o tempo todo, assim como, por exemplo, Sergio Leone mantém em seus clássicos. Há muita contemplação, muita inação, mas é uma estrutura que, dentro dela, funciona. Certamente isso pode desagradar e aí entramos uma questão tão pessoal de gosto que foge da técnica do filme completamente.

Sobre Kill Bill e os demais filmes dele, temos as críticas todas aqui: https://www.planocritico.com/especial-quentin-tarantino/

Abs,
Ritter.

Responder
cristian 10 de dezembro de 2017 - 11:23

Nesse ponto volto a discordar pois o filme menos Tarantino dele mesmo é sem dúvida Django Livre, que tem toda uma estrutura básica bem comum de roteiro e diálogos, sendo o único filme em que há mais emoção, em que nos preocupamos com o protagonista, diferente do estilo seco e teatral em que os personagens em si são veículos pra conduzir uma narrativa por vezes inusitada. Tirando algumas partes isoladas de Django (como o final que acho bem ruim) é um dos filmes dele que mais aprecio, pois conjuga sua técnica, seus diálogos, seus personagens com um cinema mais clássico e com personagens menos teatrais.

Responder
planocritico 10 de dezembro de 2017 - 13:33

Você tem razão. Django, nesse sentido, é muito parecido com Jackie Brown, mas ainda acho Jackie o filme menos arquetípico de Tarantino. Mas eu vejo nos dois a estrutura clássica tarantinesca de roteiros espertos e montagem não linear. Não são tão evidentes quanto em outras dele, mas os dois são inconfudivelmente filmes do diretor.

Abs,
Ritter.

Responder
Anônimo 14 de novembro de 2016 - 19:29
Responder
planocritico 14 de novembro de 2016 - 22:22

@disqus_TgMKBjZJUe:disqus , é uma pérola infelizmente esquecida na filmografia de Tarantino!

Obrigado pelo elogio!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 14 de novembro de 2016 - 22:22

@disqus_TgMKBjZJUe:disqus , é uma pérola infelizmente esquecida na filmografia de Tarantino!

Obrigado pelo elogio!

Abs,
Ritter.

Responder
Jonathan 14 de novembro de 2016 - 19:29

Vi este filme mais de uma vez… e toda vez que vejo, continuo achando o máximo. Esta obra é o meu filme favorito do Tarantino. Penso que a tríade de personagens envolvendo a Pam Grier, o Samuel L. Jackson e principalmente o Robert Forster ficaram em perfeita sintonia. Abraço e excelente crítica.

Responder
JC 16 de janeiro de 2016 - 18:26

Tem minha musa Bridget Fonda nesse filme.
Preciso dizer mais nada.
rs

Responder
planocritico 16 de janeiro de 2016 - 22:16

E o papel dela é ótimo!

Abs,
Ritter.

Responder
Fernando Altoé 2 de janeiro de 2016 - 21:10

Confesso que a cada filme que assisto corro pra cá pra ler a crítica. Tarantino é genial, já me tornei fan dele, mesmo que tenha me aventurado em suas obras há pouco tempo. Excelentes críticas, continuem assim! E que o Tarantino continue a nos deleitar com seus filmes!

Responder
planocritico 2 de janeiro de 2016 - 21:37

Mais um fã do Tarantino, que legal! Continue assistindo os filmes dele, @fernandoalto:disqus. Já viu os dois Kill Bill? Aposto que vai se surpreender!

Abs,
Ritter.

Responder
Fernando Altoé 3 de janeiro de 2016 - 15:02

Vi sim, excelentes! Que venha agora Os oito odiados!

Responder
josh santanovsky 1 de janeiro de 2016 - 14:23

Salve Ritter!

Estou me amarrando em seus comentários agora nas férias, legal que vocês veem o cinema como nós mortais, que buscamos diversão e filmes legais e não obras de arte. Lembro que o pessoal falava que o bonequinho era meio boiola, porque sempre que tinha um filme legal e com mulher ele ou dormia ou ía embora, e só apludia de pé filmes chatíssimos como como asas do desejo.

Assisti ontem o Jackie Brown por indicação sua, muito bom, hoje tentarei assistir noivo neurótico noiva nervosa.

Legal como o Tarantino consegue variar tanto de estilo, mas sempre mantendo sua pegada, como por exemplo quando o De Niro mata de repente a Bridget Fonda lembra quando o John Travolta mata o cara no carro sem querer, ou o Waltz mata o DiCaprio, assassinatos repentinos e ineperados.

Achei de extrema sensibilidade sua observação da decadência precoce de Bridget Fonda, ainda mais que a atriz em si está mais para patricinhas de beverly hills que para uma junkie vadia de Tarantino, o que só mostra que estupenda atuação ela teve, mesmo o personagem sendo secundário.

Na sua opinião, porque a jackie brown não ficou com o max no final? O cara gostou dela, é boa pinta, salvou a vida dela, ela é sozinha na vida, não tem ninguém, seria natural, nao? E ele não ía se aposentar, porque continua trabalhando?

Responder
planocritico 1 de janeiro de 2016 - 15:18

@josh@joshsantanovsky:disqus, fico feliz que esteja gostando do site e que tenha visto Jackie Brown por indicação da crítica. Isso é muito legal!

Tarantino consegue, na verdade, imprimir o seu estilo de dirigir em obras de gêneros muito diferentes. Máfia nos dois primeiros, blaxploitation em Jackie Brown, filmes de kung-fu, samurai e western em Kill Bill 1 e 2, filmes de perseguição em Death Proof, filmes de guerra em Bastardos Inglórios e western revisionista em Django Livre e, agora, Os Oito Odiados. Só está faltando o cara fazer ficção científica e terror!

Sobre o final do filme, repare que foi Max que não quis ir com Jackie para Madri. E eu interpreto da seguinte forma: Max é mais velho, tem uma vida regrada, é, em princípio, todo certinho; Jackie, por outro lado, representa a aventura, a insegurança, a vida do hoje em contraste com a vida pensando no amanhã. Acho que essas considerações levaram Max a essa escolha que a cena bem no final dá a entender que ele se arrepende. Max tem “medo” de se aventurar e Jackie não. Personalidades bem diferentes que podem se atrair, mas normalmente são antagônicas. Max preferiu a segurança de sua vidinha em lugar da completa insegurança de uma vida ao lado de Jackie.

O que acha?

Abs,
Ritter.

Responder
josh santanovsky 1 de janeiro de 2016 - 17:18

puxa agora revendo é tão óbvio que é isso…

Responder
Claudinei Maciel 31 de dezembro de 2015 - 23:36

Concordo em gênero, número e “degrau” com essa crítica! Realmente, desde que adquiri o DVD para a minha coleção, eu sempre admirei esse filme como algo que demonstra o quão bom Tarantino é.
A coragem que revelou ao sair de sua zona de conforto, realmente demonstra do que ele é capaz.
Uma pena que não foi entendido e apreciado pelo seu público, e decidiu voltar ao mais do mesmo nos filmes posteriores.
Tarantino sempre me pareceu capaz de ser o MAIOR de todos em seu tempo, mas Jackie Brown, que ele fez ser muito bom, ao mesmo tempo, por ter dado atenção aos críticos e não ter coragem de continuar ousando, fez ele descer alguns degraus de um panteão merecido.
Hoje, muitos chamam de “obra-prima” seu filme Bastardos Inglórios, que eu, particularmente não consigo gostar. E seus outros filmes pós Jackie Brown foram apenas novas roupagens em algo seguro para ele.
Dito isso, fico feliz que foi dada uma nova chance a esse filme, e pude ver que não estou sozinho em achar esse filme uma jóia escondida e incompreendida de um cineasta completo, mas inseguro.
Muito bom!!

Responder
planocritico 1 de janeiro de 2016 - 15:29

@claudineimaciel:disqus, obrigado!

Confesso que concordo apenas em parte com você. Tarantino pode ter fugido mais do seu estilo com Jackie Brown, mas acho que ele tem se esmerado em caminhar por caminhos difíceis, sempre com resultados no mínimo interessantes. A saga Kill Bill por exemplo, considero um primor trash quase imbatível. E adoro a história revisionista de Bastardos Inglórios.

Mas Jackie Brown realmente é diferente, realmente é, digamos, talvez o mais especial filme do diretor!

Abs,
Ritter.

Responder

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