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Crítica | Jenny: A Filha do Doutor – 1ª Temporada

por Luiz Santiago
396 views (a partir de agosto de 2020)

Ela apareceu pela primeira vez em The Doctor’s Daughter, numa aventura com o 10º Doutor, Martha e Donna no Planeta Messaline, em 6012. Criada a partir do material genético do Doutor, Jenny saiu para explorar o Universo. Ela nasceu como soldado e sua trajetória nesses primeiros passos pela vastidão do espaço mostra o quanto ela se vale da lição aprendida com o pai, nas horas posteriores ao nascimento, ideais que fazem toda a diferença para a sua constituição como pessoa, alguém que ainda está se conhecendo e que cultiva uma intensa e divertida curiosidade por absolutamente tudo, especialmente por coisas muito perigosas, peculiares e nada usuais.

É imensamente prazeroso ver Georgia Tennant de volta ao papel de Jenny. Sua única aparição na TV deixou um número gigantesco de possibilidades e, como a Big Finish faz tudo, resgatou a personagem e criou para ela uma série que já em sua primeira temporada reafirma todas as características que vemos no roteiro original de Stephen Greenhorn e trabalha de modo cômico e ao mesmo tempo intenso a jornada dessa fantástica meio-gallifreyan. Sua caraterística geral é realmente de um “spin-off temático e performático” do Doutor, ou seja, uma exploradora destemida, hábil, que eventualmente acaba com um companion e uma vontade imensa de ajudar ou simplesmente ter contato com as coisas que nunca viu. O tempero diferencial está no fato de Jenny usar de violência sempre que necessário e sem nenhum receio moral por isso.

Essa temporada conta com 4 histórias e, como sempre no caso da BF, elas funcionam de modo, embora sejam melhor aproveitadas se ouvidas na sequência. O primeiro episódio, Stolen Goods, escrito por Matt Fitton, tem a tarefa mais difícil do volume, que é moldar Jenny para além do pouco que já conhecíamos dela. Com a ajuda da excelente atuação de Georgia Tennant, vemos desde o início o princípio de ação proposto pelo texto, a engraçada e empolgante reação de Jenny frente ao perigo e a maneira como Noah (futuramente também chamado de Elder One, embora não tenhamos nenhuma real informação sobre a identidade dele nessa temporada) acaba se tornando o seu parceiro de viagem.

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Prisoner of the Ood é o único episódio a se passar na Terra e um dos que mais me fizeram rir, além de trazer uma reação muito peculiar dos humanos frente a uma ameaça alienígena se manifestando. Confesso que não sei se é possível o tipo de “transformação” empregada pelos Oods nesse enredo, mas essa pequena dúvida e toda a parte do texto dedicada a criá-la passam rápido, deixando-nos com uma narração onde a mente de uma certa personagem está vendo ou se esquecendo coisas propositalmente escolhidas por um vilão. O final é simples até demais para a proposta geral de John Dorney no roteiro, mas definitivamente não é um encerramento negativo.

Neon Reign, escrito por Christian Brassington, tem a melhor criação de atmosfera do volume, aproximando-nos de um cenário parecido com a China Feudal, com bastante chuva e plantações de arroz, a despeito da poluição desse planeta terraformado e chamado Kamshassa. O plot policialesco mesclado com ficção científica e História traz novamente a urgência que a estreia da temporada nos trouxe, seguindo por esse caminho até chegar ao FinaleZero Space, de Adrian Poynton. A sugestiva confusão de parte da história cobra um preço um tantinho alto no fim, desfocando bastante a nossa atenção e principalmente adicionando um cameo inútil do 10º Doutor, uma cena que, para ele, está localizada entre The Next Doctor e O Prisioneiro dos Daleks.

Não sou muito fã de séries spin-off que insistem mais do que o necessário e uma mesma tecla de aproximação com sua fonte (meu maior impasse com a 1ª Temporada de O Diário de River Song veio daí), e ainda bem que isso só sai um pouco do controle aqui no final do último episódio. No conjunto, a temporada é uma notável introdução de Jenny na grade da Big Finish e mais uma oportunidade de o público ter contato com viagens incomuns e aventuras bem diferentes vindas de alguém tão próxima, mas ao mesmo tempo tão distante do Doutor.

Jenny: The Doctor’s Daughter (Reino Unido, 5 de junho de 2018)
Direção: Barnaby Edwards
Roteiro: Matt Fitton (Stolen Goods), John Dorney (Prisoner of the Ood), Christian Brassington (Neon Reign), Adrian Poynton (Zero Space)
Elenco: Georgia Tennant, Sean Biggerstaff, Stuart Milligan, Sarah Woodward, Clare Corbett, Siân Phillips, Arabella Weir, Olivia Darnley, Silas Carson, Rosalyn Landor, Arina II, Pik-Sen Lim, Sara Houghton, Paul Courtenay Hyu, Adèle Anderson, Anthony Calf
Duração: 60 min. (cada episódio)

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8 comentários

O Capitalista 4 de junho de 2020 - 01:36

Sempre quis ver ela voltando ao doutor who

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 4 de junho de 2020 - 11:25

Pois aqui está uma oportunidade para reencontrá-la!

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Rafael Lima 1 de junho de 2020 - 15:58

Embora eu não goste do episódio que originou a personagem, eu gosto da personagem em si, e legal ver que a Big Finish resolveu explora-la. Afinal, a Georgia merece, pois interpretar viajantes do tempo é quase o negócio da família da atriz, né? (Hehehehe).

Interessante pelo que você descreve, que embora ela siga de perto o desejo de aventura e os princípios do “pai”, ela ainda carrega um pouco da aura militar do ambiente do qual ela se originou.

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 2 de junho de 2020 - 06:39

Pois é, essa família aí está totalmente metida com esse negócio de viagem no tempo hahahahahahahaha

Realmente seguiram a base militar da personagem e é bem legal acompanhar como ela lida com descobertas e perigos tendo esses dois lados a considerar, o dos ensinamentos do pai e o que marca o DNA dela como soldado. Sensacional.

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Lavínia F. Santana 29 de maio de 2020 - 14:33

Morro d inveja vcs q sabem inglês e podem consumir uma coisa dessas. Pelo visto a Jenny tem mto o comportamento d aventura do Doctor ne? Onde vc tem acesso a isso, só por curiosidade?

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 30 de maio de 2020 - 01:42

@lavinferbbsantana:disqus você pode ir treinando o seu inglês começando a ouvir as Short Trips. São aventuras de 5 a 30 minutos no máximo! Dá para ir acostumando o ouvido e ir acompanhando as histórias aos poucos, até você ter uma boa compreensão e pegar os full cast, que são beeeeeem longos.

E sim, a Jenny tem essa vontade de explorar, de conhecer coisas novas que é típica do Doutor. Na crítica eu procurei dar o máximo de contexto possível sobre a personalidade dela, sem spoiler.

E sobre o acesso, o Plano Crítico assina a Big Finish!

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Lavínia F. Santana 31 de maio de 2020 - 16:04

Infelizmente n é questão d treinar o ouvido. Eu n sei nada de inglês, preciso começar do zero pra poder entender o q o povo tá dizendo.

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 1 de junho de 2020 - 07:14

Ah, sim, entendi. Tem aplicativos gratuitos e alguns canais no youtube que podem te ajudar bastante, viu. Dá uma procurada! E você aprende sem gastar nada!

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