Crítica | Jenny: A Filha do Doutor – 1ª Temporada

Ela apareceu pela primeira vez em The Doctor's Daughter, numa aventura com o 10º Doutor, Martha e Donna no Planeta Messaline, em 6012. Criada a partir do material genético do Doutor, Jenny saiu para explorar o Universo. Ela nasceu como soldado e sua trajetória nesses primeiros passos pela vastidão do espaço mostra o quanto ela se vale da lição aprendida com o pai, nas horas posteriores ao nascimento, ideais que fazem toda a diferença para a sua constituição como pessoa, alguém que ainda está se conhecendo e que cultiva uma intensa e divertida curiosidade por absolutamente tudo, especialmente por coisas muito perigosas, peculiares e nada usuais. Plano Crítico.

Ela apareceu pela primeira vez em The Doctor’s Daughter, numa aventura com o 10º Doutor, Martha e Donna no Planeta Messaline, em 6012. Criada a partir do material genético do Doutor, Jenny saiu para explorar o Universo. Ela nasceu como soldado e sua trajetória nesses primeiros passos pela vastidão do espaço mostra o quanto ela se vale da lição aprendida com o pai, nas horas posteriores ao nascimento, ideais que fazem toda a diferença para a sua constituição como pessoa, alguém que ainda está se conhecendo e que cultiva uma intensa e divertida curiosidade por absolutamente tudo, especialmente por coisas muito perigosas, peculiares e nada usuais.

É imensamente prazeroso ver Georgia Tennant de volta ao papel de Jenny. Sua única aparição na TV deixou um número gigantesco de possibilidades e, como a Big Finish faz tudo, resgatou a personagem e criou para ela uma série que já em sua primeira temporada reafirma todas as características que vemos no roteiro original de Stephen Greenhorn e trabalha de modo cômico e ao mesmo tempo intenso a jornada dessa fantástica meio-gallifreyan. Sua caraterística geral é realmente de um “spin-off temático e performático” do Doutor, ou seja, uma exploradora destemida, hábil, que eventualmente acaba com um companion e uma vontade imensa de ajudar ou simplesmente ter contato com as coisas que nunca viu. O tempero diferencial está no fato de Jenny usar de violência sempre que necessário e sem nenhum receio moral por isso.

Essa temporada conta com 4 histórias e, como sempre no caso da BF, elas funcionam de modo, embora sejam melhor aproveitadas se ouvidas na sequência. O primeiro episódio, Stolen Goods, escrito por Matt Fitton, tem a tarefa mais difícil do volume, que é moldar Jenny para além do pouco que já conhecíamos dela. Com a ajuda da excelente atuação de Georgia Tennant, vemos desde o início o princípio de ação proposto pelo texto, a engraçada e empolgante reação de Jenny frente ao perigo e a maneira como Noah (futuramente também chamado de Elder One, embora não tenhamos nenhuma real informação sobre a identidade dele nessa temporada) acaba se tornando o seu parceiro de viagem.

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Prisoner of the Ood é o único episódio a se passar na Terra e um dos que mais me fizeram rir, além de trazer uma reação muito peculiar dos humanos frente a uma ameaça alienígena se manifestando. Confesso que não sei se é possível o tipo de “transformação” empregada pelos Oods nesse enredo, mas essa pequena dúvida e toda a parte do texto dedicada a criá-la passam rápido, deixando-nos com uma narração onde a mente de uma certa personagem está vendo ou se esquecendo coisas propositalmente escolhidas por um vilão. O final é simples até demais para a proposta geral de John Dorney no roteiro, mas definitivamente não é um encerramento negativo.

Neon Reign, escrito por Christian Brassington, tem a melhor criação de atmosfera do volume, aproximando-nos de um cenário parecido com a China Feudal, com bastante chuva e plantações de arroz, a despeito da poluição desse planeta terraformado e chamado Kamshassa. O plot policialesco mesclado com ficção científica e História traz novamente a urgência que a estreia da temporada nos trouxe, seguindo por esse caminho até chegar ao FinaleZero Space, de Adrian Poynton. A sugestiva confusão de parte da história cobra um preço um tantinho alto no fim, desfocando bastante a nossa atenção e principalmente adicionando um cameo inútil do 10º Doutor, uma cena que, para ele, está localizada entre The Next Doctor e O Prisioneiro dos Daleks.

Não sou muito fã de séries spin-off que insistem mais do que o necessário e uma mesma tecla de aproximação com sua fonte (meu maior impasse com a 1ª Temporada de O Diário de River Song veio daí), e ainda bem que isso só sai um pouco do controle aqui no final do último episódio. No conjunto, a temporada é uma notável introdução de Jenny na grade da Big Finish e mais uma oportunidade de o público ter contato com viagens incomuns e aventuras bem diferentes vindas de alguém tão próxima, mas ao mesmo tempo tão distante do Doutor.

Jenny: The Doctor’s Daughter (Reino Unido, 5 de junho de 2018)
Direção: Barnaby Edwards
Roteiro: Matt Fitton (Stolen Goods), John Dorney (Prisoner of the Ood), Christian Brassington (Neon Reign), Adrian Poynton (Zero Space)
Elenco: Georgia Tennant, Sean Biggerstaff, Stuart Milligan, Sarah Woodward, Clare Corbett, Siân Phillips, Arabella Weir, Olivia Darnley, Silas Carson, Rosalyn Landor, Arina II, Pik-Sen Lim, Sara Houghton, Paul Courtenay Hyu, Adèle Anderson, Anthony Calf
Duração: 60 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.