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Crítica | Jujutsu Kaisen – 3X11: A Colônia de Tóquio nº5

Luta contra os boletos.

por Ismael Vilela
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spoilers. Leiam, aqui, as críticas das demais obras do universo Jujutsu e aqui as críticas dos demais episódios da 3ª Temporada.

É visível que, apesar de, assim como em Shibuya, o anime ocorrer em diversos núcleos narrativos, existe, agora no arco da Migração à Extinção, um interesse estético muito maior. Isso, pois a cada luta da terceira temporada temos o interesse de uma narrativa que amadureça de modo coeso, utilizando os confrontos não como interrupções, mas como motores que impulsionam o enredo em direção ao seu auge criativo. Por isso, interessa muito mais desenvolver uma cena em que o sangue escorre delicadamente – como no final, com a morte de Reggie – do que simplesmente declarar um vencedor no confronto. Dito isso, cabe ressaltar que o episódio 11 é mais uma vez a prova de que o anime, em seu terceiro ano de produção, não consegue parar de se superar.

No centro dessa verdadeira obra-prima visual, encontramos Megumi Fushiguro e a manifestação de sua expansão de domínio. Dentro deste domínio, a lógica física é subvertida pela criatividade do roteiro. Reggie Star, o antagonista da vez, ativa seus golpes de boleto (por determinados momentos, pensei que Reggie poderia vencer, afinal, nunca vi um boleto perder) em uma tentativa desesperada de neutralizar a técnica de acerto garantido. Ele desconhece, porém, que o domínio incompleto de Megumi carece dessa habilidade específica, permitindo que o jovem feiticeiro o surpreenda com a crueza dos golpes físicos e a própria limitação do espaço do Ginásio. A estratégia aqui substitui a mera explosão de poder. Reggie utiliza recibos para materializar objetos, mas estes sucumbem ao abismo das sombras que reveste o solo.

O que se observa na tela é uma fidelidade extrema à atmosfera de tensão crescente. A luta evolui para um jogo de análise e resistência. Quando Reggie invoca três veículos, eles são tragados pela escuridão, mas o custo para Megumi é palpável: o feiticeiro cambaleia sob o peso das toneladas que agora carrega em sua própria sombra. A direção utiliza essa pressão para construir uma angústia física no espectador. A reviravolta surge quando a sombra se revela onipresente, estendendo-se até o teto, de onde Megumi faz surgir o Max Elephant. O impacto visual do animal sobre Reggie cria uma estagnação de forças onde ambos os combatentes beiram o colapso. O estalar dos ossos de Reggie – a fíbula e o calcanhar cedendo sob o peso do elefante – é um detalhe de precisão cirúrgica que torna o combate muito mais do que a luta pela luta.

Dando continuidade a essa arquitetura de análise, é fundamental compreender que a ascensão de Megumi Fushiguro na Colônia nº 5 de Tóquio não se dá pela força bruta – onde nomes como Higuruma ou o recém-chegado Kashimo poderiam superá-lo em termos de energia bruta –, mas pela sofisticação da adaptabilidade. Diferente de outros jogadores que dependem da rigidez de suas expansões de domínio ou da potência direta de seus golpes, Megumi opera em uma zona de cinzas teórica que o torna o oponente mais perigoso desse arco.

A sofisticação narrativa atinge seu ápice quando o confronto se desloca do plano metafísico do domínio para a realidade crua de um ginásio. Após Reggie quase sucumbir à falta de ar dentro das sombras e tentar um contra-ataque final com a invocação de um edifício inteiro, a estrutura do ginásio colapsa. Eles caem na piscina comunitária, um ambiente que anula os recibos de Reggie pela umidade e teoricamente limita Megumi. Entretanto, a narrativa revela que tudo foi uma construção intelectual de Fushiguro. O uso do shikigami para desferir o golpe fatal em um momento de vulnerabilidade de Reggie não é apenas uma vitória tática; é a conclusão de um exercício de sobrevivência e de estratégia. Reggie, ao aceitar a derrota e transferir seus pontos via Kogane, reconhece a superioridade de uma mente que soube moldar o caos a seu favor.

Paralelamente, o episódio expande seu horizonte para outros núcleos, mantendo a coesão de um emaranhado de histórias entrecruzadas. Observamos a figura excêntrica de Takaba e sua técnica cômica. Trata-se de uma habilidade de poder incomensurável, capaz de rivalizar com Satoru Gojo ao transformar o humor em realidade, embora o próprio usuário desconheça tal potencial. Essa introdução serve como um contraponto tonal necessário, equilibrando a seriedade do combate de Megumi com uma sofisticação contemplativa sobre a natureza do poder. Da mesma forma, a breve aparição da figura do Anjol sobre um Megumi exausto e o panorama dos quatro feiticeiros em Sendai – Dhruv Lakdawalla, Ryu Ishigori, Takako Uro e Kurourushi – estabelecem a magnitude do que está por vir. A entrada de Yuta Okkotsu, eliminando Lakdawalla com um único golpe, reafirma que o todo da obra é composto por forças avassaladoras que convergem para um destino inevitável, que administra a, ainda sentida, ausência de Gojo na série.

Jujutsu Kaisen – 3X11: A Colônia de Tóquio nº5 (東京コロニー5号) — Japão, 2026
Direção: Shouta Goshozono, Risa Suzuki
Roteiro: Hiroshi Seko (Baseado na obra de Gege Akutami)
Elenco: Junya Enoki, Megumi Ogata, Daisuke Namikawa, Yuki Tai, Yuma Uchida, Mikako Komatsu, Nana Mizuki, Mitsuo Iwata, Adam McArthur, Marina Inoue
Duração: 24 min.

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