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Crítica | Jumanji (1995)

por Fernando Campos
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Qualquer um que tenha nascido nos anos 90 e cresceu assistindo filmes à tarde na televisão se deparou um dia com Jumanji. Considerado um clássico da Sessão da Tarde, o longa apresenta uma história cheia de aventura, fórmula ideal para agradar o público infantil. Mas será que passada a ingenuidade da infância o filme continua tão encantador?

O longa conta a história de Alan Parrish (Adam Hann-Byrd/Robin Williams), o filho de um empresário, que descobre encontra um jogo chamado Jumanji. Quando começa a jogar com uma amiga, Sarah Whittle (Laura Bell Bundy/Bonnie Hunt), ele logo é penalizado a ficar na floresta até que alguém tire um cinco ou um oito na soma dos dados. Mas, vinte e seis anos depois, duas crianças começam a joga, libertando Alan. Porém, a única forma de deixar tudo como antes é terminar a partida, mas para isto é preciso achar a participante da partida de 1969, que já se tornara uma mulher, ainda amedrontada com os episódios de 26 anos atrás.

Logo no primeiro ato o diretor Joe Johnston apresenta duas sequências de cenas em duas épocas diferentes, uma com dois meninos tentando se livrar do tabuleiro e outra com a trágica consequência de uma jogada, estabelecendo logo de cara o quão perigoso é o jogo e com isso atrair a curiosidade do público. Essa escolha do diretor mostra a prioridade da trama, uma vez que, o roteiro, escrito por Jonathan Heinsleigh, Greg Taylor e Jim Strain, opta por destacar o desenrolar do jogo e os obstáculos que ele proporciona. Uma decisão acertada no âmbito do entretenimento, possibilitando ainda mais o uso de efeitos especiais e a construção de várias cenas de ação, mas nem tanto para criar uma trama rica onde todos os personagens são bem desenvolvidos. Além disso, alguns personagens que possuem um espaço significativo em tela, como a tia Sheperd, são ignorados no final do filme.

Mesmo priorizando mostrar o desenvolvimento do jogo, essa escolha só funcionaria com efeitos especiais eficientes, caso contrário, nenhuma das ameaças pareceriam convincentes. Portanto, o diretor intercala o uso de efeitos mecânicos (que utilizam adereços reais), como, por exemplo, a planta carnívora que sai da lareira, mas também efeitos gerados por computação gráfica, como os macacos que acabam servindo como um alívio cômico, o que não se mostra uma decisão correta, já que a diferença entre esses dois recursos em cena é gritante, passando uma sensação de estranhamento. Apesar disso, o design de produção é eficiente em tornar a mansão dos Parrish um lugar cada vez mais hostil, inserindo no cenário adereços que enfatizam como a casa está sendo tomada pela natureza, chegando ao ápice no clímax da obra. Por fim, o compositor James Horner, que trabalhou em filmes como Aliens, O Resgate e Cocoon, cria uma trilha que ressalta o tom aventuresco da obra.

Porém, o que realmente prende a atenção do público é a ótima química entre os quatro protagonistas e a escolha de Robin Williams como personagem principal foi a mais acertada possível, uma vez que, o carisma do ator é inigualável, criando um Alan que transmite confiança ao lidar com todos os obstáculos a sua frente. Mas os méritos não ficam apenas com Willians, Kirsten Dunst já mostrava todo o seu potencial para atuar, construindo uma Judy bastante irônica com os demais e Bonnie Hunt consegue transparecer os traumas de Sarah por ter testemunhado o desaparecimento de seu amigo quando era jovem, já Bradley Pierce tem uma atuação limitada devido à maquiagem que ele utiliza a partir do meio da projeção. Outro fator que fortalece a relação dos quatro é a fotografia, geralmente os enquadrando no mesmo plano, ressaltando a união entre eles.

Como foi dito antes, a obra pouco explora os traumas de seus personagens principais, mas apesar disso, o roteiro insere elementos na trama que possibilitam a construção de uma mensagem no fim para fazer refletirem tanto pais quanto filhos, mostrando os efeitos negativos que uma briga pode desencadear e o arrependimento que uma palavra áspera direcionada a alguém que amamos pode trazer.

Uma das frases escritas no tabuleiro do jogo é: “para você que quer fugir do seu mundo”; claro que isso é levado ao pé da letra na história, mas representa perfeitamente o espírito de jogar algo cativante, principalmente na infância. Por isso, Jumanji fez tanto sucesso com o público, porque torna reais os obstáculos de um jogo, assim como acontece em nossa imaginação ao brincar com algo que tanto gostamos, fugindo de nossa realidade. Uma pena que o avançar da idade nos faça perder um pouco desse encantamento.

  • Crítica publicada originalmente em 29 de julho de 2016.

Jumanji – EUA/Canadá, 1995
Direção: Joe Johnston
Roteiro: Jonathan Heinsleigh, Greg Taylor, Jim Strain (baseado na obra de Chris Van Allsburg)
Elenco: Robin Williams, Bonnie Hunt, Kirsten Dunst, Bradley Pierce, Jonathan Hyde, David Alan Grier, Patricia Clarkson, Adan Hann-Byrd, Bebe Neuwirth, Laura Bell Bundy, Gillian Barber, Brandon Obray
Duração: 107 min.

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15 comentários

Luiz Santiago 16 de setembro de 2016 - 13:03

Excelente abordagem. Eu via isso direto na Sessão da Tarde e tenho um carinho enorme pelo filme, se bem que se fosse escrever, daria a mesma nota que você. Tá vindo um outro aí, né? Animado ou com o pé atrás pra esse reboot?

Responder
Fernando Campos 16 de setembro de 2016 - 16:25

Eu assistia esse filme pelo menos uma vez por ano na Sessão da Tarde haha, bons tempos. Mesmo identificando os problemas da obra olhando hoje em dia, não deixa de ser bacana, mas a nota não foge disso mesmo. Eu sempre tenho um pé atrás com reboots/remakes, fiquei mais ainda quando o The Rock disse que se trataria de uma continuação, me pergunto como farão isso sem o Robin Willians. Li também que, além do Dwayne Johnson, Jack Black e Kevin Hart estarão no elenco, então talvez o longa tenha uma pegada voltada pro humor. Prefiro não criar expectativas. E você, animado?

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Fernando Campos 16 de setembro de 2016 - 16:25

Eu assistia esse filme pelo menos uma vez por ano na Sessão da Tarde haha, bons tempos. Mesmo identificando os problemas da obra olhando hoje em dia, não deixa de ser bacana, mas a nota não foge disso mesmo. Eu sempre tenho um pé atrás com reboots/remakes, fiquei mais ainda quando o The Rock disse que se trataria de uma continuação, me pergunto como farão isso sem o Robin Willians. Li também que, além do Dwayne Johnson, Jack Black e Kevin Hart estarão no elenco, então talvez o longa tenha uma pegada voltada pro humor. Prefiro não criar expectativas. E você, animado?

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Luiz Santiago 16 de setembro de 2016 - 19:41

Pois é, temos o mesmo pé atrás em relação a reboots. Não consigo ter ânimo não. Gosto de alguns dos que estão envolvidos no projeto, mas a gente sabe que isso não basta, né? hahahhahaha

Responder
Luiz Santiago 16 de setembro de 2016 - 19:41

Pois é, temos o mesmo pé atrás em relação a reboots. Não consigo ter ânimo não. Gosto de alguns dos que estão envolvidos no projeto, mas a gente sabe que isso não basta, né? hahahhahaha

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Luiz Santiago 16 de setembro de 2016 - 13:03

Excelente abordagem. Eu via isso direto na Sessão da Tarde e tenho um carinho enorme pelo filme, se bem que se fosse escrever, daria a mesma nota que você. Tá vindo um outro aí, né? Animado ou com o pé atrás pra esse reboot?

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Lucas 30 de julho de 2016 - 14:04

A não antigamente não existia consoles de videogames não é? E o Playstation 1 e o Nintendo 64 eram o que caramba?

Responder
Lucas 30 de julho de 2016 - 14:04

A não antigamente não existia consoles de videogames não é? E o Playstation 1 e o Nintendo 64 eram o que caramba?

Responder
Fernando Campos 31 de julho de 2016 - 01:41

Primeiramente, o roteiro do filme foi escrito baseado no livro que é de 1981. Segundo, antigamente existiam video games, mas nem todo mundo tinha acesso, devido ao valor e mesmo assim não substituiam outras brincadeiras.

Agora, compare com atualmente. As crianças cada vez mais cedo têm acesso as tecnologias, podendo jogar jogos muito mais realísticos em um simples celular. Basta comparar as gerações.

Espero ter sido claro no esclarecimento. Abraço!

Responder
Lucas 31 de julho de 2016 - 02:38

A maioria dos jogos atuais são feitos para o público adulto em sua maioria de 20 a 30 anos.

Responder
Luiz Santiago 16 de setembro de 2016 - 13:02

Ué. Isso não impede que haja uma porcentagem gigantesca de crianças que jogam. Aliás, é ser muito desconectado da realidade para não perceber que houve uma diminuição das “brincadeiras de rua” pelos jogos eletrônicos nas gerações pós-2000.

Responder
Luiz Santiago 16 de setembro de 2016 - 13:02

Ué. Isso não impede que haja uma porcentagem gigantesca de crianças que jogam. Aliás, é ser muito desconectado da realidade para não perceber que houve uma diminuição das “brincadeiras de rua” pelos jogos eletrônicos nas gerações pós-2000.

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Lucas 31 de julho de 2016 - 02:38

A maioria dos jogos atuais são feitos para o público adulto em sua maioria de 20 a 30 anos.

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Lucas 31 de julho de 2016 - 02:40

Jogar videogame não apenas uma “brincadeira” seu leigo mas um hobby como assistir filmes mas você não diz que assistir filmes é um brincadeira não é, para de tentar diminuir e falar sobre algo que você para não falar bobagens como nessa critica.

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Fernando Campos 31 de julho de 2016 - 01:41

Primeiramente, o roteiro do filme foi escrito baseado no livro que é de 1981. Segundo, antigamente existiam video games, mas nem todo mundo tinha acesso, devido ao valor e mesmo assim não substituiam outras brincadeiras.

Agora, compare com atualmente. As crianças cada vez mais cedo têm acesso as tecnologias, podendo jogar jogos muito mais realísticos em um simples celular. Basta comparar as gerações.

Espero ter sido claro no esclarecimento. Abraço!

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