Crítica | Justiça Jovem – 3ª Temporada: Parte Um

  • Leiam, aqui, a crítica das temporadas anteriores.

No final de 2010 e ao longo de todo o ano de 2011 e o primeiro trimestre de 2012, a primeira temporada de Justiça Jovem nadou de braçada na televisão americana, abrindo espaço para uma equipe composta de sidekicks de super-heróis já estabelecidos e firmando-se como uma das melhores ofertas do gênero da Warner Bros. Animation. Com o subtítulo Invasão, a segunda temporada da série, agora só com 20 episódios, seis a menos do que na inaugural, surpreendentemente, considerando um pulo temporal de cinco anos e um dilúvio de personagens novos e antigos repaginados, conseguiu ser ainda melhor. Mas, mais surpreendente do que a qualidade, foi seu cancelamento súbito que deixou os fãs órfãos da obra desenvolvida por Brandon Vietti e Greg Weisman.

Corta para meados de 2017 e, com o anúncio do lançamento do serviço de streaming DC Universe, que prometia material inédito exclusivo a começar pela série Titãs, Justiça Jovem foi ressuscitada e agendada para o início de 2019, como que uma espécie de preenchimento do “hiato” entre a sombria e violenta abordagem dos Novos Titãs, encerrada no final de dezembro de 2018 e a espetacular adaptação de Patrulha do Destino, que começaria em fevereiro de 2019. Ao longo de janeiro de 2019, então, 13 episódios – ou metade – da terceira temporada da saudosa animação foi ao ar em uma periodicidade estranha, de três episódios por semana e quatro na última, com um longo intervalo até o começo da segunda parte, com mais 13 episódios, marcado para 02 de julho. Apesar da complexa tarefa de trazer à vida uma série há bastante tempo cancelada, Vietti e Weisman arregaçaram as mangas e mergulharam em seu trabalho, entregando uma primeira metade de temporada tumultuada, mas frenética e que não tenta pegar o espectador pela mão.

Desnecessário dizer – mas direi da mesma forma – que minha análise leva em consideração apenas os episódios que já foram ao ar, mas consciente de que há muito ainda pela frente. Portanto, pode ser que a visão de conjunto e em retrospecto dos 26 episódios seja diferente – para o mal ou para o bem – da presente crítica, algo que só ficará completamente claro em alguns meses.

Assim como os showrunners fizeram na segunda temporada, há um salto temporal significativo aqui, de dois anos, que ajuda a distanciar os eventos e a dar um ar de “recomeço”, com a introdução de diversos outros personagens do baú da DC Comics, como Brion Markov (Troy Baker), o Geoforça, Violet Harper/Gabrielle Doe (Zehra Fazal), uma espécie de “fusão” entre as duas versões de Halo dos quadrinhos e Forrageador (Jason Spisak), o insetoide de Nova Gênese e versões ainda mais adultas dos personagens que começaram lá atrás muito jovens, como Kaldur’ahm (Khary Payton), ex-Aqualad e agora o novo Aquaman e líder da Liga da Justiça junto com a Mulher-Maravilha (Maggie Q), Dick Grayson (Jesse McCartney), o Asa Noturna, agindo solo, Conner Kent (Nolan North), o Superboy e M’Gann M’orzz (Danica McKellar), a Miss Marte, vivendo juntos uma vida dividida entre sua fazenda idílica e suas atividades super-heroicas e assim por diante. Mesmo tentando fazer de tudo para que essa nova temporada seja um ponto de entrada para novos espectadores, a grande verdade é que aqueles que não viram as temporadas anteriores poderão ficar desnorteados com a quantidade de nomes e situações que são citados como elementos para dar base ao que vemos na telinha. E não afirmo isso negativamente, pois fica evidente que Vietti e Weisman escolheram andar para a frente na construção de personagens, jamais equalizando por baixo. E isso sem falar na volta de todo o elenco de voz das temporadas anteriores, um grande feito por si só!

Se a opção por um novo salto temporal é mais uma vez acertada e bem trabalhada ao longo de toda a meia-temporada, outro artifício utilizado corretamente na segunda temporada e que é repetido aqui não é tão bem-sucedido. Trata-se da “eliminação” da Liga da Justiça da equação. Ainda que vários de seus componentes sejam vistos aqui e ali ao longo da temporada, a grande verdade é que os showrunners parecem não conseguir trabalhar a Justiça Jovem sem defenestrar os heróis adultos sem cerimônia. A desculpa da vez é que a Liga continua lidando com sua reputação galáxia afora, com diversas equipes lutando em planetas distantes, além do fato de que as Nações Unidas, agora comandada por Lex Luthor (Mark Rolston), vem fazendo de tudo para dificultar a vida da super-equipe na Terra. A influência nefasta de Luthor leva Batman (Bruce Greenwood) a estourar e a demitir-se da Liga, levando com ele seus sidekicks e outros agregados tanto da equipe veterana quanto da jovem, criando o que é logo alcunhado de Corporação Batman (Batman, Inc.) em alusão à publicação criada por Grant Morrison em 2010.

Com Asa Noturna logo criando sua própria equipe – os Outsiders, ou Renegados, do subtítulo – que passa a ser sediada na fazenda de Superboy e de Miss Marte e Batman agindo mais nas sombras ainda, a Liga é praticamente apagada dessa metade da temporada, sobrando pouco espaço até mesmo para a Justiça Jovem como equipe. É uma fragmentação estranha e que parece forçada demais até mesmo para os normalmente rebeldes Batman e Asa Noturna e que de certa forma traem o espírito de equipe tão bem construídos ao longo das duas temporadas anteriores. E essa sensação de “despedaçamento” continua firme e forte ao longo dos 13 episódios, só ganhando lógica narrativa e tangenciamento firme em dois episódios-chave – Tripthyc, o 8º e True Heroes, o 13º – o que, apesar de não ser suficiente para dar coesão definitiva ao que foi apresentado até agora, pelo menos estabelece promessas para uma segunda metade que potencialmente amarrará as pontas soltas como aconteceu na temporada anterior. Não há razões, ainda, para duvidar do trabalho dos showrunners.

Em linhas gerais, o elemento narrativo comum para essa meia- temporada e que ganha um arco completo (ainda bem!) gira em torno do tráfico de jovens meta-humanos por parte de facções da organização criminosa A Luz, figurinha fácil antagonista da Liga da Justiça e Justiça Jovem (e agora dos Renegados) na série. Mesmo sendo abordado de maneira difusa e muito mais como uma desculpa para impulsionar as sequências de ação e introduzir principalmente o trio composto por Geoforça, Halo e Forrageador, a história funciona e seu fio da meada é bem trabalhado e suficientemente completo para que, ao final do 13º episódio, o espectador possa perceber que ela chegou a um fim (não necessariamente ao encerramento completo, claro). Além disso, é interessante ver como o próprio grupo vilanesco A Luz é trabalhado de maneria semelhante às várias equipes de super-heróis, ou seja, ele é também fragmentado em várias mini-equipes que, porém, ganham algum grau de interconexão que permite o vislumbre de algo grandioso para a vindoura segunda metade.

No entanto, diferente da segunda temporada, os showrunners demonstram menos habilidade em lidar com a impressionante quantidade de personagens que passeia por esses 13 episódios. No lugar de focar no núcleo duro da temporada, basicamente composto pelos heróis citados mais acima na presente crítica, há uma insistência em se resgatar outros personagens que já haviam ganhado os holofotes antes, como Besouro Azul (Eric Lopez), Mutano (Greg Cipes) e Roy Harper (Crispin Freeman), além de participações especiais de nomes como o Maioral Lobo (David Sobolov) e o conflito entre Senhor Destino/Zatara (Kevin Michael Richardson e Nolan North, respectivamente) e Zatanna (Lacey Chabert). E, em cima disso tudo, há a introdução tardia de ainda mais personagens, como Victor Stone (Zeno Robinson), o Ciborgue e toda sua mitologia e Terra (Tara Strong). É gente demais entrando e saindo sem cerimônia e muitas vezes sem os uniformes característicos, o que acaba contribuindo para uma certa confusão de um lado e, de outro, pouco tempo para que eles ganhem a devida construção.

Seja como for, apesar de seus problemas, a tão aguardada terceira temporada de Justiça Jovem funciona bem como a devida continuação do arco narrativo macro anterior e também como veículo de entrada de novos e interessantes personagens. É muito provável que a segunda metade da temporada corrija os problemas detectados aqui, mas só o tempo dirá se minha previsão está correta. De toda forma, há material suficiente na animação para animar a Warner/DC a oferecer vários spin-offs para turbinar seu serviço de streaming.

Justiça Jovem – 3ª Temporada: Parte Um (Young Justice, EUA – 04 a 25 de janeiro de 2019)
Criação: Brandon Vietti, Greg Weisman
Direção: Christopher Berkeley, Mel Zwyer, Vinton Hueck
Roteiro: Greg Weisman, Andrew Robinson, Brandon Vietti, Michael Vogel, Nicole Dubuc, Joshua Hale Fialkov, Peter David, Francisco Paredes, Mae Catt, Kevin Hopps
Elenco (vozes originais): Jesse McCartney, Nolan North, Stephanie Lemelin, Khary Payton, Jason Spisak, Zehra Fazal, Troy Baker, Alyson Stoner, Zeno Robinson, Tara Strong, Danica McKellar, Greg Cipes, Mae Whitman, Eric Lopez, Jason Marsden, Bryton James, Lauren Tom, James Arnold Taylor, Bruce Greenwood, Cameron Bowen, Mae Whitman, Kelly Stables, Alan Tudyk, Fred Tatasciore, David Kaye, Jennifer Lewis, Marina Sirtis, Mark Rolston, Oded Fehr, Crispin Freeman, Maggie Q, Kevin Michael Richardson, Lacey Chabert
Duração: 299 min. aprox. (13 episódios)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.