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Crítica | Justiça Jovem – 3ª Temporada: Parte Um

por Ritter Fan
1016 views (a partir de agosto de 2020)

  • Leiam, aqui, a crítica das temporadas anteriores.

No final de 2010 e ao longo de todo o ano de 2011 e o primeiro trimestre de 2012, a primeira temporada de Justiça Jovem nadou de braçada na televisão americana, abrindo espaço para uma equipe composta de sidekicks de super-heróis já estabelecidos e firmando-se como uma das melhores ofertas do gênero da Warner Bros. Animation. Com o subtítulo Invasão, a segunda temporada da série, agora só com 20 episódios, seis a menos do que na inaugural, surpreendentemente, considerando um pulo temporal de cinco anos e um dilúvio de personagens novos e antigos repaginados, conseguiu ser ainda melhor. Mas, mais surpreendente do que a qualidade, foi seu cancelamento súbito que deixou os fãs órfãos da obra desenvolvida por Brandon Vietti e Greg Weisman.

Corta para meados de 2017 e, com o anúncio do lançamento do serviço de streaming DC Universe, que prometia material inédito exclusivo a começar pela série Titãs, Justiça Jovem foi ressuscitada e agendada para o início de 2019, como que uma espécie de preenchimento do “hiato” entre a sombria e violenta abordagem dos Novos Titãs, encerrada no final de dezembro de 2018 e a espetacular adaptação de Patrulha do Destino, que começaria em fevereiro de 2019. Ao longo de janeiro de 2019, então, 13 episódios – ou metade – da terceira temporada da saudosa animação foi ao ar em uma periodicidade estranha, de três episódios por semana e quatro na última, com um longo intervalo até o começo da segunda parte, com mais 13 episódios, marcado para 02 de julho. Apesar da complexa tarefa de trazer à vida uma série há bastante tempo cancelada, Vietti e Weisman arregaçaram as mangas e mergulharam em seu trabalho, entregando uma primeira metade de temporada tumultuada, mas frenética e que não tenta pegar o espectador pela mão.

Desnecessário dizer – mas direi da mesma forma – que minha análise leva em consideração apenas os episódios que já foram ao ar, mas consciente de que há muito ainda pela frente. Portanto, pode ser que a visão de conjunto e em retrospecto dos 26 episódios seja diferente – para o mal ou para o bem – da presente crítica, algo que só ficará completamente claro em alguns meses.

Assim como os showrunners fizeram na segunda temporada, há um salto temporal significativo aqui, de dois anos, que ajuda a distanciar os eventos e a dar um ar de “recomeço”, com a introdução de diversos outros personagens do baú da DC Comics, como Brion Markov (Troy Baker), o Geoforça, Violet Harper/Gabrielle Doe (Zehra Fazal), uma espécie de “fusão” entre as duas versões de Halo dos quadrinhos e Forrageador (Jason Spisak), o insetoide de Nova Gênese e versões ainda mais adultas dos personagens que começaram lá atrás muito jovens, como Kaldur’ahm (Khary Payton), ex-Aqualad e agora o novo Aquaman e líder da Liga da Justiça junto com a Mulher-Maravilha (Maggie Q), Dick Grayson (Jesse McCartney), o Asa Noturna, agindo solo, Conner Kent (Nolan North), o Superboy e M’Gann M’orzz (Danica McKellar), a Miss Marte, vivendo juntos uma vida dividida entre sua fazenda idílica e suas atividades super-heroicas e assim por diante. Mesmo tentando fazer de tudo para que essa nova temporada seja um ponto de entrada para novos espectadores, a grande verdade é que aqueles que não viram as temporadas anteriores poderão ficar desnorteados com a quantidade de nomes e situações que são citados como elementos para dar base ao que vemos na telinha. E não afirmo isso negativamente, pois fica evidente que Vietti e Weisman escolheram andar para a frente na construção de personagens, jamais equalizando por baixo. E isso sem falar na volta de todo o elenco de voz das temporadas anteriores, um grande feito por si só!

Se a opção por um novo salto temporal é mais uma vez acertada e bem trabalhada ao longo de toda a meia-temporada, outro artifício utilizado corretamente na segunda temporada e que é repetido aqui não é tão bem-sucedido. Trata-se da “eliminação” da Liga da Justiça da equação. Ainda que vários de seus componentes sejam vistos aqui e ali ao longo da temporada, a grande verdade é que os showrunners parecem não conseguir trabalhar a Justiça Jovem sem defenestrar os heróis adultos sem cerimônia. A desculpa da vez é que a Liga continua lidando com sua reputação galáxia afora, com diversas equipes lutando em planetas distantes, além do fato de que as Nações Unidas, agora comandada por Lex Luthor (Mark Rolston), vem fazendo de tudo para dificultar a vida da super-equipe na Terra. A influência nefasta de Luthor leva Batman (Bruce Greenwood) a estourar e a demitir-se da Liga, levando com ele seus sidekicks e outros agregados tanto da equipe veterana quanto da jovem, criando o que é logo alcunhado de Corporação Batman (Batman, Inc.) em alusão à publicação criada por Grant Morrison em 2010.

Com Asa Noturna logo criando sua própria equipe – os Outsiders, ou Renegados, do subtítulo – que passa a ser sediada na fazenda de Superboy e de Miss Marte e Batman agindo mais nas sombras ainda, a Liga é praticamente apagada dessa metade da temporada, sobrando pouco espaço até mesmo para a Justiça Jovem como equipe. É uma fragmentação estranha e que parece forçada demais até mesmo para os normalmente rebeldes Batman e Asa Noturna e que de certa forma traem o espírito de equipe tão bem construídos ao longo das duas temporadas anteriores. E essa sensação de “despedaçamento” continua firme e forte ao longo dos 13 episódios, só ganhando lógica narrativa e tangenciamento firme em dois episódios-chave – Tripthyc, o 8º e True Heroes, o 13º – o que, apesar de não ser suficiente para dar coesão definitiva ao que foi apresentado até agora, pelo menos estabelece promessas para uma segunda metade que potencialmente amarrará as pontas soltas como aconteceu na temporada anterior. Não há razões, ainda, para duvidar do trabalho dos showrunners.

Em linhas gerais, o elemento narrativo comum para essa meia- temporada e que ganha um arco completo (ainda bem!) gira em torno do tráfico de jovens meta-humanos por parte de facções da organização criminosa A Luz, figurinha fácil antagonista da Liga da Justiça e Justiça Jovem (e agora dos Renegados) na série. Mesmo sendo abordado de maneira difusa e muito mais como uma desculpa para impulsionar as sequências de ação e introduzir principalmente o trio composto por Geoforça, Halo e Forrageador, a história funciona e seu fio da meada é bem trabalhado e suficientemente completo para que, ao final do 13º episódio, o espectador possa perceber que ela chegou a um fim (não necessariamente ao encerramento completo, claro). Além disso, é interessante ver como o próprio grupo vilanesco A Luz é trabalhado de maneria semelhante às várias equipes de super-heróis, ou seja, ele é também fragmentado em várias mini-equipes que, porém, ganham algum grau de interconexão que permite o vislumbre de algo grandioso para a vindoura segunda metade.

No entanto, diferente da segunda temporada, os showrunners demonstram menos habilidade em lidar com a impressionante quantidade de personagens que passeia por esses 13 episódios. No lugar de focar no núcleo duro da temporada, basicamente composto pelos heróis citados mais acima na presente crítica, há uma insistência em se resgatar outros personagens que já haviam ganhado os holofotes antes, como Besouro Azul (Eric Lopez), Mutano (Greg Cipes) e Roy Harper (Crispin Freeman), além de participações especiais de nomes como o Maioral Lobo (David Sobolov) e o conflito entre Senhor Destino/Zatara (Kevin Michael Richardson e Nolan North, respectivamente) e Zatanna (Lacey Chabert). E, em cima disso tudo, há a introdução tardia de ainda mais personagens, como Victor Stone (Zeno Robinson), o Ciborgue e toda sua mitologia e Terra (Tara Strong). É gente demais entrando e saindo sem cerimônia e muitas vezes sem os uniformes característicos, o que acaba contribuindo para uma certa confusão de um lado e, de outro, pouco tempo para que eles ganhem a devida construção.

Seja como for, apesar de seus problemas, a tão aguardada terceira temporada de Justiça Jovem funciona bem como a devida continuação do arco narrativo macro anterior e também como veículo de entrada de novos e interessantes personagens. É muito provável que a segunda metade da temporada corrija os problemas detectados aqui, mas só o tempo dirá se minha previsão está correta. De toda forma, há material suficiente na animação para animar a Warner/DC a oferecer vários spin-offs para turbinar seu serviço de streaming.

Justiça Jovem – 3ª Temporada: Parte Um (Young Justice, EUA – 04 a 25 de janeiro de 2019)
Criação: Brandon Vietti, Greg Weisman
Direção: Christopher Berkeley, Mel Zwyer, Vinton Hueck
Roteiro: Greg Weisman, Andrew Robinson, Brandon Vietti, Michael Vogel, Nicole Dubuc, Joshua Hale Fialkov, Peter David, Francisco Paredes, Mae Catt, Kevin Hopps
Elenco (vozes originais): Jesse McCartney, Nolan North, Stephanie Lemelin, Khary Payton, Jason Spisak, Zehra Fazal, Troy Baker, Alyson Stoner, Zeno Robinson, Tara Strong, Danica McKellar, Greg Cipes, Mae Whitman, Eric Lopez, Jason Marsden, Bryton James, Lauren Tom, James Arnold Taylor, Bruce Greenwood, Cameron Bowen, Mae Whitman, Kelly Stables, Alan Tudyk, Fred Tatasciore, David Kaye, Jennifer Lewis, Marina Sirtis, Mark Rolston, Oded Fehr, Crispin Freeman, Maggie Q, Kevin Michael Richardson, Lacey Chabert
Duração: 299 min. aprox. (13 episódios)

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28 comentários

Luís Vicente 13 de março de 2020 - 06:48

Vai ter critica da parte 2?

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planocritico 13 de março de 2020 - 18:37

Teremos sim, mas não sei ainda quando!

Abs,
Ritter.

Responder
Pedro Augusto 8 de junho de 2020 - 17:10

Três meses depois….
kkkkkkkkkkk

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planocritico 8 de junho de 2020 - 18:08

Por isso eu disse que não sabia quando…

Abs,
Ritter.

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Eduardo Roque 19 de agosto de 2019 - 07:42

Fala, Ritter! A temporada tá disponível no Brasil?

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planocritico 19 de agosto de 2019 - 14:25

Ainda não. Eu vi no DC Universe mesmo, quando estava viajando.

Abs,
Ritter.

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Eduardo Roque 28 de agosto de 2019 - 11:19

Valeu. O jeito é esperar ou aprimorar meu inglês

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Renan Souza 14 de junho de 2019 - 11:51

parece pedir demais , mas eu gostaria de ver a dona troy em ação na continuação da temporada rsrs

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planocritico 14 de junho de 2019 - 15:25

Não descarte a possibilidade!

Abs,
Ritter.

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Vitor Guerra 1 de junho de 2019 - 03:08

Pra ser sincero a participação da Liga me incomoda desde a segunda temporada onde por varias cenas eles não agiam porque sim(a primeira temporada continua sendo a melhor que lidou com esse quesito)
Gostei da meia temporada ela tem problemas(que você apontou bem) mas ainda gostei bastante, sempre preferi Justiça Jovem com um foco mais “contido” e com menos personagens então fiquei feliz com a proposta da temporada. Gostei muito dos três personagens novos(apesar de concordar que as vezes eles martelavam as mesmas coisas com eles) e o destaque pro Raio Negro foi uma estranha mas boa surpresa.
E Ritter o que acho do episodio focado no Vandal Savage? eu me lembro que a falta de personalidade dos vilões era algo que te incomodou na segunda temporada.

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planocritico 2 de junho de 2019 - 15:19

O maior problema do episódio “de origem” do Savage é que ele é solto na meia-temporada. Lembra o do Mutano.

Mas, no geral, foram bons 13 episódios com chances dos próximos 13 melhorarem ainda mais a impressão de conjunto!

Abs,
Ritter.

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lambo 31 de maio de 2019 - 18:57

o que mais queria nessa temporada era continuação da historia com os personagens que foram apresentados na segunda temporada, como mutano, super choque, besouro azul etc… os novos caras que entraram, não consegui gostar muito deles não. Não que as historias deles fossem ruim, mas não rolou uma quimica entre eu e eles. Mas mesmo assim eu gostei dessa primeira parte da terceira temporada.

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planocritico 31 de maio de 2019 - 19:05

Desconfio que o Mutano voltará de verdade para a série na segunda metade da temporada. Já o Besouro Azul, ele foi o destaque da temporada anterior e teve seu arco completado. Super Choque poderia ganhar alguma atenção a mais de fato.

Abs,
Ritter.

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João Victor 31 de maio de 2019 - 00:08

Aquele episódio do Mutano é muito lindo, me deu uma mistura de risos e choros ao mesmo tempo naquela parte da Doom Patrol Go. O q achei chato na temporada foi q focaram muito nos 3 novos personagens principais (Geoforce, Halo e Forager) q passaram muito tempo sem desenvolvimento, rebatendo o tempo td q o Geoforce é estressado, a Halo confusa e o Forager bobão, gostei deles, mas dava pra cortar muitas cenas.

Responder
planocritico 31 de maio de 2019 - 01:22

Foi um bom episódio sim, mas que ficou solto nessa meia temporada. Concordo que houve talvez um foco excessivo nos três novos personagens sem que houvesse real necessidade.

No final das contas, acho que esses dois problemas se deram pela quantidade excessiva de personagens que os showrunners resolveram usar…

Abs,
Ritter.

Responder
Érica Pazzi 30 de maio de 2019 - 22:53

Eu gostei dessa meia temporada apesar de preferir as anteriores.
Mas eu estava realmente na expectativa sobre o plot do Kid Flash.

Responder
planocritico 31 de maio de 2019 - 01:22

Acho que a trama do Kid Flash já havia se encerrado completamente, não?

Abs,
Ritter.

Responder
Érica Pazzi 31 de maio de 2019 - 02:07

Spoiler pra quem não viu o final da segunda temporada.

Na segunda temporada a liga enfrentou um problema com a expansão o kid flash precisou se ” sacrificar” para salvar todos.
Mas eu acho q ele está preso na força da aceleração.
A temporada tratou muito bem os efeitos q isso causou na Artemis e nos outros membros da equipe.
Mas eu ia gostar muito de ver mais sobre.

Responder
planocritico 31 de maio de 2019 - 16:01

@selenethpazzi:disqus , imaginei que você fosse sugerir algo assim. Olha, eu acho que seria bacana, MAS preferiria muito mais que a Warner/DC aproveitasse coisas assim para justamente fazer o que sugeri ao final da crítica: spin-offs a partir de personagens e eventos de Justiça Jovem. Kid Flash na força de aceleração seria um candidato perfeito para isso e nem precisaria ser uma temporada de 20 e tantos episódios. Bastava uma minissérie de algo como 8 a 10 episódios. Dentro de Justiça Jovem é que eu acho que fica problemático (pelo menos potencialmente).

Abs,
Ritter.

Responder
Érica Pazzi 1 de junho de 2019 - 00:08

Eu concordo com você seria genial. Eu adoraria até pq nas HQs já teve eventos parecidos apesar de não ser com o kid flash. E foi um bom arco.

planocritico 1 de junho de 2019 - 14:55

Considerando que a DC Universe precisa de conteúdo inédito, tomara que eles sigam por aí!

Abs,
Ritter.

Érica Pazzi 1 de junho de 2019 - 17:06

Sim qto mais animações melhor.

Dean Winchester 2 de junho de 2019 - 11:19

Oii Érica. Sou eu o winchester
Queria ser seu amigo . Adoraria falar de séries e mais com você kkk

Érica Pazzi 3 de junho de 2019 - 22:20

Olá! Q legal.
Me add no Facebook então Érica Pazzi

Dean Winchester 5 de junho de 2019 - 21:09

Eu não uso face
Faz um tempo. Me passa seu Whatsapp. Aí te add e chamo viu

Érica Pazzi 6 de junho de 2019 - 21:04

Oiee passa o seu q eu add

pabloREM 30 de maio de 2019 - 17:59

Gostei bastante dessa meia temporada, acho que a segunda parte será ainda melhor.

Responder
planocritico 30 de maio de 2019 - 17:59

Em termos comparativos – que são injustos, claro – achei essa meia-temporada mais fraca do que cada uma das duas temporadas inteiras anteriores. Mas é bem possível que a qualidade suba quando tudo estiver encerrado.

Abs,
Ritter.

Responder

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