Crítica | Ken Parker: O Rifle Comprido

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Quando criaram o personagem e a história que encabeçariam uma longeva e muito importante série da então editora CEPIM (futura Sergio Bonelli Editore), o roteirista Giancarlo Berardi e o desenhista Ivo Milazzo não tinham planos ambiciosos. Na verdade, eles pensavam em um modesto e único episódio de uma cruel História que começa no Montana, em 29 de dezembro de 1868 e que termina ainda na primeira quinzena de janeiro de 1869. Uma história de “caçada aos assassinos” que também se mistura com uma história de preconceitos, de maldade, desespero, tentativa de dominação territorial (e política), usurpação de cargos militares e… ganância.

Ao ler a história pela primeira vez (escrita para a revista Collana Rodeo), Sergio Bonelli gostou tanto que encomendou mais duas novas aventuras aos autores e aí começava a caminhada de uma publicação que seguiria por muitos anos. No cerne da trama, o “nascimento” desse herói do Velho Oeste chamado Ken Parker, personagem cuja figura foi inspirada no Jeremiah Johnson de Robert Redford, em Mais Forte que a Vingança. Sua caminhada é oficialmente iniciada quando ele sai em busca dos assassinos de seu irmão mais novo, um rapaz de 17 anos e meio. Já nas primeiras cenas da HQ, Berardi expõe inúmeras ameaças e símbolos das pequenas comunidades, caçadores, comerciantes e povos das montanhas do Montana e, aos poucos, traz o “resultado” desses símbolos para mais perto do protagonista.

A dor que faz Ken Parker entrar em perseguição aos assassinos é desenvolvida também através da questão do genocídio dos povos indígenas pelos homens brancos. Há uma frase muitíssimo definidora de caráter de personagem, dita por KP, e que lhe dá todo o contexto necessário “Não gosto de matar, mesmo quando é necessário“. Já aí temos muitas indicações de sua forma de ver o mundo e de como tratar as pessoas, até mesmo os seus inimigos. E por falar em inimigos, a busca que o protagonista realiza aqui não tem exatamente pressa em se concretizar, tendo o roteiro de Berardi e também a muito ágil arte de Milazzo representado as fugas e os enfrentamentos de maneira bastante inteligente, inclusive na diagramação das páginas.

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Versão colorida da obra, originalmente lançada em preto e branco.

O que pega um pouco no desenvolvido deste volume são as estranhas sequências que mostram os suspeitos de terem matado o irmão de Ken Parker. O ponto de vista em que os quadros são apresentados e o mistério que o roteiro vai fazendo até revelar quem realmente são os homens acaba gerando situações em que o leitor não sabe para onde olhar, a quem o protagonista está se referindo ou quem exatamente seguir. Claro que acho muito interessante o suspense na revelação dos criminosos e simplesmente adorei a finalização do arco deles na história, mas a primeira parte do desenvolvimento, na “caça” de Ken Parker (e é uma caça doméstica!), não tem apresentação tão interessante quanto o restante do drama. No todo, O Rifle Comprido é uma introdução densa e marcante para um inesquecível personagem dos quadrinhos italianos. Uma história para se lembrar por muito tempo.

Ken Parker #1: Lungo Fucile (Itália, junho de 1977)
Editora original:
CEPIM (Sergio Bonelli Editore)
No Brasil: Editora Vecchi, 1978
Roteiro: Giancarlo Berardi
Arte: Ivo Milazzo
53 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.