Crítica | Kokoda Front Line!

O ensaio para a criação do Oscar de Melhor Documentário aconteceu em 1941, quando a academia concedeu dois prêmios honorários na categoria, um para Rey Scott, diretor de 'Kukan': The Battle Cry of China ("por sua extraordinária conquista na produção de Kukan, o registro cinematográfico da luta da China, incluindo sua fotografia com uma câmera de 16 mm nas condições mais difíceis e perigosas") e outro para o documentário Alvo Para Esta Noite, de Harry Watt, "por sua apresentação vívida e dramática do heroísmo da RAF". Na 15ª edição do Oscar (sim, aquela do longo discurso de Greer Garson), que ocorreu em 4 de março de 1943, tivemos a primeira premiação oficial para a categoria de documentário, com um empate entre quatro produções vitoriosas. Kokoda Front Line! estava entre elas. Plano Crítico.

O ensaio para a criação do Oscar de Melhor Documentário aconteceu em 1941, quando a academia concedeu dois prêmios honorários na categoria, um para Rey Scott, diretor de ‘Kukan’: The Battle Cry of China (“por sua extraordinária conquista na produção de Kukan, o registro cinematográfico da luta da China, incluindo sua fotografia com uma câmera de 16 mm nas condições mais difíceis e perigosas“) e outro para o documentário Alvo Para Esta Noite, de Harry Watt, “por sua apresentação vívida e dramática do heroísmo da RAF“. Na 15ª edição do Oscar (sim, aquela do longo discurso de Greer Garson), que ocorreu em 4 de março de 1943, tivemos a primeira premiação oficial para a categoria de documentário, com um empate entre quatro produções vitoriosas. Kokoda Front Line! estava entre elas.

O filme tem como título original alternativo Cinesound Review No.568, o que indica algo importante a respeito de sua constituição geral: trata-se, na verdade, de um cinejornal australiano, com imagens de Damien Parer, que mostram a Campanha da Trilha de Kokoda (21 de julho a 16 de novembro de 1942), no então chamado Território da Papua. As imagens registradas aqui, porém, datam majoritariamente do mês de agosto daquele ano, quando Parer foi ao campo de batalha filmar o que estava acontecendo tão perto do confortável lar dos australianos, algo que ele e o narrador fazem questão de lembrar algumas vezes ao longo do filme.

Como é muito frequente nos documentários de propaganda da 2ª Guerra Mundial, especialmente nesses com caráter de cinejornal, há sempre uma ligação do campo de batalha com a paz dos lares que esses soldados no front estão garantindo. O diálogo nesse sentido acontece, aqui, na parte inicial e final do curta, com o narrador apontando os problemas e discussões triviais da terra pacificada vs. as mortes e privações que os soldados enfrentavam a cada hora, no meio da selva, contra um muitíssimo bem treinado e camuflado invasor japonês.

Há também um momento de incômodo étnico e sociológico no documentário, abordando o tratamento naturalizadamente colonizador que os australianos dão aos papuanos, chegando ao cúmulo absurdo de termos essa frase aqui: “The care and consideration for the wounded shown by the natives has won the complete admiration of the troops. With them, the black-skinned boys are white“. Pois é… Esse tipo de abordagem, assim como a presença dos carregadores nativos, fazem a gente olhar para uma outra camada do documentário, embora isso não seja nem remotamente levantado como uma questão importante na fita: a relação histórica entre os povos e a forma como essa “luta pela liberdade de uma grande nação” estava ancorada na ausência de outra luta, ainda mais antiga, pela liberdade.

Por mostrar um espaço geográfico selvagem, com maior dificuldade de locomoção e maior possibilidade de esconderijos para o inimigo, o filme consegue um impacto bem maior no público já nos primeiros momentos, e a despeito de outras questões envolvidas, mostra o dilema, os esforços e a bravura desses militares em campo. Mais uma mostra dos estragos causados pela guerra.

Kokoda Front Line! (Austrália, 18 de setembro de 1942)
Direção: Ken G. Hall (com imagens de Damien Parer)
Elenco (narração): Peter Bathurst, Damien Parer
Duração: 9 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.