Crítica | Krypton – 2X01: Light-Years from Home

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Uma série live-action que tem o General Zod, Brainiac, Apocalypse e, agora, Lobo, merece ser classificada como ambiciosa. O que resta mesmo saber é se Krypton consegue transformar ambição em uma obra palatável, que realmente consiga lidar com esses grandes personagens de maneira não só respeitosa, como também eficiente, especialmente considerando o quanto de efeitos especiais – aqui incluídos CGI e efeitos práticos – é necessário para dar vida a todos eles. E fico feliz em dizer que, pelo menos com base no que a série de Cameron Welsh para o canal SyFy mostrou na temporada passada e agora nesse começo de segunda temporada, ela tem trilhado o caminho certo, por mais improvável que isso possa ser.

Nesse início, um novo status quo, decorrente do final da temporada anterior, é apresentado. Seis meses se passaram e Dru-Zod é o novo líder de Krypton, com a ajuda cega de sua (futura) mãe Lyta-Zod e, utilizando o sacrifício de seu também futuro pai, Seg-El para derrotar Brainiac, começou o Destino Manifesto kryptoniano com o objetivo de dominar o universo. Na outra ponta, Adam Strange volta de sua quase-morte somente para encontrar tudo em frangalhos, com Val-El vivo novamente e membro da rebelião contra os Zod, ao lado de Jax-Ur do grupo Zero Negro e também Nyssa-Vex, agora mãe do outro filho de Seg. O terceiro vértice da história, claro, é justamente Seg que encontra-se na Zona Fantasma juntamente com Brainiac que se disfarça de Val para enganá-lo.

O passo é acelerado e há muito o que abordar em relativamente pouco tempo. Se é difícil acreditar que Lyta está realmente de corpo e alma ao lado de seu filho, apesar de sessão de tortura que presencia para tentar descobrir o paradeiro não só de sua mãe como também do monstro Apocalypse. Parece uma mudança radical demais, rápida demais para ser algo que naturalmente decorra dos acontecimentos anteriores, mas não é impossível, ainda que seja perfeitamente possível entrever que ela, alguma hora, mudará de ideia ou revelará que estava ao lado do filho apenas para evitar o pior. Mas Dru-Zod está perfeito no papel que, desde o primeiro segundo em que apareceu na série, estava destinado a ter. Sua liderança cruel – trata-se de uma efetiva ditadura maquiada, afinal de contas – e seu desejo de dominar as estrelas é lógico e vívido nos olhos de Colin Salmon, que tem uma presença física que comanda respeito.

O núcleo dos rebeldes, por outro lado, foi um pouco mal-tratado e subdimensionado. Afinal, o que vemos são três ou quatro gatos pingados tentando virar a mesa e mencionando uma rebelião em maior escala que não é de forma alguma materializada aqui. E isso sem contar com Nyssa-Vex partindo de maneira irresponsável para descobrir os segredos de seu passado com seu pai, agora trabalhando no que parece ser o esgoto local. Tudo bem que Krypton não tem e não terá orçamento para desperdiçar – e o que a série tem ela visivelmente gasta em efeitos, maquiagem, figurinos e design de produção – e que esse pequeno grupo provavelmente permanecerá assim, mas é preciso pelo menos construir alicerces melhores para tornar crível eventual vitória contra as forças de Zod.

Também sem perder tempo, o episódio livra Seg-El da Zona Fantasma, levando-o para a lua de Endor…, digo Colu, o planeta natal de Brainiac, depois de ele ser ludibriado pelo vilão. Agora que podemos vê-lo com vagar e sob luz clara, percebe-se de fato o bom trabalho prostético em Blake Ritson, ainda que o personagem curiosamente ganhe pouquíssimo tempo de exposição, sendo aparentemente derrotado sem maiores esforços por um Seg barbado e enfurecido. Obviamente que o vilão voltará, mas o que espero mesmo é entender em mais detalhes se Seg realmente o derrotou no corpo-a-corpo, apesar da “telecinese” de Brainiac demonstrada pouco tempo antes. Com a chegada de Adam por ali, o ar pesado e mais sombrio que o episódio vinha tendo é desanuviado um pouco com alguns diálogos em tese cômicos entre ele e Seg. Digo “em tese”, pois ainda não me convenci do timing cômico de Shaun Sipos e, claro, quem já leu minhas críticas anteriores sabe muito bem o que eu acho da *cof*cof* latitude dramática *cof*cof* de Cameron Cuffe que não melhorou nada só porque ele ganhou pelos no rosto.

Quem me convenceu logo de cara, apesar da improbabilidade, foi a micro-ponta do Maioral, ou melhor de Lobo, vivido por Emmett J. Scanlan. Apesar de não ser o Lobo gigantesco dos quadrinhos clássicos (não vi, não quero ver e tenho raiva de quem viu o “Lobinho” recente da DC Comics), tanto o roteiro quanto Scanlan capturaram bem o jeito debochado do czarniano e sua caracterização física pega emprestado todos os elementos mais importantes dos quadrinhos, ainda que eu ainda queira ver sua moto. Com uma série spin-off do personagem já engatilhada, não espero que o personagem tenha uma participação muito alongada na temporada, mas certamente aguardo bem mais do que os poucos segundos que vimos aqui.

No final das contas, Light-Years from Home é um baita começo de temporada, daquele tipo que facilmente prende o espectador por conseguir rearrumar o tabuleiro de forma dinâmica e eficiente e, mais do que isso, sem sacrificar fluidez e a história em si. Expandindo a escala do que vimos antes e apontando em uma direção ambiciosa, resta torcer para que o que foi apresentado aqui não seja apenas uma ilusão, uma isca para atrair o espectador para uma armadilha.

Krypton – 2X01: Light-Years from Home (EUA – 12 de junho de 2019)
Showrunner: Cameron Welsh
Direção: Marc Roskin
Roteiro: David S. Goyer, Cameron Welsh
Elenco: Cameron Cuffe, Georgina Campbell, Shaun Sipos, Elliot Cowan, Ann Ogbomo, Aaron Pierre, Rasmus Hardiker, Wallis Day, Blake Ritson, Ian McElhinney, Colin Salmon, Hannah Waddingham, Emmett J. Scanlan
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.