Crítica | Krypton – 2X02: Ghost in the Fire

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Com a introdução do Maioral nos últimos segundos de Light-Years from Home, era de se esperar que Ghost in the Fire trouxesse mais do personagem que nem sequer foi introduzido direito, já ganhou um spin-off pelo SyFy. E é exatamente isso que o episódio entrega, mas não é apenas isso.

O humor de Adam Strange nunca funcionou de verdade ao longo da série, até porque Shaun Sipos nunca teve timing cômico e, pior ainda, nunca teve com quem contracenar, já que Cameron Cuffe, que vive Seg-El, futuro avô do Superman e protagonista, é apenas um rostinho bonito que, para ser considerado ator, tem que comer muito feijão com arroz ainda. No entanto, falta de habilidade humorística não é problema para Emmett J. Scanlan e seu Lobo funciona muito bem do começo ao fim, graças a um roteiro afiado de Kiersten Van Horne, em seu primeiro trabalho para a série, que faz graça com tudo, não deixando pedra sobre pedra e entregando para Scanlan todos os melhores momentos do episódio.

Lobo é escrachado, desbocado, sexualmente explícito e extremamente violento, além de ter um fator de cura que faria inveja em Wolverine, tudo mostrado sem nenhum tipo de filtro nas sequências em Colu em que ele tem oportunidade de interagir com Adam e Seg, engolindo tão completamente os dois personagens que a revelação de que Brainiac de alguma forma fundiu-se com Seg fica em segundo plano, talvez terceiro. Sem dúvida que o showrunner está cumprindo um mandamento da produtora, que é usar Krypton como plataforma de lançamento da série solo de Lobo, mas esse objetivo escancarado não parece forçado e nem perdido, já que tudo funciona de maneira fluida e hilária, desde o apelido que Seg-El ganha imediatamente (a legenda oficial diz “Seagull”, mas eu ouvi Siegel, de Jerry Siegel, co-criador do Superman, o que faria todo sentido), a troca de Krypton por “Craptown” (claramente o nome de um musical com bonecos), passando pela “azaração” ou zoação de Lobo em cima de Adam, até a forma como o Maioral indica gestualmente que Brainiac está dentro de Seg. E Scanlan está obviamente divertindo-se no papel, absolutamente à vontade com a maquiagem “borrada” branca e preta com lentes vermelhas e cabelo de mendigo, em um excelente trabalho de composição visual que não se esquece nem mesmo da caveira protetora de virilha (mas estou ainda pacientemente esperando ver a moto dele!!!).

Mas, como eu disse, o roteiro não se contenta em orbitar ao redor de Lobo e dedica boa parte de seu tempo também para desenvolver a situação em Krypton, transportando parte da ação para Wegthor, onde fica a base rebelde e para onde Val-El e Jax-Ur vão para comandar a esperada virada de jogo contra Dru-Zod e seu despotismo. Não só vemos a inserção de Nyssa-Vex entre os rebeldes como espiã de Zod, como também a fúria incontida – quase loucura – de Lyta-Zod pela perda de Seg, o que coloca as duas personagens femininas em excelentes posições para ganharem ótimo desenvolvimento ao longo dos vindouros episódios.

Melhor ainda que esse conflito sendo armado foi a volta de Jayna-Zod acompanhada do irmão que ela abandonou para morrer há décadas. Confesso que não esperava que a série tivesse sofisticação suficiente para trabalhar Vidar-Zod não como alguém que estava secretamente vivo, mas sim como parte da consciência de Jayna, parte da culpa que ela sente por ter feito o que fez. Foi, sem dúvida alguma, um belo trabalho de direção de Marc Roskin e alguns poucos minutos para Faisal Mohammed  brilhar na sutil, mas grave e bela interação com Ann Ogbomo. Além disso, a pegada de loba solitária dada a Jayna, notadamente após sua chegada em Mos Eisley (ou algo do gênero), também promete um bom futuro para a personagem que, pelo que tudo indica, fará parceria com Dev-Em, esse sim ressuscitado.

Fiquei particularmente impressionado como tudo – até mesmo o breve prólogo em que vislumbramos Apocalypse em ação – fluiu sem maiores problemas de ritmo ao longo de Ghost in the Fire, demonstrando que a série está amadurecimento muito mais rapidamente do que imaginava ou mesmo esperava. Considerando que a ação está espalhada entre Colu, Kandor, Wegthor e nas Terras Devastadas, Krypton tem mantido todas as linhas narrativas bem amarradas e bem trabalhadas, com roteiros incrementalmente melhores. Claro que ainda é muito cedo para dizer, mas parece-me que aquela série que quase ninguém ligava está ganhando corpo e poderá, no final das contas, tornar-se um prelúdio de respeito para o Homem de Aço.

Krypton – 2X02: Ghost in the Fire (EUA – 19 de junho de 2019)
Showrunner: Cameron Welsh
Direção: Marc Roskin
Roteiro: Kiersten Van Horne
Elenco: Cameron Cuffe, Georgina Campbell, Shaun Sipos, Elliot Cowan, Ann Ogbomo, Aaron Pierre, Rasmus Hardiker, Wallis Day, Blake Ritson, Ian McElhinney, Colin Salmon, Hannah Waddingham, Emmett J. Scanlan
Duração: 42 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.