Crítica | Krypton – 2X04: Danger Close

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Ao desvencilhar-se da novidade que foi a aguardada introdução de Lobo na história, a segunda temporada de Krypton mostrou sinais de “fraqueza” em Will To Power, sem conseguir tornar a história no planeta-título realmente interessante ou lidar eficiente com a relação entre Seg-El e Adam Strange. Felizmente, porém, no primeiro episódio completamente sem o cznarniano enlouquecido, Cameron Welsh consegue colocar a história nos trilhos com um roteiro de Luke Kalteux que sabe trabalhar bem o relacionamento do protagonista com Lyta-Zod e que consegue tirar leite de pedra no que se refere à rebelião em Wegthor.

E é por Wegthor que começarei meus comentários. Lá nessa lua vermelha de Krypton, a grande rebelião tem seu quartel-general que prepara um grande ataque às forças do General Zod com base em informação valiosa trazido exclusivamente por Nyssa-Vex. Para ter o mínimo de chance de apreciar essa parte do episódio, temos que aceitar que o líder, veterano, cientista e tataravô de Superman Val-El e a durona, desconfiada e caolha Jax-Ur, caíram como patinhos nessa óbvia armadilha de Zod manipulando Nyssa ao manter seu filho filho Cor-Vex como moeda de troca. E isso, claro, talvez seja pedir demais. Afinal, não existe cenário razoável que tornem críveis esses acontecimentos. Primeiro uma informação inócua faz com que Nyssa ganhe a confiança de todos automaticamente e, de quebra, faz com que a rebelião capture um carregamento de “oxigenadores” das forças de Krypton. Esses aparelhos permitem um ataque os elevador orbital clarkeano que liga Kandor e Wegthor, mas ninguém, claro, sequer pensa em testá-los antes, o que leva ao morticínio geral da tropa, efetivamente acabando com os rebeldes em apenas um golpe. Bem feito para Val e Jax que não tiveram o mínimo de diligência militar necessária.

No entanto, apesar dessa monumental estupidez, as sequências de ação, aí incluindo a chegada de Adam no grupo e a subtrama da bomba genética (que tem uma baita potencial futuro), até conseguiram emprestar um pouco mais de complexidade e magnitude aos rebeldes. Ainda é muito pouco, já que em termos de escala eles parecem literalmente formigas, mas a grande verdade é que nem mesmo o grande exército de Zod é abordado de forma tão grandiosa assim, ficando até hilariamente restrito, aqui, a Kem finalmente aparecendo e juntando-se ao grupo dos “bonzinhos” mais uma vez e à chegada portentosa de Lyta ao final. Mas é um começo, pelo menos.

A trama de Seg em Kandor é que merece mais destaque, já que ela é brindada com um sonho-flashback para quando ele e Lyta se conheceram, o que traz um pouco mais de relevo e intimidade aos dois, algo que é utilizado de forma um pouco tacanha e fácil demais no reencontro dos dois, com direito a lençol de seda de motel e trocas de juras de amor. Quando, porém, Zod chega e Seg finalmente acorda para a realidade e percebe que ele não pode confiar em Lyta, a coisa começa a andar em um ritmo mais interessante, algo que é amplificado pela confirmação de que Brainiac ainda continua dentro de Seg, o que pode significar que Lobo não deve estar muito longe de “Crap Town”. É uma pena, porém, que a revelação de que Lyta passou por lavagem cerebral – era óbvio, não é mesmo? – venha tão rapidamente, pois isso poderia continuar sendo desenvolvido como um ponto importante de conflito entre ela e Seg ao longo de mais alguns capítulos. Agora que tudo foi revelado, a divisão de lados volta ao status quo do final da temporada anterior e caberá ao showrunner manter em alta a atenção do espectador, algo com que não só a volta de Lobo possa contribuir, mas também a chegada efetiva de Apocalypse, visto muito brevemente no prólogo de Ghosts in the Fire.

Lá nas Terras Devastadas, a conexão de Jayna-Zod e Dev-Em não evolui muito, mas ganha contexto, com Dev explicando o porquê de sua situação atual de desertor. A história, que também conta com flashback, faz todo sentido para o personagem e, apesar de ser clichê e executada de maneira um tanto quanto simplista, combina bem com o personagem. No entanto, já está ficando cansativo ver os dois ruminarem pelos cenários sem contribuir mais para o desenvolvimento da história como um todo.

Com o próximo episódio, a temporada chegará à metade e esse será o momento perfeito para sacudir o status quo novamente e reunir todo mundo. Há um potencial narrativo espetacular por trás da história do avô do Superman e, apesar de espasmos de qualidade, ele não tem sido desenvolvido da forma como poderia ser.

Krypton – 2X04: Danger Close (EUA – 03 de julho de 2019)
Showrunner: Cameron Welsh
Direção: Julius Ramsay
Roteiro: Luke Kalteux
Elenco: Cameron Cuffe, Georgina Campbell, Shaun Sipos, Elliot Cowan, Ann Ogbomo, Aaron Pierre, Rasmus Hardiker, Wallis Day, Blake Ritson, Ian McElhinney, Colin Salmon, Hannah Waddingham, Emmett J. Scanlan
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.