Crítica | Krypton – 2X05: A Better Yesterday

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

A ação em Wegthor com a rebelião, em Kandor com Seg e Zod e nas Terras Devastadas com Jayna e Dev começam a convergir de verdade em A Better Yesterday, ainda que o episódio não seja muito bem sucedido em criar o tipo de tensão que se espera de uma construção como essa, repleta de traições, reviravoltas e violência. É como se o showrunner estivesse com receio de apostar tudo e fazer a temporada desabrochar de vez, algo que arriscou fazer no começo, mas que, depois da partida de Lobo, não conseguiu mais sair do básico.

De toda forma, o roteiro de David Kob soube equilibrar bem as ações em cada ambiente, trazendo coesão narrativa e uma direção única para as várias linhas narrativas, todas elas gravitando ao redor da tirania do General Zod e seu programa de recondicionamento somático. Seg, graças a Brainiac, não sofreu lavagem cerebral e conseguiu chegar até seu futuro filho de maneira irritantemente fácil, algo que tem sido um padrão cansativo da série. O combate verbal e físico entre os dois, porém, deixo a desejar, pouco avançando a história geral e girando em torno de pequenos momentos de vitória de um e de outro que se revezaram de maneira previsível demais. O único momento realmente bom foi quando Brainiac novamente aparece de corpo inteiro, “conversando” com Seg, ainda que eu não entenda muito bem a razão do vilão revelar que está fraco e que precisa do avô do Superman muito mais do que ele gostaria. De toda forma, quando Brainiac transforma Seg em uma máquina de matar, para a total surpresa de Jayna e Dev, que chegam para eliminar Zod, temos alguns bons momentos de ação que, se não chegam a compensar o que veio antes, pelo menos divertiu.

Lá em Wegthor, a trama também espelha a de Kandor, com reviravoltas constantes, sendo a mais importante delas a captura de Lyta por Jax, sob os protestos completamente descabidos de Val. Aliás, o senhorzinho já está ficando cansativo em sua completa falta de visão e absoluto atropelo estratégico. E com isso eu não quero dizer que concordo que matar Lyta é a melhor saída (e duvido que ela tenha morrido, aliás), mas sim que as intervenções de Val em meio às negociações ou perante todos os rebeldes soam infantis e bem fora do que o personagem que nos foi originalmente apresentado faria. Entendo perfeitamente que ele deseja uma solução pacífica, mas há um limite para tudo e sua completa incapacidade de farejar traições já reduz em muito sua função narrativa de Grilo Falante.

Por outro lado, Nyssa aparentemente acordou e, além de libertar Adam e Kem, parece estar disposta a arregaçar as mangas e, sozinha, recuperar seu filho. No momento, considerando as trapalhadas gerais dos demais personagens, estou aposta mais nela do que em qualquer outro, isso até Brainiac e/ou Lobo surgirem novamente para dar o impulso que a temporada está precisando.

A grande vantagem do episódio, porém, é justamente trazer a narrativa para um ponto em que ela se torna una, ou algo próximo disso isso. E tudo acontece de maneira razoavelmente bem estruturada se visto de maneira geral, já que os diversos pequenos acontecimentos são, se analisados separadamente, mal trabalhados. Apesar de termos chegamos na metade da temporada, A Better Yesterday não é o episódio que vem para salvar a história ainda. Não sei nem se ela tem salvação a essa altura, mas ainda consigo ver um potencial não realizado por trás que me mantém curioso pelo futuro dos personagens.

Krypton – 2X05: A Better Yesterday (EUA – 10 de julho de 2019)
Showrunner: Cameron Welsh
Direção: Metin Hüseyin
Roteiro: David Kob
Elenco: Cameron Cuffe, Georgina Campbell, Shaun Sipos, Elliot Cowan, Ann Ogbomo, Aaron Pierre, Rasmus Hardiker, Wallis Day, Blake Ritson, Ian McElhinney, Colin Salmon, Hannah Waddingham, Emmett J. Scanlan
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.