Crítica | Krypton – 2X07: Zods and Monsters

PLANO CRITICO Krypton – 2X07 Zods and Monsters

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Krypton não se mostrou, em nenhum momento, ser a grande série que tem o potencial de ser. Ela fica ali confortavelmente acima da zona da mediocridade, com alguns arroubos criativos aqui e ali. As presenças do sinistro Brainiac e a do viajante no tempo Dru-Zod foram as boas escolhas da temporada passada e, nesta segunda, Lobo havia sido uma adição de peso que logo, porém, foi eliminada da narrativa.

Mas A Better Yesterday trouxe a violenta morte de Lyta-Zod e, para minha surpresa, In Zod We Trust confirmou-a, construindo em cima da tragédia. E, agora, apesar de algumas conveniências de roteiro para lá de cansativas, Zods and Monsters continua a tendência de alta e entrega não uma, mas duas boas histórias: a origem de Apocalypse e o surgimento de Jor-El, futuro pai do Superman.

Se fizermos força para aceitar a imensa – bota imensa nisso! – facilidade com que Zod captura Apocalypse, o roteiro nos leva, por intermédio do condicionamento cerebral do vilão, para mil ciclos atrás, quando antepassados da casa El e Zod (Wedna-El  e Van-Zod – Toni O’Rourke e Dempsey Bovell, respectivamente), juntos, fazem o voluntário Dax-Baron (Staz Nair) passar por torturas inimagináveis que acabam transformando-o em Apocalypse. Esses flashbacks, apesar de previsíveis, são muito interessante por nos dar uma visão da antiguidade de Krypton e de como especialmente a casa El é capaz do que for necessário, doa a quem doer, para fazer o que considera certo. Além disso, apesar da origem do monstro que um dia mataria o Azulão ser diferente nos quadrinhos, percebe-se que o roteiro de Joel Anderson Thompson bebeu dessa fonte, alterando-a para a concisão narrativa e orçamento necessários, mas sem deixar a essência escorrer por entre suas palavras. 

Resta agora torcer para que vejamos mais desse passado remoto do planeta e também de Apocalypse, além de entender melhor qual é o plano de vingança e conquista de Zod no presente de maneira a justificar o uso de uma arma incontrolável desse naipe.

Se essa abordagem para Apocalypse realmente me pegou de surpresa, deixando-me com um sorriso no rosto, o mesmo aconteceu com o pequeno Cor-Vex sendo vagarosamente renomeado para Jor-El, com direito até mesmo às clássicas notas da trilha imortal de John Williams para Superman – O Filme. No momento em que Nyssa decide abrir mão do nome Vex, por ter vergonha dos atos de seu pai, já é possível perceber a direção da prosa, mas ela foi eficiente e emocionante da mesma forma.

O que não funcionou nada bem foi termos que aceitar que Nyssa consegue operar o cérebro de Seg para retirar o que restava de Brainiac – o que é mais absurdo do que a facilidade com que Zod derrubou Apocalypse – e, pior ainda, ato contínuo, foi de rolar os olhos a burrice estupenda do holograma de Val-El em inserir os nano-robôs logo dentro da CPU da Fortaleza da Solidão. Thompson consegue acertar no alvo na mesma medida em que erra, pelo visto. 

Brainiac fugir com Jor-El era o caminho evidente que só Nyssa e Seg não viram a 10 quilômetros de distância e e outra conveniência de roteiro para permitir uma futura (muito em breve, apostaria) caçada ao vilão cibernético coluano, muito provavelmente com Lobo no meio. Não é lá um problema muito sério aceitarmos esse sequestro repentino.

O que é realmente difícil aceitar e a renovada tentativa de humor, mais uma vez com Adam Strange arrumando alguém com quem fazer dupla. Assim como ele é Seg não funcionaram, com Kem a coisa não melhora muito, especialmente porque temos que aceitar o ex-dono de bar é o próprio Comando para Matar… 

Apesar de todos os pesares – e sei que foram muitos – o conjunto do episódio da semana foi suficiente harmônico para resultar em algo consideravelmente acima da média. É uma pena que Cameron Welsh não consiga podar arestas de sua criação, pois há muito o que mostrar e desenvolver nesse estranho mundo pré-Kal-El.

Krypton – 2X07: Zods and Monsters – 24 de julho de 2019)
Showrunner: Cameron Welsh
Direção: Erica Watson
Roteiro: Joel Anderson Thompson
Elenco: Cameron Cuffe, Georgina Campbell, Shaun Sipos, Elliot Cowan, Ann Ogbomo, Aaron Pierre, Rasmus Hardiker, Wallis Day, Blake Ritson, Ian McElhinney, Colin Salmon, Hannah Waddingham, Emmett J. Scanlan
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.