Home FilmesCríticasCatálogos Crítica | Kung Fury

Crítica | Kung Fury

por Handerson Ornelas
146 views (a partir de agosto de 2020)

Ah, os anos 80! Não tive a sorte (ou azar) de vivenciar essa década, mas cresci compartilhando de muitas mídias provenientes dela, sejam filmes, séries ou música. Especialmente os filmes, já que a década fez questão de imprimir uma marca fortíssima neles, tanto para o bem quanto para o mal. E, no fim, o que importa é a seguinte pergunta: quem nunca se divertiu horrores com guilty pleasures como Stallone Cobra, obras máximas do cinema de ação como Duro de Matar, ou qualquer um dos milhares filmes oitentistas com plots de artes marciais?

É nesse contexto que Kung Fury surgiu, projeto bancado por uma campanha no Kickstarter que tinha como plano inicial conseguir U$200,000 e, no final, conseguiu exceder o estipulado e levantar U$630,090 para a criação do média metragem de 30 minutos. Tudo isso é mérito principal de David Sandberg, diretor de videoclipes e comerciais que se entregou inteiramente para realizar o filme que queria: uma comédia policial inspirada nos anos 80.

Kung Fury é uma grande sátira aos filmes oitentistas, tanto que é justo levar o termo trash. Divertidíssimo e hilário, trata-se de uma comédia e homenagem de alto nível. Basta ver a sinopse para entender: um policial de Miami recebe extraordinários poderes de kung fu após ser atingido por um raio e picado por uma cobra (???). Como se isso não fosse o bastante, ele precisa utilizar seus poderes e, de alguma forma, voltar no tempo e destruir o “Kung Führer”, nada menos que o maior vilão que um filme poderia pedir: Adolf Hitler.

Sandberg consegue reunir em 30 minutos uma quantidade absurda de clichês e marcas da época: a obsessão por artes marciais, um vilão caricato, garotas vikings com metralhadoras, dinossauros, deuses nórdicos, robôs assassinos e por aí vai… Tudo com abusos de chroma key, efeitos de VHS e uma trilha sonora espetacular recheada de sintetizadores e guitarras melosas de hard rock (com direito a David Hasselhoff cantando a música tema, um refrão tão pegajoso que vai ficar na sua cabeça logo na primeira audição). Mas é importante salientar que mesmo com sua natureza trash, o média metragem é muito bem executado, fazendo bom uso do orçamento levantado (claro que levando em conta a ideia de algo proveniente dos anos 80). A maravilhosa cena inicial de um embate com um fliperama assassino é um exemplo disso, fazendo uso de efeitos visuais melhores que muito CGI realizado atualmente.

Tudo em Kung Fury poderia dar muito errado se não cumprisse com seu objetivo tão bem. É um revival perfeito, sarcástico e exagerado de uma geração, tudo isso com um ótimo timing e tiradas geniais de comédia. Algumas de suas melhores piadas são a respeito dos milhões de deus ex machina apresentados. O melhor deles certamente é Hackerman, o hacker que consegue hackear TUDO, inclusive o tempo. Assim, o roteiro nonsense ainda pega carona para outras ótimas sacadas: ridicularizar as tecnologias absurdas dos anos 80 (com direito a power glove), além dos clássicos bordões de heróis do cinema de ação.

Kung Fury é uma excelente sátira a uma era que marcou até aqueles que não viveram nela. Fará o espectador surtar ao ver os elementos mais divertidos possíveis, todos reunidos por meio de um texto engraçadíssimo. Tal trabalho foi feito para a alegria geral, o que significa estar disponível até mesmo no Youtube. Enquanto isso, esperamos sua sequência…

Kung Fury (2015 – Suécia)
Direção: David Sandberg
Roteiro: David Sandberg
Elenco: David Sandberg, Jorma Taccone, Leopold Nilsson, Eleni Young, Eleni Ahlson, Andreas Cahling, Per-Henrik Ardivius, Steven Chew, Magnus Betnér, Bjorn Gustafsson, David Hasselhoff
Duração: 31 min

Você Também pode curtir

12 comentários

Kid Dracula 21 de julho de 2016 - 19:57

Tive a sorte ( ou azar) de ter sido um pirralho nos anos 80, entao meu nivel de diversao/ nostalgia foi a niveis altissimos.Caraca, que presentao esse Kung Fury, me diverti muito. Geralmente as referencias aos anos 80 nao sao muito bem orquestradas, com raras excessoes tipo Regular Show e ocasionalmente em Family Guy, os anos 80 geralmente nos sao apresentados apenas nos aspectos mais obvios dos exageros da epoca, mas nesse caso como dito na sua critica, o timming é perfeito. Entao, ele nao apela so pra nostalgia, mas possui um humor muito bacana.E quando vc ja perdeu as contas de quantas referencias (putz, tem até Adventure Island) o protagonista vai pro “Paraiso” numa tipica desanimaçao digna da Filmation com um maluco chamado Cobra, ele ainda solta a maxima: “Parece tao real”
kkkkkkkkk, que venham muitas continuaçoes no Netflix!!!!

Responder
Handerson Ornelas. 18 de agosto de 2016 - 01:49

Cara, se for pra continuar divertido assim, que venha Kung Fury 2, 3, 4 e por aí vai… hahahaha

Abração!

Responder
Handerson Ornelas. 18 de agosto de 2016 - 01:49

Cara, se for pra continuar divertido assim, que venha Kung Fury 2, 3, 4 e por aí vai… hahahaha

Abração!

Responder
Kid Dracula 21 de julho de 2016 - 19:57

Tive a sorte ( ou azar) de ter sido um pirralho nos anos 80, entao meu nivel de diversao/ nostalgia foi a niveis altissimos.Caraca, que presentao esse Kung Fury, me diverti muito. Geralmente as referencias aos anos 80 nao sao muito bem orquestradas, com raras excessoes tipo Regular Show e ocasionalmente em Family Guy, os anos 80 geralmente nos sao apresentados apenas nos aspectos mais obvios dos exageros da epoca, mas nesse caso como dito na sua critica, o timming é perfeito. Entao, ele nao apela so pra nostalgia, mas possui um humor muito bacana.E quando vc ja perdeu as contas de quantas referencias (putz, tem até Adventure Island) o protagonista vai pro “Paraiso” numa tipica desanimaçao digna da Filmation com um maluco chamado Cobra, ele ainda solta a maxima: “Parece tao real”
kkkkkkkkk, que venham muitas continuaçoes no Netflix!!!!

Responder
Wagner Pires 20 de julho de 2016 - 19:05

Vou dz que eu já assisti mais de uma vez, impossível não se divertir com esse filme!

Responder
Wagner Pires 20 de julho de 2016 - 19:05

Vou dz que eu já assisti mais de uma vez, impossível não se divertir com esse filme!

Responder
Handerson Ornelas. 21 de julho de 2016 - 00:03

Já assisti mais de uma vez também e digo: é impossível se cansar desse filme! hahaha

Responder
Handerson Ornelas. 21 de julho de 2016 - 00:03

Já assisti mais de uma vez também e digo: é impossível se cansar desse filme! hahaha

Responder
Sóstenes - Toty 20 de julho de 2016 - 17:43

kkkkkkkkrs!!!”
tá aí uma crítica que eu nunca pensei que iria ver!! Parabéns!
já que vc fez sobre esse “Shot Movie”, dedique também uma crítica a algum “shotmovie” do Dragon Ball, o Light of Hope ou o The Fall of Men , gostaria de Ler seu parecer sobre eles!
abraços!!

Responder
Handerson Ornelas. 21 de julho de 2016 - 00:06

Obrigado! Já assisti esses dois curtas de fãs de Dragon Ball e gosto de ambos! Bem melhor que o triste Dragon Ball Evolution…
Quem sabe um dia não sai a crítica aqui?

Abração!

Responder
Handerson Ornelas. 21 de julho de 2016 - 00:06

Obrigado! Já assisti esses dois curtas de fãs de Dragon Ball e gosto de ambos! Bem melhor que o triste Dragon Ball Evolution…
Quem sabe um dia não sai a crítica aqui?

Abração!

Responder
Sóstenes - Toty 20 de julho de 2016 - 17:43

kkkkkkkkrs!!!”
tá aí uma crítica que eu nunca pensei que iria ver!! Parabéns!
já que vc fez sobre esse “Shot Movie”, dedique também uma crítica a algum “shotmovie” do Dragon Ball, o Light of Hope ou o The Fall of Men , gostaria de Ler seu parecer sobre eles!
abraços!!

Responder

Escreva um comentário

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais