Crítica | Legends of Tomorrow 1X02: Pilot, Part 2

estrelas 3

Spoilers!

O diretor Glen Winter conseguiu um resultado consideravelmente melhor neste “piloto parte dois” de Legends of Tomorrow, um episódio que traz coisas mais interessantes não só na direção mas também no trabalho técnico e, principalmente, no roteiro. Ao dizer isto, é importante que o leitor tenha em mente que para o ‘padrão CW’, um ‘bom roteiro’ será qualquer coisa que não tome o público por adolescentes apaixonados de 13 anos e, isso posto, é de se admirar que o texto aqui tenha trazido elementos relativamente intricados de viagem no tempo, implicações morais e éticas de mudanças pessoais através da História e, a grande e boa surpresa, a morte do Gavião Negro.

Retirar um personagem que era extremamente similar a outro, logo no segundo episódio (e esperamos que façam isso com o redundante Onda Térmica, mas creio que não vá acontecer) foi uma ação acertada dos produtores e traz inúmeros benefícios extras, como a diminuição de pessoas para dividir blocos separados de ação; criação de uma ameaça realmente palpável vinda de Vandal Savage; fortalecimento de uma abordagem psicológica para Kendra e um novo mote para o grupo de “Lendas”, mesmo que a nova aposta e decisão para ficarem juntos tenha sido exposta de forma desleixada e tremendamente clichê.

A despeito disso, se torna crível a partir daqui a missão e os perigos que essa busca representa. É fato que precisamos ter muita paciência para as inúmeras conveniências ligadas ao vilão em qualquer situação onde ele é encurralado, mas assumindo que de algum modo isso faz parte da dinâmica da série (CW, gente, CW!), fica mais fácil entender tal caminho narrativo e seguir com o que temos em mãos. O problema, porém, não reside exatamente aí, mas sim no aparente esgotamento dramático que os atuais eventos da série nos coloca.

Em uma colossal melhoria na abordagem fotográfica para os Estados Unidos na década de 1970, temos o jovem e arrogante Stein encontrando a si mesmo — este bloco cômico mostra com leveza e competência um paradoxo temporal que de outra forma poderia ser um tiro no pé –; também temos a missão das lendas para roubar a adaga que matou Kendra e Carter em suas primeiras vidas e as implicações ou caminhos paralelos que envolvem esses dois grandes eventos, os mais importantes do episódio (esqueçam aquela sequência na Noruega, aquilo foi apenas uma desculpa para ação/pancadaria).

A junção desses dois blocos meio que encerram um fase (ainda que falha) da missão inicial, deixando o cenário a seguir completamente aberto de possibilidades mas sem uma definição exata do que acontecerá ou que rumo o show deve seguir. Não é exatamente um cliffhanger ruim, mas não nos deixa nada palpável em termos de continuidade além de hipóteses simples e irritantes demais.

Melhores atuações, roteiro levemente mais preocupado em se dirigir ao público adulto com QI acima de 3 e sequência de um bom trabalho de produção técnica (efeitos especiais e visuais), esta segunda parte do piloto apresenta a série de maneira muito mais satisfatória, o que torna o episódio anterior ainda menos palatável e corrobora o que comentei sobre o fato de que a divisão do piloto em duas partes não trouxe nenhum bem a LoT.

Agora, com tudo apresentado e um drama semi-esgotado ou conveniente demais para ser verdade… tão conveniente que já se tornou chato o jogo de gato-e-rato intercalado por obstáculos de momento, fica a pergunta de um milhão de CW’s: como vão tornar essa história mais interessante e aceitável depois de basicamente todos os dados terem sido lançados aqui?

Legends of Tomorrow 1X02: Pilot, Part 2 (EUA, 28 de janeiro de 2016)
Direção: Glen Winter
Roteiro: Phil Klemmer, Marc Guggenheim, Greg Berlanti, Andrew Kreisberg
Elenco: Victor Garber, Brandon Routh, Arthur Darvill, Caity Lotz, Franz Drameh, Ciara Renée, Falk Hentschel, Amy Pemberton, Dominic Purcell, Wentworth Miller, Neal McDonough, Casper Crump, Graeme McComb
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.