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Crítica | Legends of Tomorrow 1X03: Blood Ties

por Luiz Santiago
83 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 2,5

Spoilers!

Das conquistas obtidas por Legends of Tomorrow até este terceiro episódio, a mais interessante foi a conceitualização da viagem no tempo e as possibilidades ou impossibilidades de alteração de linhas individuais através de ações, encontros e “empurrões” nas pessoas certas, por assim dizer. Depois do bom episódio Pilot, Part 2, o temor que havia se manifestado sobre termos um precoce esgotamento de narrativa já se revela aqui com a cara herança de The Flash e Arrow: a repetição.

Que uma coisa fique clara: séries que possuem o tema ‘viagem no tempo’ como foco principal adotam um modelo mais ou menos fixo de estabelecer o princípio de suas histórias e criam uma fórmula de continuação entre um ponto e outro dessas viagens. Exemplos de qualidade como Doctor Who, Quantum LeapContinuum, Sliders, Life on Mars, Primeval e Outlander são provas cabais de que é possível utilizar-se de uma espécie de cartilha para chegar a um know-how onde o conceito de viagem no tempo é integrado de forma lógica e orgânica dentro da proposta central do show. Daí também tiramos os lúcidos exemplos de trabalho com paradoxos temporais e formulação de duas frações de roteiro, a primeira, que se destina a criar uma história além das viagens, e a segunda, que se destina a ligar a primeira fração aos deslocamentos temporais. Mas é isso que temos em Legends of Tomorrow? Oh, não.

Prestem atenção na seguinte sequência:

  • Rememorar o futuro onde Rip tem a família morta;
  • Rememorar o caráter de outsiders das Lendas;
  • Rememorar ligações das Lendas com The Flash e Arrow;
  • Adicionar uma luta inútil contra Savage — que aqui, ainda bem, teve uma nuance fora da caixa;
  • Adicionar um quesito de rebeldia por parte de Frio e Onda Térmica;
  • Adicionar um embate de egos ou de emoções que pode ser entre Stein e Jax ou Stein e Ray;
  • Adicionar quesitos emotivos que se perdem no objetivo central do episódio.

E agora vem o impasse: LoT está criando uma “cartilha” para dar andamento à sua história (bom, a história é essa: caçar e matar Savage, que não pode ser morto), ou já está se repetindo? Por ser um grande fã de ficção científica e por ter verdadeira paixão por obras que trabalham viagem no tempo, eu estou no time de pessoas que gostariam de responder a opção “a” para esta pergunta, mas nem se eu fosse um fanboy com um xaxim (ou seria chachim?) no lugar do cérebro eu conseguiria fazer isso. Criar um meio narrativo próprio é estabelecer uma linha segura de contar histórias, mas sempre avançando e trazendo novidades que realmente fazem o programa crescer. O problema que já observamos em LoT e aqui em Blood Ties é que, apesar dos bons momentos do episódio o incômodo da repetição da fórmula supera e estrada o lado positivo.

Mais confortáveis em seus papéis e com uma dinâmica interna muito mais palatável que aquela vista nos dois pilotos, o elenco principal recebeu aqui uma separação de papeis divertida e parcialmente bem editada. A montagem procurou equilibrar a duração das ações separadas com a dos encontros do grupo inteiro, alternando também fases de pura ação e suspense (Rip e Canário Branco em divertido e ótimo destaque) mas que não escapou de desnecessárias reafirmações sentimentais para Ray — se esta é a concepção dos showrunners para “desenvolver o lado psicológico de um personagem“, então estamos perdidos; estranha forma de encostar a Mulher Gavião, embora em comparação à linha de Jay (copiando se inspirando Viagem Fantástica + Homem-Formiga), seu desenvolvimento foi até aceitável; e desfazendo a premissa inicial para uma variação obviamente mais lógica, mas que foi introduzida exatamente igual aos outros problemas e ações do grupo até agora, terminando com a nave partindo para mais uma aventura. Um objetivo diferente escrito com a mesma tinta, sob o mesmo papel. Desta vez, temos a “viagem da semana”.

Ao menos tivemos algo realmente notável: a exploração dos contatos em um momento da vida de Savage em um ponto de sua história — e não, não estou falando do Egito Antigo, que continua sendo uma peça de isopor na saga, pelo menos depois de mostrada a origem das desavenças entre ele e o casal gavião. O destaque é para a sequência no Hotel, com uma bem-vinda citação a De Olhos Bem Fechados, excelente fotografia vermelha (e é raro monocromatismo parecer interessante na tela ou mesmo ser uma boa escolha de ambientação, o que torna o trabalho do fotógrafo Mahlon Todd Williams ainda melhor), boas cenas de luta e, enfim, uma participação admirável do ator Casper Crump (Savage), que no último embate com Rip mostra o quão pode ser amedrontador e odioso. É válido notar que a linha de investigação feita por Rip e Canário Branco também foi interessante, desde a cena em que conversam pela primeira vez — se descontarmos o lado de lamentações do roteiro –, passando pelas cenas no banco e terminando no Hotel.

A viagem para 1986 e o objetivo de “atrasar” Savage talvez passe a funcionar melhor como nova proposta do grupo e criar ações cujos resultados podem ser melhor sentidos ao longo do tempo. E talvez na sequência tenhamos um melhor contexto para o “empurrão” de Frio que não deu em nada, porque aquela “explicação” de que “a linha do tempo se escreve aos poucos” já não serve mais, em vista das mudanças já realizadas e em vista da própria intenção das Lendas em mudar a história. Ou será que a CW evoluiu tanto que está quebrando a quarta parede com a ironia do meta-paradoxo? SQN.

Legends of Tomorrow 1X03: Blood Ties (EUA, 2016)
Direção: Dermott Downs
Roteiro: Marc Guggenheim, Chris Fedak
Elenco: Victor Garber, Brandon Routh, Arthur Darvill, Caity Lotz, Franz Drameh, Franz Drameh, Ciara Renée, Amy Pemberton, Dominic Purcell, Wentworth Miller, Casper Crump
Duração: 42 min.

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23 comentários

jcesarfe 11 de fevereiro de 2016 - 18:06

Única qualidade do episódio: Lembraram que o Superman e o Batman existem, já estava achando que era um Universo paralelo.

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Luiz Santiago 11 de fevereiro de 2016 - 19:01

Pois é! De vez em quando eles resolver fazer um pouco de sentido, só pra variar…

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cleverton 11 de fevereiro de 2016 - 15:01

quantos episódios terá LoT?

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Luiz Santiago 11 de fevereiro de 2016 - 19:00

Segundo o IMDB, serão 16 episódios esta 1ª Temporada, @disqus_p5Vt9bnmie:disqus. Ainda acho muito. Deveria ter no máximo 13.

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Awos95 12 de fevereiro de 2016 - 22:59

16?! Eu achei que fossem 10, eu acabo de diminuir um pouco o ânimo com a serie

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Luiz Santiago 13 de fevereiro de 2016 - 01:56

Pois é, eu te entendo. Também não gosto muito de temporadas longas. Para mim, 13 episódios é um número máximo aceitável, o limite do limite. O ideal é mesmo 10.

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Awos95 11 de fevereiro de 2016 - 02:06

Vc esqueceu algo na fórmula até agora : Encontrar alguém daquele tempo relacionado a equipe, no primeiro EP o filho da Mulher Gavião, no segundo o Doutor mais novo e sua esposa, no terceiro o Frio e o Seu Pai
Apesar que eu gostei daquela cena, e não é que não deu tempo de mudar, mas o pai dele foi preso por outro motivo, não alterando o futuro
E ainda curtindo, apesar que uma coisa que percebo nessas séries da CW, e odeio profundamente, é que a forma que tem de demonstrar oq um personagem ta sentindo/o trabalhar, e colocar ele chorando e falando pra alguém oq ta rolando, e dps isso não leva a nada e-e
Isso é preguiçoso, irritante, e um dos principais motivos de eu largar Arrow

add : Primeiro eu RI da referência ao De Olhos Bem Fechados, mas dps fiquei imaginando o Onda Térmica vendo Stanley Kubrick, isso foi engraçado
~ah essa onda de soltar referência apenas por referência~

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Luiz Santiago 11 de fevereiro de 2016 - 05:37

Exato! Eles são cheios dessas: fazer referências a todo tempo e momento e não contextualizar ou manter a essência de nada! Parecem episódios feitos como questões de vestibular para o Capitão América identificar as referências.

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Awos95 12 de fevereiro de 2016 - 23:05

“Parecem episódios feitos como questões de vestibular para o Capitão América identificar as referências.”
LoL
Sorry mas vou precisar usar essa frase dps

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Luiz Santiago 13 de fevereiro de 2016 - 01:55

Hahaha, pode usar à vontade!

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Batman 8 de fevereiro de 2016 - 21:32

Pois é…CW e sua fórmula

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jcesarfe 8 de fevereiro de 2016 - 00:14

Tirando o Snart que esta show de bola e mal aproveitado, o resto da série esta me decepcionando muito, o coisa mais sem graça e que roteiro mal acabado.

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Luiz Santiago 8 de fevereiro de 2016 - 13:05

E que infelizmente anda caindo naquela coisa de repetição. Estou apostando que uma nova linha narrativa se crie a partir do próximo episódio. Porque senão vai ficar complicado…

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Oscar 7 de fevereiro de 2016 - 17:04

O Onda Térmica ainda é inútil.
Os primeiro episódios provavelmente ainda vão usar os casos da semana para juntar a equipe, o que resta a esperar é que eles realmente evoluam ao invés de se manterem presos em suas personalidades um tanto fabricadas de o rebelde, a assassina, os inteligentes, etc.
A historia tem potencial, mas continuo com a sensação de que ela foi feita para utilizar os restos das outras séries.

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Luiz Santiago 7 de fevereiro de 2016 - 18:34

O estágio que o roteiro nos deixa nesse final, dá a oportunidade da história avançar de forma criativa. É quase como a oportunidade de um “recomeço” de caçada. Almejo com todas as forças que peguem isso e trabalhem de verdade.

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Nicolas Dias 7 de fevereiro de 2016 - 07:20

Eu sabia o que estava comprando por assim dizer, isso é TV aberta, é CW, eu já esperava o “caso da semana”, ainda mais pela premissa da série, matar Vandal é algo que não vai acontecer tão cedo. Eu não espero nada genial de LoT, mas espero que me divirta e entretenha, e seja uma narrativa coerente e bem amarrada, eu não me importo com o caso da semana desde que seja bem feito, a trama pode não avançar mas algo de relevante precisa acontecer, nem que seja desenvolvimento dos personagens isso é algo básico, mesmo para uma série sem grande pretensões.

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Luiz Santiago 7 de fevereiro de 2016 - 11:24

Pelo visto sua tolerância para esse tipo de linha de produção é alta. A minha é quase zero, mesmo em casos em que isso é bem feito, o que não se aplica nem de perto aqui em LoT. O que eu acho curioso é que tem coisas legais e algumas ideias parecem bem promissoras. Os caras tem todos os ingredientes para fazer uma boa série em repetições e sem essa coisa chata e dinâmica-cópia, mas eles não fazem. Dá uma raiva!

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Nicolas Dias 7 de fevereiro de 2016 - 14:42

Por anos fui sendo calejado por séries que tinham tudo para serem ótimas mas se contentavam em ser medianas, antes eu passava raiva com isso, mas desencanei, desde que seja bem feita tecnicamente falando. E minha tolerância com LoT não é tão grande assim porque a série terá 16 episódios ao invés do habitual 23-24. Com esse número não existe tanta necessidade por enrolação, se os roteiristas forem minimamente competentes dá para fazer mais dinâmico e objetivo que Flash e Arrow.

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Luiz Santiago 7 de fevereiro de 2016 - 15:15

Isso é verdade. Esse formato 23-24 é para matar qualquer um. PELO MENOS o número de fillers e outras coisas devem diminuir à medida que nos aproximamos do meio da temporada (que normalmente serve para acrescentar um mistério grande para ser desenvolvido no restante) e o finale… Vamos ver.

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cleverton 11 de fevereiro de 2016 - 15:01

shield nesta terceira temporada nao teve nenhum filler teve?

planocritico 11 de fevereiro de 2016 - 20:00

@disqus_p5Vt9bnmie:disqus, ainda não teve nenhum filler de verdade não. Mas AoS não está seguindo a estrutura de “vilão da semana” e não tem feito muito fan service, ou seja, está caminhando na direção oposta de The Flash. Por isso tem conseguido se manter com mais qualidade, ainda que esteja sofrendo na audiência, já que o povo só quer ver heroizinho e vilãozinho a cada novo episódio…

Abs,
Ritter.

cleverton 11 de fevereiro de 2016 - 21:00

Ta sofrendo na audiencia? Triste hoje msm eu vi uma noticia que agent carter seria cancelada, nao e possivel perder shield e carter ao msm tempo

planocritico 11 de fevereiro de 2016 - 21:29

Infelizmente, está. Não acho que AoS será cancelada, porém, pois há muito em jogo ali. Já Agent Carter, ela recomeçou com números ainda mais baixos que da primeira temporada e, ainda que o cancelamento não tenha sido confirmado ainda, desconfio que ele virá… Será uma grande perda, mas, pelo visto, a galera se contenta com pouco e não dá trela para séries de um nível um pouco mais alto…

Abs,
Ritter.

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