Crítica | Legends of Tomorrow – 3X08: Crisis on Earth-X, Parte 4

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SPOILERS! Confira as críticas para os outros episódios aqui.

Das muitas coisas que qualquer espectador com um nível de exigência acima de zero tem para lamentar neste crossover Crise na Terra-X é, além do tsunami de oportunidades desperdiçadas, escanteadas ou apenas sugeridas mas não utilizadas ao longo de 4 episódios (sem contar o horrível Supergirl – 3X08, que é mais uma desculpa para um segundo crossover, o do mundo Barbie com o Universo já conhecidamente meloso da CW) é o fato de chegarmos ao final da história e, em vez de os roteiristas aproveitarem o elemento narrativo que realmente importava, ou seja, as consequências da luta contra a Terra-Nazista dentro de cada série de heróis, eles acabaram se dispersando por diferentes caminhos, tentando resolver a triste perda do Professor Stein, colocando um fim na brincadeira de casinha entre Barris e Olicity e mais uma série de pequenos dramas individuais que marcaram negativamente o encerramento deste evento.

Para quem não acompanha Legends of Tomorrow é importante que fique claro que a série não tem mais esse tom episódico irresponsável que o roteiro deste oitavo episódio mostrou. Como o crossover não levou em consideração as particularidades de cada série envolvida, colocando de maneira genérica a história corrente e um mutirão de heróis para brigarem em diferentes cenários, era mais ou menos esperado que o final tivesse um gosto amargo de encerramento apressado e, infelizmente, de atenção para coisas que não mereciam atenção. Pensemos, por exemplo, na veia romântica. Não seria mais coerente e interessante, sob qualquer aspecto de construção de roteiro, que o arco trabalhasse APENAS com os elementos de sua temática de crise (afinal de contas, o título cobra justamente isso!) e deixasse casamentos, beijinhos e pegações para esses personagens em suas próprias séries? Não seria mais interessante explorar a Terra-X? Ou fazer uma introdução digna para um herói de concepção tão bacana nos quadrinhos quanto The Ray?

As versões sombrias dos mocinhos da nossa Terra e uns nazistas tão exímios em alvejar pessoas quanto os Stormtroopers não bastaram para gerar um bom final, mas uma coisa é certa, ao menos sobre este episódio: os acontecimentos aqui são muito, muito divertidos e, embora não sejam totalmente bem organizados pelo roteiro e embora a direção de Gregory Smith pareça ter energia para fazer algo bom apenas nas cenas de batalha, o saldo é positivo, principalmente se comparamos o todo com a iniciativa do ano passado, a saga Invasão!.

Um dos pontos de maior problema para esta Parte 4 foi a aparição inadvertida de personagens por tudo quanto é buraco. Pelo menos isso o crossover anterior tinha de interessante e bem feito, ou seja, a inserção de heróis de maneira que o público entenda como eles foram parar ali, por que estão presos ou apareceram dentro de uma nave ou em um laboratório. Existe tanta elipse nesse episódio — a montagem não ajuda em nada nesse quesito — que eu juro que pausei e fui procurar para ver se não havia uma outra série, uma parte “3.2”, 4.0″ ou alguma coisa do tipo. Como alguém que acompanha LoT, já acompanhou The Flash e sabe mais ou menos o que acontece em Supergirl e Arrow, eu não demorei muito tempo para ligar alguns pontos e chegar pelo menos na intenção geral dos roteiristas. Mas isso não anula o fato de termos um texto que joga com algo que nenhum roteiro jamais deveria jogar: o assumir que o espectador é obrigado a entender as deixas e encontrará, sozinho, o caminho para coisas estruturais que o roteiro seria obrigado a fornecer. Parece uma mistura de preguiça com a necessidade de tirar de cena qualquer elemento de contexto para sobrar tempo para comédia descabida e romance.

A CW obviamente investiu boa parte do orçamento de suas séries de heróis nesse cruzamento de timelines e o resultado visual agrada a maior parte do tempo. É inegável que o apelo de ver tanto herói junto tem um peso enorme para qualquer leitor de quadrinhos. Ver esse tipo de batalha de sugestão épica nos enche os olhos. A produção, porém, acertaria mais se colocasse os figurantes morrendo ou tornasse a presença dos nazistas da Terra-X como algo realmente ameaçador para a nossa Terra, não apenas na teoria e indicações nas conversas entre os mocinhos do jogo. Nem a Waverider do mau intensifica essa sensação porque a composição das cenas não permite a entrada de contextos ou aprimoramentos de justificativas para as coisas em cena, novamente, o pior ponto de toda a história (ou ninguém parou para questionar que a real motivação para a vinda dos Nazis é incoerente em sua própria origem?).

Por outro lado, os clichês das lutas e a ideia geral do cruzamento entre Universos são coisas bem utilizados e nos fazem superar as linhas de diálogos vergonhosas e o final My Little Pony para uma história de Crise dentro do Universo DC. A proposta de uso do Multiverso é soberba, mas a execução aqui foi apenas “ok”. Estranho será ver cada grupo e heróis voltarem para suas vidas sem que tenha tido aqui, onde realmente deveria, um fechamento satisfatório das consequências da Crise na Terra-X. Veremos o que virá a seguir.       

Legends of Tomorrow – 3X08: Crisis on Earth-X, Parte 4 (EUA, 28 de novembro de 2017)
Direção: Gregory Smith
Roteiro: Phil Klemmer, Keto Shimizu, Marc Guggenheim, Andrew Kreisberg
Elenco: Victor Garber, Brandon Routh, Caity Lotz, Franz Drameh, Maisie Richardson-Sellers, Amy Louise Pemberton, Tala Ashe, Nick Zano, Dominic Purcell, Stephen Amell, David Ramsey, Emily Bett Rickards, Tom Cavanagh, Chyler Leigh, Candice Patton, Danielle Panabaker, Carlos Valdes, Echo Kellum, Rick Gonzalez, Juliana Harkavy, Melissa Benoist, Grant Gustin, Wentworth Miller, Russell Tovey, Christina Brucato, Isabella Hofmann, Susanna Thompson, Charles Zuckermann, Adam Klassen
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.