Crítica | Legends of Tomorrow – 3X11: Here I Go Again

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SPOILERS! Confira as críticas para os outros episódios aqui.

Time loop. O termo já é bonito antes mesmo darmos um significado a ele. E quando o vemos ser bem trabalhado em uma série, então…! Here I Go Again é um episódio muito importante para Legends of Tomorrow. Ele faz parte de algo que discutimos na crítica de Daddy Darhkest, ou seja, a marcação lugares e personagens no meio de um processo onde tudo está para mudar. E sendo esta uma temporada que já superou todas as expectativas possíveis, restava a curiosidade de como a produção daria o passo para o rearranjo da equipe e, principalmente, de como Rip Hunter seria reintroduzido no show. Tudo isso é colocado aqui. E esses nem são os temas do episódio.

No capítulo anterior, falei bastante sobre como a atriz Tala Ashe parecia sobrar na série, não tendo exatamente um lugar para se fazer notar ou algo para que Zari, sua personagem, fosse vista de uma forma diferente, criando um maior apelo diante do público. E sim, o problema era patente inclusive para a produção, que resolveu utilizar de um dos episódios mais inteligentes em toda a série como um caminho para que Ashe fosse destacada e tivesse, organicamente, a possibilidade de estabelecer um laço com cada um dos membros da equipe.

Com referências ao excelente Feitiço do Tempo (1993) e ao também excelente episódio Cause and Effect de Star Trek: A Nova Geração, Here I Go Again permitiu que possíveis pendências de relacionamento entre as Lendas fossem resolvidas, assim como a presença de outros personagens, como Ava Sharpe, alguém que eu gostaria muito que se tornasse regular na série, nem que fosse para consultoria periódica. O crush dela com Sara é só uma das facetas interessantes da personagem, que entrou em LoT de uma maneira completamente diferente, nos fazendo odiá-la a cada segundo e, com o passar do tempo, conseguiu que a víssemos por um outro prisma. Como se não bastasse, ainda tivemos a manifestação física (em uma realidade, pelo menos) de Gideon e uma entrada atrapalhada mas bastante simpática de Gary, que até pode servir como falha eventual do capítulo, mas pelo menos uma explicação razoável para sua presença foi dada. Vai de cada espectador comprar a explicação ou não.

Quando a primeira explosão da nave aconteceu, eu fiquei em choque. E quando ficou claro que teríamos em andamento um episódio de loop temporal, o choque se tornou uma expectativa de algo grandioso. À medida que as cenas se desenvolviam, a nave explodia e Zari voltava de seu tormento de “morrer em uma hora”, pude perceber o quanto o diretor Ben Hernandez Bray (que dirigiu para a série Fellowship of the Spear, na temporada passada) foi inteligente ao pegar as deixas cômicas do roteiro e mesclá-las a dois outros gêneros que podem aparecer quando temos um loop em andamento: o suspense e o drama intimista, que sempre leva ao ponto de quebra da repetição do tempo. O diretor não se furta em brincar com as repetições de falas e acidentes no meio do caminho, mas é habilidoso quando muda de espaço, tendo a competente direção de fotografia auxiliando na criação de atmosferas cada vez mais opressivas, com cores frias agindo em planos mais fechados.

No meio de tanta coisa boa e harmonicamente amarrada, o final não tem como não incomodar. Mesmo que a montagem tenha sido perfeita ao colocar um fade de “encerramento de capítulo” e só depois mostrar a cena de Rip com coqueiro veloz Wally West (neste momento, ao escrever o nome desse moço, meus olhos rolam até a nuca, rodam furiosamente como um pião colérico, e voltam irreconhecíveis, às órbitas), a quebra não é bem vinda. Pelo menos não aconteceu em outra hora, atrapalhando o desenvolvimento do enredo. E eis que fica a pergunta: será mesmo que teremos de lidar com Keiynan Lonsdale na equipe? Será que já não fomos castigados e maltratados o bastante pelos produtores na péssima 1ª Temporada e LoT e agora, quando tudo ficou muito bom, teremos que aturar esse embuste? Que os Deuses da velocidade e do tempo nos ajudem. Se esse rapazote vai mesmo ser recorrente na série, ajuda é o que mais vamos precisar…

Legends of Tomorrow – 3X11: Here I Go Again (EUA, 19 de fevereiro de 2018)
Direção: Ben Hernandez Bray
Roteiro: Ray Utarnachitt, Morgan Faust
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Maisie Richardson-Sellers, Amy Louise Pemberton, Tala Ashe, Nick Zano, Dominic Purcell, Jes Macallan, Adam Tsekhman, Keiynan Lonsdale, Arthur Darvill
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.