Crítica | Legends of Tomorrow – 3X13: No Country for Old Dads

plano critico sara rip ava plano critico legends of tomorrow lendas do amanhã plano critico
SPOILERS! Confira as críticas para os outros episódios aqui.

A cara de Mick Rory, quando Wally pega dele o “presentinho” que trouxe de uma viagem, é uma das muitas coisas impagáveis que encontramos em mais este excelente episódio de Legends of Tomorrow. Ninguém mais segura essa série. Falo com tranquilidade.

O título No Country for Old Dads faz referência à obra de Cormac McCarthy, adaptada para o cinema pelos irmãos Coen no excelente Onde os Fracos não Têm Vez (2007), e o episódio segue quase perfeitamente a toada do show nesta 3ª Temporada, misturando humor e ficção científica de um jeito que as veteranas séries de heróis da CW jamais sonhariam trazer para o público. A começar pela receita mágica que os roteiristas conseguiram, tornando a busca central — os totens e a luta contra Mallus — um meio pelo qual diversas outras coisas podem acontecer, e isso sem que o espectador seja bombardeado pelas bobagens do modelo “vilão da semana”. O nível de organicidade da série vem crescendo desde a estreia deste terceiro ano e, a partir de Here I Go Again, se sustenta no alto de um difícil patamar, trabalhando com clareza muitos personagens de uma história intricada e deliciosa.

Logo que a atriz Courtney Ford (Nora Darhk) apareceu na série, em Return of the Mack, eu esperava pelo momento em que ela fosse colocada numa boa sequência ao lado do esposo Brandon Routh (Ray Palmer), e isso aconteceu aqui da melhor maneira possível, com os dois personagens saindo em uma missão na cidade de Berlim dividida pelo muro. Vê-los juntos me encheu de alegria. Sério. O fato de serem marido e mulher na vida real e o esforço que, como atores, fazem para parecer indiferentes um ao outro é um exercício incrível de se ver, ainda mais porque Ray não consegue se livrar dos encantos da bela possuída e se apaixona por ela; e nesse caso, não há dúvida nenhuma que foi uma piadinha interna dos roteiristas, assim como o Cidadão Gládio dizendo que ela é sexy.

Toda a sequência em Berlim tem um modelo de direção e fotografia que lembram os filmes de investigação, com paleta de cores dessaturada, takes mais longos, ângulos de câmera inclinados e ação seguida de um pequeno momento de suspense. A entrada de Damien Darhk nesse cenário também vem em momento oportuno e o personagem tem alguns dos melhores momentos de todo o episódio — e se você é um leitor antigo, sabe que eu não falaria isso à toa, porque eu não gosto do personagem. Mas para um bom roteiro não existem personagens ruins.

Reparem como o elemento de maldade de Darhk é mantido à medida que o seu lado paterno (e não uma mímica disso, o real lado sentimental dele) vem à tona. É engraçado, curioso e um pouco confuso (no bom sentido) vê-lo conversar com o corpo de um jovem que acabou de matar e ainda assim se importar tanto com a filha. Em toda a sua participação na série, não houve nada como os momentos que teve aqui. A cena no topo do prédio, com ele lutando contra ele mesmo e tentando salvar a filha é angustiante e abarrotada de humor negro. Keto Shimizu e James Eagan realmente estavam inspirados quando escreveram esse texto. E junto desses bons momentos, temos a reintrodução definitiva de Rip no escopo da série; mais outra gloriosa cena de humor negro, com o Diretor da Agência do Tempo morto pelas mãos de Grodd e Ava assumindo o cargo de Diretora; e, como se não bastasse, a entrada também definitiva de Wally (novamente usado com perfeição) no time das Lendas.

Em dois episódios de LoT, Keiynan Lonsdale teve tudo o que ele jamais conseguiu em zilhões de episódios em The Flash. E vale dizer que aquele negócio dos “souvenirs” realmente me pegou pelo coração e pela nostalgia, porque era isso que Wally fazia em Justiça Jovem, uma referência de respeito feita pelos roteiristas. Embora eu não tenha gostado da escolha que fizeram para o término do episódio, com Mallus tomando conta do corpo de Nora (parcialmente?), não dá para negar que o que tivemos aqui foi outra soberba aula de superação de uma série. Quarenta e dois minutos de entretenimento de alta qualidade. Quem te viu, quem te vê, hein, Legends of Tomorrow?

Legends of Tomorrow – 3X13: No Country for Old Dads (EUA, 5 de março de 2018)
Direção: Viet Nguyen
Roteiro: Keto Shimizu, James Eagan
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Maisie Richardson-Sellers, Amy Louise Pemberton, Tala Ashe, Keiynan Lonsdale, Nick Zano, Dominic Purcell, Neal McDonough, Arthur Darvill, Courtney Ford, Jes Macallan, Tracy Ifeachor, Adam Tsekhman, Adrian Hough
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.