Crítica | Legends of Tomorrow – 4X06: Tender Is the Nate

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  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia, aquias críticas dos outros episódios.

É fato que existem coisas em LoT que vira e mexe nos incomoda e que até diminuiu um pouco a qualidade dos episódios cuja história conseguiria um resultado bem melhor, não fossem alguns evitáveis e incômodos erros (Tagumo Attacks!!! que o diga…). Mas uma coisa que essa série ganhou na 3ª Temporada e que parece saber cultivar bem melhor do que repetir erros é a capacidade de entreter sendo bastante fiel à sua proposta. E é aí que entra um episódio como Tender Is the Nate, uma espécie de versão sci-fi-fantasia-cômica de Meia-Noite em Paris. Até a narrativa de “estar perdido” e “encontrar-se a si mesmo” é abordada aqui. Parece ser uma exigência quando se retrata esse período da História, não?

Nas entrelinhas, há algo que ainda me incomoda, mas que eu consigo aceitar e não ver como um diminuidor da diversão que os episódios nos trazem, que é essa dança meio incoerente do financiamento para as Lendas. Sendo indivíduos do futuro e fazendo o que fazem… vamos lá… não é preciso ser um gênio para imaginar aí uma tonelada de excelentes maneiras de uma equipe como esta, com essa possibilidade de locomoção, ficar penando por falta de dinheiro. Por outro lado, eu consigo ver a tentativa de uma fixação de realismo para a série, uma espécie de “porto seguro” onde sempre é possível voltar e onde é sempre possível ter coisas “normais”. Esta, na verdade, é a única explicação para que o Time Bureau esteja instalado no presente, e não no futuro, onde seria mais lógico.

Isso posto e aceitas as idiossincrasias narrativas da CW, é quase impossível não “tietar demais” o que os roteiristas nos tem entregado de LoT até aqui. Uma aventura como esta, ambientada nos Loucos Anos 20, é mais uma forma de fazer a temporada andar um pouco no que diz respeito à relação entre os personagens (Nate e o pai, Charlie e Nate, Ava e… a humanidade e outras criaturas) e criar os encontros que tão interessante têm tornado os episódios.

O contraste fotográfico entre o presente e o local onde está o Minotauro é imediatamente percebido. Um tom sépia marca a noturna Paris de 1927 e as caracterizações, na maioria dos casos, estão no ponto certo. A única coisa que não gostei muito foi a representação de Dalí, mas a interpretação de Andrew Lees para Hemingway e o casal F. Scott e Zelda Fitzgerald (aliás, o título do episódio é uma brincadeira maravilhosa com a peça de Tender Is the Night de… vocês sabem quem) recebem a atenção merecida e tornam a visita das Lendas a Paris ainda mais apreciável.

Na divisão dos blocos, temos as cenas dentro da Waverider, todas muito boas, bem dirigidas e com uma dinâmica rápida e sempre cômica (resultado de tantos atores trabalhando juntos já há algum tempo) e as cenas no Time Bureau com Mona, Nora e Ava. Aqui, devo dizer que senti falta do menino Gary, mas Mona já faz as honras da casa, com sua personalidade fofa e a forma como ela e as duas mulheres duronas criam um lanço no período em que ficam presas na cela — a propósito, aquela desculpinha do Ray foi difícil de engolir, hei. Eu só achei que a finalização desse arco seria um pouquinho diferente (com uma conversa mais formal…), mas confesso que fiquei feliz com o que tivemos, o que já mostra um bom resultado daquela bebedeira entre mulheres, não dando a sensação de que foi algo perdido, apenas para passar o tempo do episódio.

Considerando que este é o 6º capítulo da temporada e que nada de mais firme apareceu em relação ao grande plano ou vilão de quarto ano, meu temor de que possa existir uma sequência de episódios questionáveis se torna ainda mais forte; mas vamos aguardar. Enquanto estiver divertindo, pra mim, está bom.

Legends of Tomorrow – 4X06: Tender Is the Nate (EUA, 26 de novembro de 2018)
Direção: Dean Choe
Roteiro: Phil Klemmer, Matthew Maala
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Maisie Richardson-Sellers, Tala Ashe, Jes Macallan, Courtney Ford, Amy Louise Pemberton, Ramona Young, Nick Zano, Dominic Purcell, Matt Ryan, Thomas F. Wilson, Andrew Lees, Jason McKinnon, Meganne Young, Daniel Cudmore, Darien Martin, Sergio Osuna, Daniel Deorksen, Gregory Boutros, Craig Haas
Duração: 43 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.